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Wednesday, July 29, 2015

Sissi entrevista #1: Anton Moonen, o árbitro das elegâncias.


Hoje inaugura-se aqui no salão uma rubrica que tinha vontade de criar há bastante tempo. Afinal, ser abençoada com amigos elegantes e originais num mundo que anda como anda é uma alegria grande demais para não ser partilhada. E assim, senhoras e senhores, a partir de agora teremos periodicamente alguns very special guests para nos falarem de aspectos como elegância, cultura, arte, sociedade, beleza e bom senso.

 Para começar, convidei - o prometido é devido - Anton Moonen (célebre jornalista, trend watcher, ensaísta e autor de diversas obras sobre os bons e maus snobismos ), digno herdeiro da tradição de Oscar Wilde, Baudelaire ou Eça de Queiroz: viver com elegância, ter horror à vulgaridade, usar de um refinado sentido de humor e dizer que se pensa mandando às malvas o politicamente correcto. 

E claro, perguntei, porque a dúvida me queimava os dedos, o que pensa o arbiter elegantiae acerca das infames ceroulas do demoTinha de ser.



S: Na sua opinião, qual é a forma elegante [ou snobemente aprovada] de comportamento feminino? Como deve uma rapariga conduzir-se em termos de relacionamento ou dinâmica homem-mulher?

A.M: O meu conselho: seja uma Senhora em todas as circunstâncias. Não se incomode com a opinião pública. Diz-se que as mulheres são mais sensíveis ao "apelo snob" do que os homens. Os homens procuram uma donzela sexy, com faces rosadas e um corpo bonito. Pensam em sexo e na saúde da sua descendência. As mulheres podem 
apaixonar-se por homens mais velhos, especialmente se tiverem uma posição, um título, fortuna ou um uniforme. Creio que as mulheres vêem mais além (talvez instintivamente) o que as torna, portanto, mais inteligentes.
  
S: Como aconselharia uma rapariga a ultrapassar um desgosto ou ruptura amorosa, à maneira snob?


A.M: Uma overdose de caviar e uma grande ressaca de Krug Millésime.

S: Num primeiro encontro: que sinais de alarme gritam "este homem não é um cavalheiro; fuja!"?


A.M: Os cavalheiros estão a tornar-se extremamente raros. A vulgaridade e os maus hábitos são universais! Mas como disse, acredito na superioridade da intuição feminina. O tédio seria uma excelente razão para fugir...



Uma das *imperdíveis* obras de Anton Moonen,
 em tradução portuguesa

S: E numa mulher? Que características considera inaceitáveis e deselegantes?
A.M: Apatia, ennui, ser enfadonha, tornam uma mulher intolerável. Uma Senhora deveria surpreender-me; devia ser notada imediatamente numa sala entre duzentas mulheres. Supostamente isto é fácil num mundo onde reina o mau gosto, a ostentação e a banalidade, mas aparentemente não...

S: Quais são os básicos intemporais de guarda roupa para uma mulher elegante?
A.M: Um par de galochas para o campo. E também roupa quente - mesmo tricotada em casa- porque a maioria das casas senhoriais são muito mal aquecidas.


S: Um exemplo de elegância e bom snobismo feminino?


A.M: Karen von Blixen [autora de África Minha].

 S: O que pensa das tendências da "beleza real" e "“ugly is the new pretty”, que invadiram a imprensa ultimamente?


A.M: Não inventaram nada de novo. Os kitsch-snobs existem desde os anos 1960. E em relação à "beleza real", vamos ser francos; quem acredita em "beleza real"? Eu próprio tenho alguns amigos que são "snobs new age" mas nunca passaria mais de um breve fim-de-semana com eles. A sua ingenuidade deixa-me demasiado nervoso. A vaidade governa o mundo há eras: porque é que isso havia de mudar subitamente? A "beleza real" simplesmente não é credível para mim. Acho que é o "real" que me maça mais...

S: Por mera curiosidade, qual é a sua opinião sobre as leggings? Essas coisas estão a dominar o mundo. Alguma teoria?

Não oferecem nenhum apelo snob, de todo. Deviam ser proibidas e queimadas. Providencialmente, haviam de arder com facilidade por causa dos tecidos de que são feitas. Consegue imaginar Isabel II de leggings? Claro que não. Então porque haveria alguém de querer usá-las? Deviam ser permitidas apenas como roupa de desporto ou streetwear mas só em certas ruas e certos desportos, para que pessoas delicadas como eu as pudessem evitar. São tão anos 80, uma década que é conhecida pelas suas explosões de mau gosto humano. Demonstram ou a ignorância, ou a memória breve da Humanidade. A ignorância é o pior, não é?

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