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Friday, July 24, 2015

Se parassem de efeminar os homens, isso é que era de valor.


Por estes dias li, a propósito de uma das notícias abaixo, um comentário de um leitor que, tendo o seu quê de teoria da conspiração e  (esperemos, senão estamos bem arranjados) pouca base científica, não deixava de fazer sentido:

"Isto só pode ser da poluição, que anda a baixar os níveis de testosterona!" .

Repito, antes não seja porque se for apenas uma questão cultural está na mão de cada um resolvê-la...

Porém, aquilo que se absorve todos os dias, sem pensar, pelos meios de comunicação acaba por ser quase tão nocivo como aquilo que se respira sem dar conta. É um exemplo aqui, uma ideia subtil ali, um disparate noticiado como sendo muito louvável e dali a nada, acha-se normalíssimo fazer do preto o branco, do bem o mal, do dia a noite.

Perante as agressões da Rússia à Ucrânia e a ameaça que isso representa para a Lituânia, o país quis agir no sentido de proteger-se, reimplementando o serviço militar obrigatório. Mais de 37 mil homens foram chamados: 2 terços eram voluntários, os restantes foram sorteados (como aconteceu em várias épocas e cenários) e forçados a apresentar-se. O projecto foi ironicamente chamado "lotaria" e se é um sistema algo injusto, não é pelo menos novidade...



Muitos jovens ficaram contrariados com isto (como sucedeu desde a noite da civilização a tantos rapazes sem vocação para soldados, ou que desconheciam a sua vocação até experimentar). Uns com razões válidas (são casados ou terão de abandonar um negócio enquanto cumprem o serviço militar) outros nem por isso. Até aqui, nada de anormal, principalmente numa época em que as pessoas esqueceram que ter uma pátria e os seus benefícios às vezes vem com deveres. Também ninguém fica muito contente de ir à escola, a maioria esperneia no primeiro ano mas depois, que remédio. "Ir à tropa" é que já se tornou menos habitual porque graças a Deus a paz deixou de estar constantemente ameaçada, mas nunca se pode dar isso por garantido...

 A polémica estalou quando duas mulheres, uma fotógrafa e uma celebridade de televisão, decidiram protestar nas redes sociais com um projecto a puxar *literalmente* à lágrima chamado "Eles ganharam a lotaria" que mostra os rapagões (de piercings, tatuagens- que costumavam ser coisa de soldado - e barba rija) a fazer beicinho e a chorar, com o objectivo de (já cá faltava) "demonstrar quão perigosa pode ser a expectativa associada ao género". 



Sabem, na mesma linha de pensamento que anda a tentar abolir as casas de banho separadas para homens e mulheres ou mesmo a designação masculina e feminina (vide Suécia).  Para certas agendas políticas, os mais simples e inatos comportamentos típicos de homem e mulher (eg: brincar com carrinhos ou preferir cor de rosa) são um grande mal para a Humanidade e fomentam a desigualdade entre os sexos. 

Claro que não lhes deu para protestar contra a desigualdade de as mulheres não serem mobilizadas para as forças armadas (como fazem em Israel e noutros sítios). Nessa igualdade já não dá jeito falar, claro...

Continuemos. Dizem elas, com a lamuria do costume: "é esperado de um homem que seja racional, não emocional e agressivo. É muito importante que nós, como sociedade, ensinemos os homens a expressar as suas emoções e não a forçá-los a cumprir o papel estereotipado que lhes é incutido."

Ou seja, cá temos o velho problema: querem criar rapazinhos fracos, cobardolas, mimados, sem iniciativa, incapazes de um acto varonil ou de verdadeiro cavalheirismo, autênticos homens beta muito liberais, muito fofinhos, uns ratinhos. E depois, quando os "feministos" de serviço se tornam piores do que os machistas, lamentam "já não há homens!" e vão apaixonar-se por maus rapazes, porque os que são umas pestes sempre parecem mais masculinos. Ou ler as 50 Sombras ou outra porcaria assim, porque sonham com um homem assertivo que para variar, faça alguma coisa. 





O governo não gostou, as autoras foram chamadas "traidoras à pátria" na televisão nacional e a opinião pública chamou aos rapazes envolvidos "pouco másculos e cobardes"; por cá, foi interessante ver os comentários à notícia nas redes sociais.

Mind you, coragem não é ausência de medo; medo de ir à guerra não é cobardia. Chorar quando é preciso não é pouco masculino. Mas fazer birra em público, choramingar em público e fugir às responsabilidades, sim.

A vida militar ainda é um dos últimos redutos onde se cultiva um comportamento másculo, além de se aprender honra, método e disciplina. Em princípio, ninguém gosta da guerra, mas um país precisa de defesa e caso um conflito bata à porta, não é atirando com tofu ao inimigo ou convidando-o a fazer uma tatuagem enquanto se bebem sumos detox que o problema se resolve (antes fosse!).

