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Thursday, July 2, 2015

Será este um blog simpático para as mulheres?


Ponho esta questão hoje não porque alguém mo tenha dito - mas porque a semana passada estive a analisar algumas discussões tidas em (e sobre) outros blogs e plataformas. 

E são sempre as mesmas: certas mulheres nunca estão satisfeitas. O mínimo uso da liberdade de expressão, a mais remota e inócua brincadeira que sugira que uma mulher "lave a louça" é logo um princípio de machismo, o mesmo princípio que leva a que as mulheres sejam lapidadas em paragens menos (olha o politicamente incorrecto a saltar-me dos dedos) civilizadas. Depois, qualquer patetice é louvada, por frívola que seja, desde que tenha um ar panfletário e ponha umas brejeirices e más criações lá no meio.

 Mas se o mesmo site publica um texto sobre moda ou qualquer outro assunto "de mulherio" aí gritam que perdeu a seriedade, que se transformou numa revista feminina igual às outras. E acabam sempre à batatada à volta do mesmo: eu é que sou radical e feminista, tu és menos feminista do que eu, umas feministas cor de rosa outras feministas da velha guarda que dizem que não era isto que se pretendia no tempo delas,  fora as outras que vêm dizer que feminismo não é nada disso, é só defender os direitos das mulheres (nesse caso "machismo" será defender os direitos dos homens?). E não se tiram disto.

Passo. A essas senhoras todas, digo mais uma vez duas palavrinhas: Margaret Thatcher. Que estava demasiado ocupada no poder para debater patetices sobre o poder, e nunca precisou de se descabelar no parlamento para provar nada. Nem tinha medo de lavar a louça. Ou de usar bâton e saias. 

É que quem não deve não teme. E nenhuma mulher de sucesso, satisfeita com a sua vidinha (seja ela modelo, cientista, autora, dona de casa, esposa, mãe ou uma combinação de várias) tem tempo para se ofender com tolices, ou medo de lavar um par de meias.

Mas fiquei cá a pensar comigo "Céus - as leitoras e autoras destas páginas, que ficam furiosas com qualquer coisinha que lhes cheire a sexismo devem detestar o que faço, caso passem por cá". Não que eu deseje debater com essas senhoras - nem elas comigo, espero, porque creio que não sairia grande luz dali: cada uma ficaria na sua em modo je suis Charlie, com sorte. Os debates cansam-me. Mas pronto, constato que sou realmente extraterrestre. Não a única por aí, mas bastante extraterrestre para o modelo vigente.

O Imperatrix é lido maioritariamente por quem se identifica ou acha graça a estes princípios (até porque quem que nunca deixou de acreditar em certos valores começa a  perder o receio de soar "antiquado" ou exótico ao afirmá-lo) e por pessoas que não concordando, respeitam. Tenho também o cuidado de não ferir ou melindrar, pelo menos deliberadamente. Interrogo-me, ponho em causa, comparo modelos de comportamento, questiono se as mulheres do meu tempo estarão  a equilibrar saudavelmente as liberdades que conquistaram com aquilo que convém à sua felicidade - e à felicidade das gerações futuras. 

Já me têm perguntado se não receio a controvérsia. Não penso nisso, pois a mesmice faz-me mais confusão... tão pouco tenho pretensões a outra coisa que não seja reflectir cá comigo e convosco, como numa roda de amigos.

É que reparem, estas publicações abertamente "para mulheres, mas que não são a publicação feminina normal" em vez de enaltecerem com naturalidade os feitos de mulheres - na ciência, na política, na diplomacia, na literatura - e de alertarem para os problemas realmente graves, com seriedade e compostura, dedicam-se a debater miudezas. Se uma mulher deve maquilhar-se, ou se é errado fazê-lo porque " isso é uma forma de procurar a validação masculina". Se são justos os padrões de beleza. Se uma mulher tem direito a andar por aí por depilar, toda descabelada, com trapos que a fazem parecer uma bruxa...e ainda assim ser considerada linda. E eu pergunto...isto interessa a alguém?

Isto é tão redutor como pensar apenas em modas e arranjos domésticos.

 A postura de Hillary Clinton, esperando que votem nela "para ser a primeira mulher Presidente" (um boneco a mais, portanto) é mais um exemplo desta confusão. Andam desde 1900, pelo menos, a "lutar" (detesto a palavra, mas seja) para serem vistas como iguais na vida pública. E em vez de quererem conquistar votos pela simples competência, por serem eventualmente o melhor candidato...aí já lhes dá jeito a diferença. Aí já vemos o jeitinho feminino a aflorar: "votem em mim- primeiro as senhoras". Não digo que está certo ou está errado, mas note-se a hipocrisia.



 Perante tal cenário, é  preciso estar consciente de que qualquer perspectiva mais "tradicional" (ou realista, se quiserem) do comportamento, papel ou poder feminino será bastante alienígena no mar da blogosfera e de outras plataformas virtuais "para mulheres". 

