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Monday, August 3, 2015

A paixão acima dos interesses


O bikini de Ursula Andress, que a catapultou para o estrelato em 1962, foi responsável por encorajar muitas mulheres a  finalmente experimentar um (embora o modelo moderno se estreasse em 1946, existissem fatos de banho de duas peças já nos anos 30 e até na Roma Antiga se usassem uns antepassados do dito cujo). Claro que no início dos anos 1960 todos os bikinis eram apropriados e tinham classe; hoje é preciso procurar um bocadinho melhor.

Bikinis à parte, Ursula nunca ficou conhecida por muito mais além da beleza, do seu lindo cabelo, da boa figura e das feições cinzeladas: até fez de Afrodite em Clash of the Titans.

 Mas também primou por ser sincera. Quando lhe perguntaram porque é  em 1965, no auge do êxito e sem necessidade alguma disso, concedeu posar para a Playboy, respondeu: "porque sou linda!" (o que vá lá, sempre é uma motivação melhorzinha para dar nas vistas e ganha um ponto pela honestidade...). 

 Ursula também disse em tempos "em mim sempre tiveram mais força as paixões do que os interesses". E acredito que fosse verdade. Não seria a primeira nem a última mulher bonita a ser destituída de cálculos, a ir onde o coração a levava em vez de fazer da sua beleza arma de arremesso. 


 Sinceramente, pelos casos que tenho visto, as mulheres mais pretendidas não têm tempo para ser fatais, para estratégias nem cálculos: a vida apresenta-lhes espontaneamente tantas opções (nem todas boas; daí haver tantas beldades infelizes) que a dificuldade está em fazer escolhas acertadas. 



Por exemplo, lembro-me de uma jovem professora que tive de quem gostava muito. Não se parecia com Ursula Andress; tinha mais de Cleópatra como a imaginação popular a pinta. Era linda, além de inteligente e gentil. Tinha uma pele perfeita, olhos verdes rasgados e um narizinho que parecia obra de bisturi, sem ser. Eu conversava bastante com ela mas achava-lhe sempre um ar um pouco triste. Um dia comentei o facto com uma rapariga da minha turma, que me contou que aquela mulher linda e elegante, tão simpática, tinha sido abandonada no altar pelo noivo. Além da vergonha, fora um grande desgosto porque gostava mesmo dele...perdi o rasto à professora, mas nunca me esqueci disto. 

 Muitas vezes homens e mulheres têm mais a recear das raparigas sem graça, mas ambiciosas e atrevidas, dos que de muita Ursula Andress por aí - mesmo das que têm a imodéstia ou a ingenuidade de se reconhecer umas Afrodites, como ela.

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