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Friday, July 31, 2015

Respondendo a 5 frases (deles) sobre as mulheres- de Byron a Cervantes


Há muita utilidade em entender a forma masculina de pensar sobre as mulheres - uma arte que as nossas avós (e as publicações que eram escritas para elas) dominavam, mas que tristemente, anda bastante esquecida.

É óbvio que as senhoras tiram valiosas lições da experiência umas das outras, e não só no que toca a modas & elegâncias. Porém, tanto homens como mulheres só têm a ganhar em compreender como o outro lado sente e raciocina a seu respeito.

Acredite-se na "guerra dos sexos" ou na saudável cooperação, apliquemos Sun Tzu: quem conhece o "inimigo" e a si mesmo (a), não tem de temer o resultado de cem batalhas

Ora vejamos cinco frases sobre nós: umas elogiosas, outras que no mínimo dão que pensar. Mas lembrem-se: da basófia masculina, há que acreditar em metade para não nos descabelarmos...


1- Montesquieu: "Não se fala o suficiente nas mulheres virtuosas, mas fala-se demasiado nas que não o são".

O nobre filósofo mal sonhava que em pleno sec. XXI, isto seria verdade como nunca. Já por aqui se criticou a velha falácia "as meninas boas vão para o céu, as más para toda a parte" que tão desagradáveis resultados dá...



2 - Lord Byron: "Vi a fúria das mulheres e a das ondas e lamento mais os maridos que os marinheiros".

O autor de D.Juan teve dois casamentos profundamente infelizes, inúmeros affairs e viveu pelo menos um grande amor (com uma mulher casada) que durou até à morte - o que nos permite supor que terá testemunhado a ira justa de mais de uma mulher. É claro que as há rezingonas, tagarelas, destemperadas e inseguras, de fazer perder a paciência a um santo, que peguilham por tudo, não sabem quando refrear a língua e dão má fama a todas as outras. Mas no caso de Byron (bonito e genial, mas instável) só uma santa para viver com ele. Ou um tapete.


3- Do Talmud: "Dez medidas de palavras desceram ao mundo: as mulheres ficaram com nove e os homens com uma".

Algumas vozes da ciência sustentam que os homens são mais visuais e focados numa só tarefa de cada vez, enquanto as mulheres são mais verbais e capazes de se concentrar em várias coisas em simultâneo. Acredito que isto seja até certo ponto verdade, embora não haja duas pessoas iguais. No entanto, permitam-me discordar da máxima rabínica: há homens mais dados à cordilhice e mexeriquice do que várias mulheres juntas, especialmente quando são ciumentos e querem marcar território. Aí perdem toda a discrição e racionalidade masculina, perdem a cabeça e tornam-se do mais indiscreto que há, mandando às urtigas a regra "a gentleman won´t tell". Se for preciso, exageram e inventam só para pôr um rival a andar. E não falemos das gabarolices de alguns uns com os outros  sobre as raparigas com quem não se importam (ou que os deixaram de coração partido; também acontece).  Acham que era à toa que as avozinhas avisavam "portem-se bem, que é muito fácil uma rapariga ganhar má fama"? De certeza que não eram os passarinhos a espalhar boatos...


4 - Cervantes: "Deus criou o Homem e a Mulher a seguir. Primeiro fazem-se as torres, depois os cataventos". 

Não vamos aqui dissertar sobre a nobre utilidade dos cataventos, nem sobre a obsessão do autor de D. Quixote com moinhos de vento, cataventos e tudo o que era empurrado pelo dito. Then again, é inegável que há muitas mulheres catavento, ou cabeça de vento, que dão às restantes a reputação de desmioladas. Mas creia-se ou não nas máximas "o homem é a cabeça, a mulher é o coração" ou "os homens governam o mundo, mas as mulheres governam o coração dos homens" (há quem ache isto romântico, há quem fique furiosa só de pensar em tais ideias) a verdade é que Cervantes parecia detestar mulheres levianas, mas valorizava as sensatas e virtuosas. Ou seja, não media todas pela mesma bitola. Reconhecia a raridade de uma mulher serena e discreta, pois disse "nenhuma jóia sobre a terra se pode comparar à mulher de honra e virtude".



5 - Nietzsche: "A influência de uma mulher diminui na medida em que aumentam os seus direitos e pretensões".

Não querendo pôr os meus sapatinhos em seara alheia, tenho para mim que Nietzsche deu ao mundo algumas ideias geniais ("o abismo atrai o abismo") mas outras francamente assustadoras e que se toda a gente lhe desse ouvidos, que seria. Acabou louco, por isso há que tomar o que diz com o devido grão de sal. Esta frase é daquelas que dá realmente que pensar. É verdade que muitos pontos fortes tradicionalmente atribuídos ao feminino - a astúcia, a subtileza, a  delicada capacidade de mover os acontecimentos nos bastidores - terão sido aguçados pelo papel não oficial que desempenhavam na vida pública. Não possuindo, em determinadas épocas, poder de facto (embora tal não as impedisse de levar a água ao seu moinho ou de serem levadas a sério quando era caso disso) valiam-se do poder psicológico, faziam da fragilidade força, usando a ideia Bíblica "Deus pôs no mundo as coisas delicadas para vencer as fortes". E para o bem e para o mal, essa é uma forma de poder que fica esquecida, ou que deixa de ter tanto efeito, num cenário de absoluta igualdade entre os sexos. 
 No entanto, há outro aspecto: quanto mais barulhenta e reivindicativa uma mulher é, menos probabilidades há de ser levada a sério, até pelas outras mulheres, ainda que defenda pontos de vista justos. O comportamento senhoril e sereno é bem vindo em toda a parte. Por isso, nesta Nietzsche tem uma certa razão, faltou-lhe foi diplomacia...









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