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Saturday, August 1, 2015

A nobre arte de... cortar os Nós Górdios (vulgo atrasos de vida)


Contava a lenda que quem desatasse o Nó Górdio - uma embrulhada dificílima de desfazer mesmo por uma data de escuteiros empenhados, que ficava lá para as bandas da Turquia actual - se tornaria senhor de toda a Ásia Menor.

Alexandre, o Grande (um dos meus fraquinhos históricos) não era homem de meias tintas; não gostava de perder tempo nem apreciava puzzles. Ouviu a fábula, foi ao local, olhou para aquilo e em modo não sabendo que era impossível, foi lá e fez, não esteve com meias medidas: com uma espadeirada cortou o nó e problema resolvido. Em segundos desfez um imbróglio que ninguém conseguira deslindar por 500 anos e lenda ou não, o certo é que a profecia se cumpriu. 


 "Cortar o Nó Górdio" tornou-se um sinónimo de pensar outside the box, como agora se diz. Mas sem pretender comparações com Megas Alexandros (ainda que tivesse nascido nessa época e contexto, havia de faltar-me a paciência para andar anos a fio por montes e vales a conquistar terra atrás de terra) penso que me ocorreria a mesmíssima coisa. Para quê perder tempo com voltas e voltinhas quando bastava cortar o raio do nó e passar a outra coisa?  E não serei a única, creio...

Acho mesmo que o mundo se divide entre as pessoas que gostam de complicar a cadeira e as pessoas que preferem descomplicar. As pessoas que adoram alimentar mistérios prolongados e as que acreditam que os enigmas até podem ter a sua graça mas existem para serem resolvidos a seu tempo, de modo a passar rapidamente ao próximo nível.


Entre as que conjecturam sobre o ovo e a galinha e as que decidem o que fazer com os ovos. Entre as que adoram séries como Lost e cubos mágicos e as que se cingem aos factos que são úteis e aos argumentos com pés e cabeça. Entre as que se divertem a analisar o problema e as que se voltam para as soluções, portanto.

 Um e outro tipo existem quer entre os homens, quer entre as mulheres. No entanto  - e voltando ao nó - a julgar por certos estudos, seria de pensar que uma mulher, mais detalhista, talvez estudasse uma forma inteligente de desatar a corda em vez de partir logo para uma solução radical. E que um homem pensasse, como Alexandre, "não estou para lacinhos e cordinhas, que mariquice!"

Alexandre e Roxana, sua mulher

Mas quer-me parecer que há cada vez menos Alexandres Magnos entre a população masculina; que o pensamento racional, despachado e decidido tem vindo a ser substituído por uma mentalidade que é mais de criar nós do que de os desatar...mercê da vida sedentária ou de uma hipotética maleita que para aí anda, não sabemos.

A verdade é que é uma surpresa ver um cavalheiro que pensa como Alexandre! E que por outro lado, quando uma mulher com o seu quê de Alexandra (ou de Roxana, vá) encontra um nó górdio e tenta durante muito tempo resolver o enigma, acaba por ser movida pela razão. E não sei por que graça, não sei por que inspiração, trata de o separar com uma lâmina e pronto.

Morre o nó, acaba-se o mistério. Não se fica senhora da Ásia Menor mas fica-se senhora de si mesma, o que já não é mau...






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