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Sunday, July 19, 2015

Rosie the Riveter: símbolo feminista...mas pouco.


O poster "We can do it!", criado em 1943 para elevar a moral dos trabalhadores durante a II Guerra Mundial, pouco foi visto durante essa altura... 
mas tornou-se famosíssimo ao ser redescoberto na década de 80 e desde então, tem sido usado para promover o feminismo e outras agendas políticas.

 A estampa de propaganda de guerra foi inspirada na imagem de uma bonita operária de 17 anos, Geraldine Doyle, captada por um fotógrafo da United Press durante o seu turno. Geraldine, que acabara o liceu, tinha-se juntado ao esforço de guerra comovida por perder vários amigos da sua idade; era nova na fábrica e estava encantadora com o seu macacão de trabalho e uma bandana encarnada no cabelo...

 O artista J. Howard Miller viu o retrato, inspirou-se, lá inventou aquela pose de braço erguido e criou então a célebre personagem Rosie the Riveter. Mas o mais engraçado é que Geraldine não sonhava nada disso, nem o soube por décadas: era uma violoncelista dedicada e quando ouviu que a trabalhadora que viera substituir tinha lesionado gravemente um braço ao operar a maquinaria de prensar metal, despediu-se sem pensar duas vezes. Pela altura em que o cartaz saiu, um ano depois, estava bem casada com um dentista e transformada na mais típica dona de casa americana... 

Ou seja, a modelo que se tornou um símbolo das mulheres reivindicativas, independentes e modernas (com tudo o que isso tem de mau e de bom) era do mais tradicional que podia haver. Ficou muito surpreendida quando lhe disseram, 40 anos depois, que tinha sido a inspiração para a famosa Rosie!

 Claro que não se fala muito da história verdadeira, para não dar cabo do mito de Rosie, o mulherão de faca na liga.

  E que nos diz isto? Talvez mostre como é redutor etiquetar as mulheres ou as suas opções com base em qualquer agenda ou ideologia. As mulheres fazem o que têm a fazer quando é preciso fazê-lo e mais nada; podem ser fortes num dia e delicadas no outro que isso não tira nem põe. Geraldine estava a desempenhar o trabalho que lhe pareceu conveniente numa determinada altura da sua vida e num momento muito delicado da História. Tornou-se um símbolo casualmente, por ser bonita. Depois viu que nada aquilo era para ela e quis levar uma existência mais recatada, a criar os filhos, fazer bolos e tocar violoncelo.

 O que não faz dela menos poderosa - qualquer esposa e mãe saberá que essa é uma tarefa tão exigente como montar mísseis.

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