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Wednesday, July 29, 2015

Easy comes, easy goes.


Recentemente ouvi uma frase cuja veracidade posso atestar "a vida é como o pilates; se parece demasiado fácil, estás a fazer alguma coisa mal"

É que apesar de ser uma modalidade tranquila, sem saltos e pulos, que dá atenção ao centro do corpo, à postura, aos músculos mais pequenos de modo a alongar e tonificar todos e que acelera o metabolismo sem que se dê por ela - enfim, um exercício que trabalha discretamente o corpo como um todo- exige rigorosa disciplina, ou não fosse inicialmente pensada para bailarinos. E às vezes, sinto dizer isto, dói que se farta... embora de uma maneira boa.

Ora, a vida é bastante assim. Pensos rápidos e remedeios servem apenas para "quebrar um galho", não para sarar problemas de fundo ou fazer grandes alterações. É como as pessoas que recorrem a  uma dolorosa lipo aspiração porque têm preguiça de fazer dieta e exercício, mas não tencionam mudar os seus hábitos: dali a nada , estão na mesma.

Também o vemos nas artes: a pintura abstracta não tem valor se o artista não tiver tido anos a fio de desenho rigoroso. Picasso sabia desenhar lindamente. A dança contemporânea, goste-se ou não, nada é sem uma formação em dança clássica. Isso de uma pessoa se expressar, de agir conforme os apetites, é lindo...mas sem alicerces sólidos, é puro facilitismo e deita por terra o valor da criatividade. Primeiro, rigor, disciplina, valores de base; depois as alegrias.

Assim é, ou devia ser, nos negócios, nas atitudes, nos amores...é bem verdadeira a máxima "o caminho fácil conduz ao Inferno, o caminho espinhoso leva ao céu".

E no entanto, vê-se actualmente um grande apreço pela facilidade, pelo instantâneo, pelo fluido, pelo transitório. 

Há quem prefira ter muita coisa, ainda que de fraca qualidade, porque o apelo da novidade é maior; depois dá-se o dilema "tenho o armário a abarrotar e nada para vestir". É tão simples, face a uma separação dolorosa, substituir um grande amor que dá muito trabalho, por uma ligação  gratuita, de bandeja, que provavelmente será fugaz, mas aparentemente simples ( nunca é simples; quase sempre atrai complicações piores). E o que dizer dos esquemas para enriquecer depressa, que nunca funcionam? Ou das almas que têm uma enorme resistência à religião fundamentada dos seus antepassados, acham maçador cumprir os mais elementares deveres espirituais, mas estão dispostos a fazer workshops de filosofias mais recentes que o seu whisky, a gastar dinheiro para limpar retretes num remoto ashram qualquer, em busca de respostas imediatas, milagres on demand?

É tão simples voltar as costas a tudo o que é familiar e procurar asilo noutras paragens. Mas o "fácil" é quase sempre vazio, quando não se traduz em embrulhadas maiores ainda...

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