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Monday, August 31, 2015

Agora tentem lá fazer-nos rir com classe.


É certo que por vezes o humor, ou certos estilos de humor- quer no masculino, quer no feminino - pode estar associado a um pouco de brejeirice. Não é a melhor nem a única fórmula, há quem o consiga fazer resultar e quem não consiga, mas mesmo artistas muito talentosos podem ter uma "queda" para dizer disparates que noutras pessoas cairiam mal. Por algum motivo os bobos da corte estavam autorizados a tocar em assuntos e utilizar termos vedados aos restantes...

A nossa Beatriz Costa, por exemplo, embora em palco ou na tela se contivesse pelos costumes do tempo, orgulhava-se de ser uma "língua de trapos" e de dizer das boas e das bonitas entre amigos (que isto do saber estar em todo o lado e adaptar-se às circunstâncias é um talento per se). Até conta num dos seus livros que uma senhora fidalga sua amiga, já idosa, titular e do mais educado que pode haver, a convidava de propósito a sua casa para que ela a fizesse esquecer as tristezas; a actriz, atrapalhada, tentava censurar as piadas, mas a dama perguntava "minha filha, não tem nada mais forte?" e quanto mais picante e abundante o asneiredo, mais divertida ela ficava!  Digo muitas vezes que usar asneiras e ter piada com isso é um dom muito particular e muito raro...uma "arte" difícil!

 E se há homens, mesmo comediantes, que tentam e falham redondamente, pois a linha entre o humor, a fanfarronice masculina e o inconveniente é bastante ténue às vezes, quando se trata de mulheres é preciso ter um cuidado extra. 

Porém, como temos visto, o humor feminino actual - ou as crónicas escritas no feminino - vivem muito do brejeiro. Se uma blogger ou cronista quer dar nas vistas com um texto por vezes mal amanhado, basta pôr uma asneira bem forte no título, e já toda a gente acha "lindo, subversivo, profundo". Se uma "cómica" quer fazer humor, o mais certo é recorrer ao seu historial amoroso, tirar a roupa e/ou fazer piadinhas gratuitas e infantis com funções do organismo. Assim à maria rapaz, como se uma mulher não pudesse contar uma graça com cabeça, tronco e membros.

Se ela própria o diz, eu acredito.

 É o caso de Chelsea Handler (que só conheço de vista por às vezes fazer zapping; sei que tem um programa qualquer de entrevistas nesse mata-neurónios que é o canal E!) para quem ter piada se resume a "descarcar-se" nos social media embora já tenha idade para ter juízo, fazer caretas, ser desagradável e pôr-se com certo ar de desarranjada (do visual e dos nervos), aparecer, enfim, nestes preparos um bocadinho repugnantes. O link é só uma amostra, já que ela parece ter uma verdadeira fixação por atirar a roupa fora em público (cada uma sabe lá da sua vida, mas se isso faz rir já é outra história). Não sei quanto a vós porque as coisas que provocam gargalhadas a cada um são diferentes, mas não me arranca nem um sorriso.

 O  estranho é que são as comediantes que mais se assanham contra os "papéis de género", a objetificação, a opressão e etc. Mas depois mostram-se incapazes de criar um guião com piada sem usar argumentos tão baratos. Queixam-se, queixam-se, mas se ninguém as objectifica sentem-se desprezadas. Há pessoas mesmo cheias de contradições.




2 comments:

abiamasdeixoudehaver said...

A senhora não se atinge, de todo.

C.N. Gil said...

Pois, há por aí muito pessoal incongruente!

:)

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