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Wednesday, August 12, 2015

A bela Clara de Assis




A 11 de Agosto homenageia-se Santa Clara, fundadora da Ordem das "Damas Pobres" (Clarissas).

Embora os Santos, desde os primeiros tempos, tenham surgido de todos os cantos da sociedade e com todos os perfis imaginários (de antigos criminosos como S. Dimas a reis, como S. Luís de França) por vezes é fácil esquecer como foram pessoas muito próximas de nós. 

Com qualidades e defeitos, virtudes e fraquezas, alegrias e frustrações, que enfrentaram grandes obstáculos e que comiam, dormiam, riam e choravam como toda a gente. E às vezes, tomavam decisões radicais e não muito bem aceites...

  Clara de Assis - nascida Chiara d'Offreducci em 1193- é um exemplo de mulher forte, e uma bela referência para as jovens. Como tantas raparigas hoje em dia foi rebelde, desafiou os pais e chegou a fugir de casa, mas para seguir um ideal mais elevado.



Nobre, rica, bondosa e de uma beleza deslumbrante, o conde seu pai e a mãe, Ortolana (senhora profundamente religiosa, que descobrira estar grávida de Clara ao regressar de uma peregrinação à Terra Santa) destinavam-na a fazer um lindo casamento. Porém, Clara, provavelmente através do seu primo Rufino, travou conhecimento com S. Francisco de Assis - com quem viria a partilhar um eterno amor espiritual - e decidiu segui-lo na sua pobreza evangélica, dedicando-se a uma vida austera e de castidade, votada a servir os mais necessitados. 

 A família, claro está, escandalizou-se com o que lhe pareceu  uma excentricidade - tal como a família de S. Francisco se tinha revoltado, anos antes. A ideia de um grupo de jovens privilegiados, com um futuro brilhante pela frente, deixar uma existência de conforto para trás para viver em alegre comunidade junto dos mais carenciados, era perfeitamente nova e estranha (mesmo aos olhos da Igreja, que via poucas probabilidades de uma Ordem perseverar com uma regra tão rigorosa). Seria o mesmo sentimento que causaria hoje uma rapariga criada com todos os mimos escapar de casa para viver com um grupo de hippies errantes. 


Como seria de esperar, os parentes tentaram por tudo impedi-la. A própria mãe, se lhe compreendia a vocação, não percebia porque não professava numa ordem rica, como tantas meninas fidalgas daquele tempo. Protestaram, proibiram as visitas do excêntrico primo Rufino, seguidor de Francisco, o pai ameaçou ajustar contas com o futuro Santo, a quem chamavam "aquele doido", prometeram castigos, fecharam-na em casa...
Debalde: aos 18 anos Clara fugiu com uma amiga, juntando-se a S. Francisco e aos seus irmãos, que a esperavam com tochas acesas. Iam ricamente vestidas, para se despedirem das vaidades mundanas para sempre. A fugitiva foi recebida com grande alegria, houve música e declamação de cantigas trovadorescas em moda naquele tempo e S. Francisco, com as suas próprias mãos, cortou-lhe os longos cabelos louros.  Depois, encaminhou-a na vida religiosa, instalando-a inicialmente em mosteiros beneditinos de modo a que também as mulheres pudessem seguir os ideais franciscanos de pobreza, amor e simplicidade.

 Os pais e tios desconsolados acabaram por dar com a rebelde Clara, mas ao tentarem puxá-la para casa o véu arrancou-se e viram, chocados, que ela tinha rapado a cabeça. Ficaram tristes e zangados, mas perceberam finalmente que a sua decisão estava tomada e de que a bela jovem teria de seguir o seu caminho.

 No entanto, não tardou que muitas jovens de boas famílias a seguissem; a própria irmã, Inês (que viria também a  ser canonizada) e a mãe, depois de viúva, viriam a juntar-se-lhe. 


Clara viveu feliz, embora com pesadas responsabilidades sobre os ombros, até aos 60 anos. Ainda em vida foram-lhe atribuídos imensos milagres. Sempre bondosa e alegre, mesmo quando estava doente - e esteve doente muitos anos- continuou determinada em todos os momentos da sua vida. Esta delicada mulher chegou mesmo a fazer frente a um exército de sarracenos que invadiram Assis: temendo pela segurança das suas irmãs, levantou-se da cama sabe Deus como, tomou o Ostensório com a hóstia consagrada e mostrou-a ao inimigo, que fugiu possuído de um terror inexplicável.

Seria um longo trabalho detalhar a sua influência na história da Igreja e na vida de incontáveis mulheres.

Clara foi poderosa ao prescindir do poder, e demonstrou como uma simples rapariga pode fazer a diferença usando como armas a simplicidade, a gentileza, mas também uma tenacidade de ferro orientada na direcção certa.






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