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Wednesday, August 26, 2015

A grande causa de 90% dos males de amor





(Isto aqui a fazer contas de cabeça, sem dispor de estatísticas nem nada...)

É o gigante contraste entre o que se vê na pessoa de quem se gosta e aquilo que ela na realidade é. 

Dessa dificuldade em determinar tal quociente advêm as penas de quem suporta parceiro (a)s mal comportados, às vezes anos a fio. E isso é complicado de ver - olha o paradoxo - embora se sinta na pele as desconsiderações, as desfeitas e os desgostos provocados pelo(a) "mais que tudo". Se um vizinho, um colega de trabalho ou um estranho na rua causasse tanta tristeza e aborrecimento, seria declarado um inimigo figadal. No mínimo, mereceria desprezo e indiferença. Mas como se "ama" o "inimigo", tudo parece romântico e às vezes quanto maior o drama, mais intenso o romance de cordel se afigura!

E no fundo, parece tão simples: basta olhar para o ser em causa com objectividade, pelos olhos desapaixonados dos outros. Há que colocar a questão "se não me tivesse apaixonado por esta pessoa, será que gostaria dela enquanto ser humano? Tenho ao meu lado uma pessoa respeitosa, de palavra, bondosa, decente, que se preocupa em não magoar os que a rodeiam, que se importa com o que eu sinto como eu me importo com os sentimentos dele (a)?".  É que, por estranho que isto soe, nem sempre se gosta de quem se ama. Ou da pessoa que o ser amado se revelou

 É fácil cair nisto, seja qual for o tipo de relação: nas avassaladoras e repentinas, porque não há tempo para conhecer bem quem está ao lado, antes de os sentimentos e a atracção toldarem o julgamento; idealiza-se e parte-se daí, muitas vezes para descobrir que aquela pessoa bonita é na realidade muito feia por dentro. É a causa do fracasso de muitas uniões precipitadas.

 E nas relações longas e profundas, porque se idealiza o passado, idealiza-se a história que os dois construíram, a empatia e telepatia que partilham: quando um casal, apesar das tempestades, é tão unido e por tanto tempo que já não se sabe onde acaba um e começa o outro, ver a realidade pode ser tão difícil como uma mãe reconhecer os defeitos do filho, ou como apontar as próprias falhas ao espelho, ou admitir que um membro do corpo está doente. Porém, esta necessidade existe. O amor é cego, já se sabe, mas não convém que seja obtuso.


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