Atenção, não me estou a queixar - até ver ninguém foi antipático comigo, antes pelo contrário, embora suspeite que algumas ideias aqui expostas não me vão trazer grandes louvores. 

Seria muito mais fácil conformar-me com o guião que se tornou obrigatório apesar do discurso enfadonho e constante sobre a *suposta liberdade* feminina: ou seja, dizer "dispam-se em público, digam palavrões, percam toda a compostura sempre que tentam expor um ponto de vista, sejam promiscuas, porque isso é que é ser mulher no sec. XXI e juro que a vida vos vai correr lindamente". Quem promete tal, fá-lo na perspectiva das audiências. Afinal, é muito mais simples dizer o que as mulheres "modernas", como maioria estereotipada, querem ouvir - por muito pouco que isso ajude alguém, por muito patetas que esses conteúdos sejam.

Mas tenho para mim que há por aí muita publicação em crise precisamente porque muitas leitoras estão cansadas do mesmo disco riscado...

 Em 1945, Pio XII (um Papa, que tal esta? Perdida por um, perdida por mil) dizia às mulheres que tinha chegado a hora delas. "A vida pública precisa de vós". E longe de recear o alargamento da vida feminina,  chamava a esta mudança na sociedade "uma disposição da Divina Providência" ou seja, que se estava a acontecer, por algum motivo era. Mas também, com grande sensatez, alertava que era difícil conservar o espírito de independência nos limites razoáveis.

 Ao ver mulheres formadas a defender disparates irrelevantes como se fossem coisas muito sérias, penso se não se ultrapassou há muito esse limite...

 Quando as mulheres deitam a perder os seus pontos fortes - o bom senso, a elegância, a sensibilidade, a beleza, a perspectiva maternal do mundo, o mistério, a delicadeza, a força discreta,  a subtileza - para dizerem tolices e tomarem as dores de causas disparatadas, quando berram ao quatro ventos "alto lá que sou mulher, mas só quando me dá jeito" acho muito difícil que nos levem a sério. Mas isso sou eu que acho, no uso daquela "liberdade feminina" que existe para cada uma fazer dela o que entender.
 










6 comments:

Géraldine said...

Gosto muito deste "salão virtual" !!!

C. N. Gil said...

Para mulheres sim,...

...para miúdas, independentemente da idade das mesmas, duvido...

Quando andou por aí a história das leis da paridade na Assembleia da republica fiquei chocado!

Em primeiro lugar, o facto de um lugar de deputada ou outro cargo qualquer, público ou privado, ser ocupado por alguém por causa do seu género e não pela sua competência causa-me quezílias.

Em segundo, como se sentirá uma mulher, por mais competente que seja, se estiver a ocupar um cargo sem saber se é por sua competência e conhecimento ou simplesmente porque é mulher?

O extremo facilitismo de certas coisas, que se podem comparar directamente ao que está acima, acaba por desvirtuar.
Dou um exemplo comparável:
-Qualquer gajo(a) pode editar um livro, mesmo sem escrever uma única linha! Até pode apresentar uma resma de folhas em branco que é editado na mesma, desde que pague! O resultado disto está em milhares de livros que são feitos para nada! Florestas arrasadas para coisa nenhuma, e um descrédito quer das editoras, que se limitam a cobrar para mandar fazer os livros numa grafica e tirar o seu lucro (que será alargado se, por sorte, o livro vender), quer de todos os autores em geral!
Antigamente era muito difícil editar, mas o que era editado passava por um filtro e foi assim que chegamos às obras primas. Fora algumas, poucas, excepções, os livros eram editados por mérito na escrita. Os leitores podiam gostar ou não, mas a qualidade estava lá...
...hoje em dia já nada disso importa!

Concordo em absoluto com e "meme" da foto da Trinity: Spot on!

:)

maria madeira said...

Sissi,

Acredito que este blog é capaz de provocar comichão a algumas mulheres. Uma comichão pouco simpática, digamos assim. Para mim, não. É um dos meus preferidos no que a moda diz respeito. Porque toca nos assuntos de uma forma nada superficial. Aprofunda. Por vezes posso não concordar com algumas coisas, mas, no geral, identifico-me. Gosto. Não é à toa que o tenho na lateral do meu espaço.

Pena é que não exista mais gente a dar opiniões...

Imperatriz Sissi said...

@Geraldine, obrigada :)

@CN, quotas são um insulto. Um coitadismo.

@Maria, muito obrigada. Quanto aos comentários, espero que a caixa de facebook ajude, mas tive-a em baixo imenso tempo! Agora já resolvi. Confesso que a caixa do blogger é tão chata que é preciso estar com tempo e paciência. Eu própria comentaria mais outros blogs se tivessem essa engenhoca..

Carla Isabel said...

Olá.

Leio-a sempre que posso. Gosto muito. Identifico-me muito com o que escreve.
Obrigada

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Carla:) Um beijinho

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