Recomenda-se:

Netscope

Tuesday, July 21, 2015

Por favor, não usem isto na cidade.



Um conceito que se foi perdendo com a informalidade em que vivemos foi o de "roupa de cidade". É certo que o estilo de vida actual exige, na maioria dos casos, menos mudanças de roupa ao longo do dia do que antigamente.

No entanto, além de  respeitar os dress codes ser importante - e facilitar a vida a toda a gente - ter em consideração o propósito original de uma peça ou a utilidade de um tipo de tecido ajuda-nos a tirar maior partido do guarda roupa, a andar mais confortáveis, a ter um ar mais composto e a evitar certas gaffes e más compras.


 Algo que me faz confusão é ver roupas de praia usadas na cidade. 

Refiro-me a topzinhos low cost coloridos sem forma em algodão pouco consistente, quando não são sintéticos (muitos em versão cai cai, o que piora quando se tem um busto que precisa de suporte); mini macacões nos mesmos tecidos; calções de ganga minúsculos coordenados com os referidos tops baratinhos; vestidos curtos tipo saco nos mesmos materiais, etc. 

(E para não complicar, não falemos em tudo o que é demasiado revelador, nem nas as pessoas que vestem tragédias híbridas, ex: top de elastano ou viscose, minúsculo mas quentíssimo, +  jeans super duros e apertados com fantasias a vincar a pele + havaianas!).

Claro que não é impossível "dar a volta" a algumas destas peças e torná-las mais sofríveis - vestindo por cima um blazer de linho, por exemplo - mas essas receitas pouco ajudam nos dias muito quentes.


Certo, o calor é insuportável e as roupas soltas sabem bem, mas há muitas maneiras de não "assar" sem perder um ar polido. A melhor (e mais fácil) forma de evitar qualquer erro é não usar nada que ficasse mesmo bem sobre o bikini. Ou seja, se evitar os decotes cai cai ou halterneck (a atar no pescoço) e tudo o que seja demasiado fino, transparente e curto, com cara de saída de praia, está no bom caminho...

Convém lembrar que a "roupa de cidade" deve ser um pouco mais estruturada e menos informal do que aquela que se usa junto ao mar ou num qualquer festival no meio de nenhures: opções frescas e apropriadas são, por exemplo, calças soltas de linho (combinadas com camisas ou blusas), vestidos rodados ou shirt dresses de algodão espesso, saias midi, vestidos envelope, calções não exageradamente curtos (de sarja, por exemplo) de cintura subida com uma camisa branca por dentro, t-shirts brancas com calças de pinças (ou em situações casuais, boyfriend jeans em denim fino), culottes, polos, macacões leves, mas mais compridos e com um decote apropriado, etc. 

Rodarte S/S 2015: vestidos finos e soltos mas
 devidamente forrados e com cinto são frescos, mas sofisticados
Os tecidos naturais, ainda que mais consistentes, nunca aquecem tanto como o mais leve tecido sintético- as musselinas falsas, o poliéster, o acetato, a lycra, fazem transpirar e dão mau estar (e um aspecto pegajoso) por muito curta/reduzida que a peça seja. Já o algodão, a sarja, a cambraia, cetim de algodão (mais indicado para a noite) o linho, as misturas de algodão e seda ou mesmo seda pura deixam a pele respirar. As cores também são importantes: tons fechados e profundos como o preto ou o azulão (que está na moda, mas grita "barato" a metros se usado num mau tecido) são sempre mais quentes.

Nada como pensar no conforto, mas aplicar ao estilo pessoal aquela máxima do imobiliário "localização, localização, localização...".




5 comments:

Rita Machado said...

Havainas é cúmulo! Para mim só para praia e ou piscina mas o só para ser usado para fazer deslocações ao lado da piscina! Levo as havaianas na mala como segundo calçado!
Mas concordo muito com o post! Macacões só se tiverem um corte elegante e um tecido bonito!
Ritissima Blog

Carla Isabel said...

Adorei.
Costumo dizer que roupa de praia na cidade dá um ar brejeiro.
Apesar de ter filhas ainda pequenas já lhes vou passando essa forma de estar (o problema é que muitas vezes elas dizem que as coleguinhas usam...).
Os meus rapazes, principalmente o mais velho já vai tendo noção e de vez e quando lá comenta uma indumentária menos apropriada que veja.

Obrigada por este artigo.

Lulu, oui c'est moi said...

Não conhecia o blog e agora que li achei interessante. Só não entendo o "low cost" e gritar "barato".
Continuarei atenta ao seu blog.

Imperatriz Sissi said...

@Rita, em Coimbra há estudantes que as usam para a faculdade. O fim.

@Carla, essa frase é óptima.

@Olá Lulu, obrigada. Bem vinda. Por "low cost" entenda-se certas peça muito fraquinhas, de má qualidade, que são (ou parecem) baratas e mal acabadas. "Gritar barato" é quando uma peça tem mau ar, ainda que na realidade tenha sido cara.

Rainha do Retro said...

Ao ler este post só me conseguia lembrar desta crónica que li no Observador http://observador.pt/opiniao/lisboa-o-turismo-de-chinelo/ em que a autora até foi criticada por aquilo que disse.
Na minha opinião, tudo o que foi dito é verdade. As pessoas (neste caso, os turistas), passeiam-se pelas ruas da baixa lisboeta de chapéu de palha e chinelos... Será que são enganados pelo bom tempo e pelo céu limpo? Se estivessem em Paris também se apresentavam nesta figura?
Quanto a ir de havaianas e roupa de praia para as aulas, tive uma professora que disse muito directamente "se vêm para a faculdade com roupa de praia, eu mando-vos para a praia com roupa de ir para a faculdade". Nem mais, há um mínimo de decência a cumprir.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...