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Monday, July 20, 2015

Jackie x Marilyn - ou como lidar com uma mulher da luta



É curioso que duas das mulheres que mais admiro pelo estilo intemporal e sem mácula (apesar de muito diferentes uma da outra) tenham sido as piores rivais.

No entanto, se Jackie foi um exemplo intemporal de elegância interior, Marilyn nem por isso. Era frágil, carente e deixava assim abafar todas as outras qualidades que possuía (até o talento, que só foi reconhecido tarde demais). Era linda, fotogénica, vestia bem...e mais nada.

 Jackie possuía outro pedigree e outra educação, o que se traduzia numa classe à prova de bala. Marilyn era uma mulher lindíssima, mas Jackie era uma linda Senhora.

Como muitas mulheres do seu meio, tinha um grande sentido de dever e Católica, casada com um homem de família Católica Romana (embora mais tarde, ao enviuvar tragicamente, chegasse a pôr a sua Fé em causa) encarava o casamento como um compromisso inquebrável. Por isso, fingia não ver as aventuras do marido mulherengo, pelo menos em público. Sabia que enquanto mulher de JFK, representava algo maior do que ela própria. Assim,  tratava o vergonhoso assunto com o merecido descaso e Marilyn foi a única que a fez sentir-se ameaçada entre os "brinquedos" do marido: não tanto pessoalmente mas por recear um escândalo, dada a grande fama e fraco auto domínio (e noção das circunstâncias) de Ms. Monroe.



  Quanto a Marilyn, coitada, não tivera mãe que lhe ensinasse (embora também haja para aí mães que ensinam precisamente o contrário daquilo que é correcto) que uma mulher só corre atrás de um homem se ele lhe tiver roubado a carteira!

Iludiu-se e tratou de fazer a Kennedy marcação cerrada: embora o Presidente tencionasse tanto divorciar-se da esposa para casar com ela como ir ao fim do mundo, lá achou que ia ser Primeira Dama e teve a desfaçatez de ligar à legítima, toda serigaita, a avisá-la "olhe que ele vai pedir-lhe o divórcio para casar comigo" - na tentativa desesperada de a fazer perder a cabeça.

 Nem ao menos percebeu que quando um homem está determinado, ele próprio trata de informar a cara metade; não precisa que a amante faça de mensageira...



 Jackie atendeu o telefone, ouviu, deixou-a falar. E depois respondeu-lhe muito calmamente: "deveras? Ele vai divorciar-se de mim para casar consigo? Muito bem, eu vou-me embora; a senhora muda-se para a Casa Branca e fica aqui a braços com todas as responsabilidades, problemas e canseiras...".

E assim troçou da rival sem descer a esgatanhar-se com ela, pondo-a no seu lugar com refinada ironia. Ignora-se como a actriz terá reagido a esta subtil resposta torta, ela para quem ser Primeira Dama devia representar apenas estatuto social, usar uns vestidos todos bonitos e dizer adeus às pessoas. Mas claro, todos sabemos como a história acabou. Nunca houve nenhuma Primeira Dama chamada Marilyn Monroe. 

  Porém, caso o Presidente fosse louco para pôr tudo em risco e casar com Marilyn, acredito que Jackie o tivesse deixado à vontade - e a braços com o remorso, a consciência de homem Católico em grandes apuros, a carreira política de pantanas e uma mulher que não tinha nascido para o papel a espatifar a Casa Branca...

Onde há mulheres da luta, mulheres dignas não têm interesse em estar. Aliás, mulheres de brio não têm concorrência: face a um ameaço, geralmente aplicam a fórmula de Eça de Queiroz: mandar o traidor à atiradiça, com um bilhetinho a dizer "guarde-o". Ou antes, "ature-o".





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