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Sunday, August 30, 2015

Bárbaros, mas pouco.


Já se sabe que os romanos tinham uma enorme facilidade em chamar bárbaros aos outros e que na Germânia (particularmente na Germania Libera, a Este do Reno) era um pouco como para lá do Marão, onde mandam os que lá estão.

Porém, sabiam ser justos ao descrever o inimigo e Caio [ou Públio] Cornélio Tácito, político romano e considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade, deixou-nos uma descrição detalhada dos germanos que nos fará pensar se esses "bárbaros" não seriam pessoas assaz decentes...(tanto que bastantes dos seus guerreiros foram escolhidos para integrar a guarda do Imperador, a dada altura). Para já, andavam lavadinhos (usavam  água quente todos os dias, nem mais) apesar de não serem fãs de construir casas bonitas nem de roupas elaboradas: mulheres e homens vestiam uns "saios" e uma espécie de tops de pano simples, com bonitas peles no Inverno.

  Tácito conta ainda que as mulheres germanas não se "enchiam de pavor" ao ver as feridas dos guerreiros seus maridos nem se afligiam de "pôr-lhes pensos" e que em batalha, lhes levavam "comida e exortações". Quanto a eles, o seu maior receio era ver as suas mulheres caírem em cativeiro. 


Tinham as companheiras e as respectivas opiniões em grande consideração: "julgam que existe nelas alguma coisa de santidade e de prudência, e nem desprezam os seus conselhos ou têm em menor conta as suas respostas".

 Também não havia cá lugar a imoralidades nem maluqueiras; eram uns bárbaros perfeitamente respeitáveis, com homens muito sóbrios e mulheres de valor: "a tal ponto ali os casamentos são severos, que não se louvará mais noutra parte alguma norma de costumes (...) são quase os únicos dos bárbaros que se contentam cada um com a sua esposa (...) . Nos próprios auspícios das núpcias, adverte-se que a mulher não se julgue livre das virtudes (...) e dos cuidados das guerras, mas que ela se torna companheira nos sofrimentos e nos perigos (...). Assim recebem o único marido, por aquele modo que têm um só corpo e uma só vida; nenhum outro pensamento, nem um desejo maior (...). Os adultérios num povo tão numeroso são raríssimos. Ali prevalecem mais os bons costumes do que noutra parte as boas leis".

Em suma, eram mais civilizados, limpinhos e honestos do que muito boa gente hoje. Há portanto que pensar duas vezes antes de chamar "bárbaro" a qualquer brutamontes com moral de elástico e ar pouco composto...por muito que apeteça!

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