Recomenda-se:

Netscope

Sunday, July 12, 2015

Príncipe Bertrand de Orleans e Bragança dixit: a causa de o mundo andar como anda.




"A crise no Brasil e no mundo é muito mais moral e religiosa do que outra coisa.

Não é só escola. Olha esse pessoal do lava jato, mensalão, dólar na cueca….

Todo esse pessoal é escolarizado. Tem formação universitária.

Não é questão de alfabetização. Sem se restaurar a moral, não há solução".


Encontrei por mero acaso esta entrevista ao Príncipe Imperial do Brasil, que se ocupa de várias questões preocupantes no País- irmão, e pensei para comigo que o Senhor D. Bertrand está certíssimo ao aplicar o termo "no Brasil e no mundo". Por cá, mais coisa menos coisa, passa-se sensivelmente o mesmo fenómeno.

Se há sabedoria e verdade na frase de Victor Hugo "quem abre uma escola fecha uma prisão", também é certo que essa ideia - aplicada com entusiasmo a cada viragem de regime -  tem sido a mãe de muitas ilusões: infelizmente, uma sociedade formalmente instruída não é necessariamente uma sociedade bem formada. Instrução sem verdadeira educação, sem civismo, sem o apelo à bondade, ao altruísmo e à boa consciência, sem cultivar os princípios da honra e da elegância interior, sem um fundo sólido de amor à dignidade (a própria e a dos outros) de pouco vale. 

A instrução, sozinha, fomentada superficialmente, poderá fomentar a ambição, o pretensiosismo, e com sorte, o espírito crítico. Pode despertar grandes mentes que se perderiam, mas também, nos casos piores, um sentimento de chico espertismo, de falsa sabedoria, de falsa segurança. Instrução não traz cultura como brinde. Nem boa educação. Diplomas têm o seu mérito... desde que não se limitem a ser vaidades inúteis.

 A igualdade de oportunidades é inquestionável - mas enganou-se quem pensava que, por si própria, ia resolver todos os males da sociedade, tornar as pessoas melhores.

 O povo português nunca foi tão instruído...e no entanto, as mais elementares regras de cortesia, postas em prática até pelas camadas mais humildes da população em tempos idos, perderam-se completamente, ou quase. Quando ando de autocarro e me levanto para dar o lugar a uma idosa, ninguém me secunda, ou muito raramente; mesmo que haja cinco avozinhas de pé e cinco adolescentes comodamente sentadas. E ainda ficam a olhar para mim com cara de espanto. 


Os casos de bullying que têm transpirado para os média, e indignado tanto as redes sociais, são perpetrados por adolescentes com um nível de ensino que a maioria dos seus avós nunca sonharia atingir. 

 Vejamos na área do entretenimento, que diz muito: pega-se numa revista feminina antiga, mesmo daquelas consideradas no seu tempo "revistas de sopeiras"...e os artigos eram difíceis! Eram sobre História, sobre ópera, sobre teatro, sobre romances de grandes autores. Conclusão? As criadas de servir de outras épocas, pouco instruídas, eram mais cultas do que muitas mulheres com formação universitária, que se arvoram em cultas mas dão erros de palmatória e não possuem conhecimentos a não ser na área em que trabalham...

Falemos de universitárias: é um desgosto (para mim então, que sou de Coimbra) ver a forma como se apresentam e se comportam, e não só na Queima das Fitas. Não há o menor brio em representar condignamente uma instituição antiga com tradição antiga. De berrar palavrões em público a transformar o traje em mini saia quando não vão para exames como quem vai para uma discoteca, fora o resto que se sabe, é deprimente. Se a instrução não corrige os mais elementares vícios de linguagem...por aqui me fico.

 E os políticos? Se a corrupção nos lançou numa crise terrível que não há meio de deixar Portugal em paz, se são tomadas decisões que ficam bem no retrato mas não consideram o bem estar das pessoas, não se pode, como antigamente, deitar as culpas a uma certa elite intelectual e social, já que há no Parlamento pessoas dos mais variados backgrounds, na sua esmagadora maioria com formação superior. A instrução não fez de muitos dos que têm andado nos jornais homens (e mulheres) de honra. Não lhes fomentou a honestidade nem a solidariedade, está visto.

 Então, o que falta? A instrução é insuficiente se não colmata as carências de civilidade, de bondade, de gentileza, de ética, de altruísmo, de saber estar. Dar conhecimentos - muitas vezes a martelo - sem despertar em quem os recebe uma sólida moral, uma base de honradez e de bons princípios, é pedir que esses conhecimentos sejam mal utilizados, que a inteligência se transforme num instrumento ao serviço do proveito próprio a qualquer preço, do vale tudo; que a cultura seja apenas um enfeite, por vezes falsificado. Instrução sem nobreza de princípios, sem capacidade de sacrifício ("poderei não subir tão alto, mas jamais farei algo que me envergonhe") sem um sentimento arreigado de pundonor e de genuína preocupação pelo bem comum, concorre para uma sociedade de atrevimento, de ganância, que fica bonita na estatística...mas dificilmente para uma sociedade justa e evoluída. Just my two cents here...






No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...