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Monday, July 13, 2015

Domenico Dolce dixit: raízes profundas


‘’This is your DNA… every root is beautiful. To cancel the root is a big mistake. Ten years ago people thought globalisation was the most important thing… but your identity is more important. If you lose your identity, you lose your personality, you lose yourself.”

Numa belíssima entrevista a Suzy Menkes para a Vogue, a dupla de designers responsável por uma das minhas griffes preferidas falou do passado, do futuro e da Alta Sartoria - alfaiataria individualizada num atelier de ambiente "quase religioso", um regresso às origens que Domenico sonhava há anos.

Sinto por Dolce & Gabbana um respeito e afecto que acho quase tolice ter por uma marca. Por muito envolvimento emocional que gerem, marcas acabam por ser coisas. Mas Dolce & Gabbana é muito particular. Sendo uma Casa recente (1985) construiu e manteve uma mística, uma identidade, que muitas mais antigas têm vindo a perder. 

Talvez esta minha ligação emocional venha de partilhar com Domenico Dolce as raízes em Palermo e o facto de a marca ter desde o início orientado as suas criações à volta do imaginário siciliano - algo que manteve orgulhosamente mesmo quando os seus fatos de riscas foram classificados como "mafiosi!". Talvez seja por Domenico ter começado por ser um alfaiate -  poucas artes me merecem tanta admiração como a alfaiataria - e alimentar cuidadosamente essa noção italiana de "famiglia" que me é tão cara, contra ventos, marés e polémicas. Tradição, rigor, família, alfaiataria...tudo conceitos que me dizem muito.

 E não menos importante, porque Stefano e Domenico desenham para a mulher italiana, ou para a imagem perfeita da mulher italiana: com figura de ampulheta e lábios cheios, cabelos ao vento, vestidos de luto, véus, apaixonada e fatal. Sophia Loren, Monica Bellucci! Dizia Mario Puzo: na Sicília, as mulheres são mais perigosas do que as armas



Nunca tentaram conformar-se com arrivismos, modernices e androginias. 
Tão pouco com o politicamente correcto: sendo ambos gay, levantaram grande poeirada quando há dias defenderam em público o conceito de família tradicional

Sabemos o que esperar de Dolce & Gabbana. Riqueza de detalhes, perfeição no corte e invariavelmente, sheath dresses pretos que favorecem mulheres de todas as idades.

 Respeitei-os mais ainda quando reconheceram que a linha D&G era um disparate que os desprestigiava e se voltaram para o que sabiam fazer melhor. Eu acredito que nunca estamos bem quando nos afastamos do nosso centro, das nossas raízes.

Escrevi há dias que muitas Casas de moda - até Balmain, até Givenchy - tentam agora agradar a todos. Aos novos consumidores, aos jovens consumidores, às novas estrelas de social media. Pessoalmente não acredito que o luxo possa ser levado a sério se se desvirtuar constantemente, nem que uma marca possa manter o carácter se se afastar demasiado do seu posicionamento original, do ADN que lhe deu o carácter e o nome.

No fundo, as marcas não são tão diferentes das pessoas: se tentam agradar a todos, conformar-se com as visões do momento, perdem a individualidade. Na ânsia de brilhar temporariamente, de ir com as modas e as conveniências, tornam-se medíocres. Podemos não estar sempre em paz com as nossas raízes, mas elas falam-nos ao íntimo, ao instinto. Carregamo-las constantemente. Estão presentes em todos os nossos actos e pensamentos e não podemos fugir delas sem cair no artifício. O sucesso duradouro de Dolce & Gabbana parece provar que quando na dúvida, be true to yourself. É sempre a melhor receita.




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