 É preciso combater a ideia de que um homem, para respeitar e ajudar as mulheres, tem de se tornar numa delas ou ser como elas. Não é preciso ser uma florzinha delicada para ter integridade, muito menos hombridade; assim como é disparatado achar que uma mulher, para provar que é capaz de se bastar a si mesma e de assumir responsabilidades, tem de ser agressiva e masculina.  

Acima de tudo - e vamos falar agora de romance - isso é totalmente anti sexy. Um verdadeiro turn off, por muito que se pregue por aí o contrário. Uma mulher quer alguém que, quanto mais não seja simbolicamente, possa protegê-la e impor uma sensação de segurança. Não um menino sensível e cheio de fanicos, como já se discutiu por aqui ad nauseam

E por falar em nauseam... este rapazinho nos EUA tornou-se um herói do Instagram ao apelar ( digo eu, cheio de segundas intenções) a um verdadeiro disparate: incentivar os rapazes a trazer consigo produtos de higiene feminina, não vá alguma condiscípula ser surpreendida "naqueles dias" e não ter consigo um OB ou um Evax. Pretende com isso combater o "tabu" e o preconceito em relação ao ciclo feminino. Vejam o anjinho; desmaiem de emoção, que chegou o cavaleiro andante. 

Para começar, o "cavalheiro" tem cá uns modos que fechá-lo na caserna seis meses, a ver se aprendia, ainda era pouco. Mas adiante: em teoria, a ideia não é má; se é tão bom samaritano e aluno interventivo, se as suas amigas da escola são distraídas ou pouco solidárias e não costumam trazer consigo o que lhes faz falta, não havia problema em criar um projecto para obrigar a escola a ter umas máquinas de vending nas casas de banho, ou a manter esses produtos acessíveis em caso de emergência. Também se combatia o "tabu" e ensinava-se os miúdos a não fazer troça de uma coisa perfeitamente natural, mas íntima.




Agora, ir para o Instragram declarar que se tornou o Amadis de Gaula dos Modess...isso é simultaneamente desagradável, invasivo (que rapariga quer pedir isso a um rapaz?) attention whoring (que a mão direita não saiba o tampax que a esquerda deu!) sinistro, efeminado e patético.

Ou seja, quanto querem apostar que o rapaz levou demasiado a sério isso do #heforshe e achou que, sendo muito compreensivo e sensível (e sobretudo, famoso) teria mais sorte com as raparigas? É o velho caso do falso amigo que só se quer aproveitar, mas em grande escala. 

Pior ainda, falta-lhe a compreensão do essencial e se calhar andou a expor-se para nada: as raparigas até podem achar graça a rapazes assim, ultra sensíveis, que fazem de ombro...mas para amigos. Não precisam de outra rapariga; já têm amigas que chegue para discutir essas coisas.

 A maioria mais facilmente acha graça ao fanfarrão que leva Modesses para a escola, mas para os atirar pela sala de aula fora ou colar na mochila uns dos outros (uns rapazes da minha turma uma vez andaram nisso um dia inteiro) do que ao choné que está muito em contacto com o seu lado feminino e para ali anda transformado em despenseiro. É claro que um homem a sério acudirá em qualquer emergência, até vai a correr comprar o que for preciso, mas não pensa 24 horas por dia nessas coisas.

Tem assuntos de homem para se ocupar. 

Agora reparem: com tantos exemplos destes, não é caso para ter medo? Eu tremo de ver isto, e só espero que não seja mesmo da poluição...




  




1 comment:

C. N. Gil said...

Tens toda a razão...

Mas, vou dar-te um exemplo terra a terra, daqui, do burgo!
Eu sou um gajo de 44. Sou um bocadinho para o grande, fruto de coisas como andar a distribuir garrafas de gas durante 4 anos quando saí da escola, ou de andar a trabalhar na linha de montagem da autoeuropa...
Tenho 1,80 de altura, o que faz de mim mais alto que a média, mas não tão alto assim!
Não consigo encontrar roupa de jeito numa Zara, numa HM...
...na HM nem numero para mim há!

Na Zara há, mas eu não vestiria a maior parte das coisas que lá estão nem que tivesse um patrocínio deles! Eu olho para aquilo e acho que a maior parte da roupa será para outro tipo de gajos...
...com menos testosterona que eu!

Quando apanho roupa do meu número (e aliás, embora tenha uma estrutura forte não sou propriamente gordo com 1,80 e 85kg) não tem ponta de piadinha! É aquilo que se veste por vestir! Dai a minha opção de ter duas ou três calcças de ganga pretas, um monte de t-shirts ou swet-shirts lisas e tá composto o guarda roupa! Cada vez que acho piada a algo não fazem no meu numero!

O que me leva muitas vezes a perguntar-me porque é que que já não se vende roupa para homens?
Aliás, já o perguntei na Zara a um moço, desses que gostam daquelas peças...
...e que têm deficit de testosterona!

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