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Wednesday, August 5, 2015

A lição feminina de uma felina




Há uma gata negra e lustrosa que me fez pensar nesta frase de Nietzsche analisada por aqui esta semana.

Chamamos-lhe Violeta e não tem dono, é antes uma "convidada regular cá de casa" -  um dos felinos desprotegidos que acarinhamos. Mas às vezes dá-me vontade de a mandar passear, porque é bastante malcriada. Entra em modo veni vidi vici e quando se trata de comida, não respeita ninguém.

Não obstante, tenho observado que a Violeta tem artes de fazer TODOS os gatos (até os nossos) dar-lhe primazia...e olhem que poucas vezes precisa de bufar ou levantar a patita. Eles agem como perfeitos cavalheiros perante ela. Deixam-na passar não por sentido de protecção, mas por interesse: os pequeninos porque não se desafia uma mãe; os adultos porque nunca se sabe, um dia podem querer namorar com ela e ser os autores de alguns gatinhos pretos; e os esterilizados porque enfim, é rapariga e old habits die hard!



É claro que não creio que os gatos tenham este raciocínio tão elaborado. E ainda que o fizessem, não acho que os mais atrevidos esperassem ter sorte, até porque a Violeta é uma gata séria... ao contrário de outra doidivanas malhada que costuma aparecer também. Mas é instintivo. É o poder da feminilidade!

 Os humanos, dizem os entendidos, possuem o mesmo reflexo inconsciente. Uma expectativa não racional, que às vezes nem sequer chega a formar-se na imaginação de ninguém... mas que durante séculos as mulheres usaram a seu favor, mesmo as mais ingénuas. As jovens lembravam ao sexo oposto eventuais promessas ou expectativas de romance; as senhoras mais velhas 
conseguiam-no porque inconscientemente, recordavam a mãe de cada um. Estes paradigmas estão tão enraizados que as pessoas ainda lhes respondem, embora não façam de propósito.

 Todos os instintos são controlados pela racionalidade, e convém que assim seja a bem da moral e da civilização. O que não quer dizer que se relegue para segundo plano aqueles que continuam a ser úteis. 

O mais curioso é que as mulheres nunca foram tão desinibidas como agora; algumas até fazem corar as gatas mais mal comportadas.

Porém, perderam a feminilidade e com isso, perdem um imenso poder:  agem de tal forma de igual para igual, tão "tu cá tu lá", tomam tanto a iniciativa (alguma vez viram uma gata a fazer a corte a um gato? A correr atrás dele? Eu cá não) e de resto, são tão pouco maternais, dão-lhes tão pouco desconto e mostram-se tão fortes, tão "não preciso de ti para nada" que essa expectativa, essa fronteira mental, esse desejo masculino de agradar, desaparece. 

Quando as gatas parecem mais sábias, femininas e discretas do que muitas humanas, mal anda o mundo...




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