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Wednesday, July 1, 2015

Laurence Xu: quem tem medo do estereótipo?


Blake Lively com um vestido Laurence Xu

Na época super informal que atravessamos, em que mesmo a Alta Costura já não é muitas vezes o que era, é difícil encontrar o rigor, perfeição e impacto de outros tempos -mesmo quando se trata de vestidos de noite, gala, ou baile. Os eventos de passadeira encarnada que temos visto (até Cannes) são a melhor prova disso; é cada vez mais raro uma pessoa surpreender-se com a beleza de uma toilette. Mesmo as melhores Casas de moda jogam amiúde pelo seguro, fazendo mais do mesmo ou, au contraire, ousam onde não deviam ousar, descuidando o mais importante: o fitting e a própria alfaiataria!


Laurence Xu

 Embora possamos ainda contar com griffes que mantém a sua essência e erram pouco (como Dolce & Gabbana ou Vivienne Westwood) é cada vez mais  raro ver-se um vestido digno de um Christian Dior ou Lanvin nos anos 50, de um Charles James, Jacques Fath, ou da antiga House of Worth - porque a versão renovada desta nada tem a ver...

 Surpreendentemente (ou talvez não) a brisa de ar fresco tem vindo de paragens exóticas e longínquas, de países com rica tradição nas cores, nos bordados, nos tecidos sumptuosos, e cujos representantes não sofrem da obsessão de se modernizar exageradamente ou do medo de brincar com o imaginário da sua terra - não tendo medo do estereótipo, são capazes de criar, com liberdade, verdadeiros designs de sonho, que mostram tudo o que um vestido especial devia ser.


Laurence Xu

 Aliás, basta dar "uma volta" por páginas como o Lookbook ou o Chictopia para tomar o pulso à criatividade dos fashionistas de países do Leste da Europa, da  ex- União Soviética e do Extremo Oriente. E este espírito está bem evidente nos seus designers, como Ulyana Sergeenko (Cazaquistão) e vários criadores chineses - Christopher Bu, Yang Li, Guo Pei ou...Laurence Xu.


Laurence Xu

Assumindo-se como um embaixador das tradições chinesas, desde que fez o seu debute em Paris há cerca de dois anos, Laurence tem conquistado o ocidente com as suas criações perfeitas, assentes nas laboriosas técnicas ancestrais. E é de admirar? A velha Europa, mesmo os EUA, estão cansados de que o minimalismo - tão fanado, por vezes, e mal compreendido -  seja uma desculpa para vestidos mal acabados e pouco pensados. 


Laurence Xu

As mulheres têm necessidade de design impecável - e por vezes, o mais impecável design tem muito poucos enfeites, atenção-  de corpetes, de engenharia na silhueta, de decotes feitos para lhes enaltecer o busto e não colocados por mero capricho a desfavorecê-lo, de saias que equilibrem a curva das ancas em vez de a desfear, de caudas, de tecidos ricos, de glamour e de impacto. Sentem falta de criadores que desenhem para mulheres, e não para a sua própria vaidade.

Laurence Xu é mestre nisso. Mas os criadores portugueses (que já tenho dito, se falham noutros quesitos, são muito competentes a criar vestidos para noites especiais) bem podiam pôr os olhos no posicionamento, para se imporem internacionalmente de uma vez. Tivemos um Império, bem podemos brincar com o exótico. Watch and learn!


















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