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Sunday, July 26, 2015

Ven. Fulton Sheen dixit: o mal da auto-adoração


«A autodeificação é o mais triste de todos os erros. Aquele que se adora a si mesmo não tardará que não exclame " Bem quereria eu escapar de mim próprio!"».

Ven. Fulton Sheen

                      
É certo e sabido que quem não tem apreço por si mesmo não está em condições de amar outra pessoa. O amor próprio é preciso para que se cumpra o mandamento "ama o próximo como a ti mesmo". Incentiva cada um a crescer como indivíduo (e só quem tem vida própria, pode incluir outrem nela) a tornar-se melhor por influência da pessoa que ama, a cuidar de si para agradar ao espelho, mas também à cara metade. 

É ele que garante uma relação equilibrada com os outros: quem não se tem em grande conta perde a dignidade, torna-se uma esponja de afecto em vez de se doar, compara-se constantemente com os demais, permite eventuais abusos de poder e por mais beleza que possua, perde o poder de atracção. Ninguém gosta de inseguranças, nem de "pessoas tapete".

 No entanto, o amor próprio mal guiado pode cegar, como todas as obsessões. É danoso para quem ama o narcisista, mas mais ainda para o próprio. Recordemos o mito: a ninfa Eco amava Narciso, um rapaz belíssimo que era incapaz de sentir empatia fosse com quem fosse. Era um pateta que não se ralava com ninguém, mas a pobre ninfa foi pelos lindos olhos e apaixonou-se mesmo por ele. Certo dia os deuses, exasperados por vê-lo cada vez mais insensível e teimoso, rogaram-lhe uma praga: "que quem não se preocupa com os outros se apaixone por si próprio". 



O infeliz Narciso ficou possuído por uma paixão devoradora pelo seu reflexo e ficava dias inteiros deitado a olhar para ele, sem comer nem beber, incapaz de tocar a imagem amada...até que se afogou. Foi mau para a Eco, que ficou sem namorado, mas pior para o Narciso.

 Na cultura popular, o mito de Narciso reduziu-se um bocadinho, estando actualmente associado a alguém muito vaidoso. Mas para aproveitar a lição, é necessário compreendê-lo num sentido mais amplo e subtil: não é preciso ser superficial ou cheio de si para se auto adorar a ponto de complicar o relacionamento com os outros. Basta estar voltado apenas para si mesmo, querer tudo à sua maneira, pretender jogar um jogo de dois com as regras de um só. 

Amar implica sacrifício e doação...sair de si mesmo, deixar o espelho,  pôr-se no lugar do outro e devolver os esforços. Muitas vezes, nas pequenas coisas. Quem não sabe jogar em equipa, é melhor que brinque sozinho. Quem ama, tem de fazer um raciocínio simples, mas que às vezes escapa: "eu sempre procedi assim; estou bem assim;  não vejo mal nisto, mas se gosto de alguém tenho de considerar o que é importante para essa pessoa; aquilo que a magoa e aquilo que a faz feliz". Quem não for capaz disto, arrisca não ser compreendido, por melhores intenções que tenha. Comete sempre os mesmos erros. Fere sem querer e acaba por ser ferido de volta. Por soberba, deixa que a felicidade lhe escape e sofre constantemente, porque vê em tudo afrontas ao seu orgulho. O amor tem a vantagem de nos dar férias de nós mesmos. De nos entregar a outra pessoa, de nos tirar da frente do lago. Desejar isto mas não se levantar do sítio, vendo apenas o próprio reflexo, é uma maldição que priva quem se ama muito, quem se vê como uma divindade, da maior alegria para uma divindade: ser adorado.












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