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Friday, August 14, 2015

Nas férias, nas obras e no amor...cuidado com a febre de cabine!


O termo "febre de cabine" designa as reacções claustrofóbicas mais ou menos extremas que ocorrem quando uma pessoa ou grupo se encontra muito tempo num espaço fechado. Mas não se pense que os sintomas - paranóia, stress, embirração mais ou menos extrema com os companheiros - se dão apenas em situações limite, como prisões ou submarinos em pleno cenário de guerra.

A "febre de cabine" é o motivo de alguém muito sábio ter inventado a velha máxima "não podes realmente dizer que conheces uma pessoa até teres viajado com ela". Ou seja, acontece muito nas férias. Quantos casais estão muito bem até fazerem a primeira viagem juntos? Se um relacionamento sobrevive incólume às peripécias de uma viagem (uma road trip longa ainda é um teste melhor) então é realmente sólido. E férias em família, ou pior, em grupo? Quem nunca viu o lado negro, mais implicativo, egoísta, preguiçoso e desorientado da família/amigos durante as férias, que atire a primeira pedra. Principalmente se caírem na asneira de partilhar um espaço não exactamente grande e que não tenha , no mínimo, uma casa de banho, para cada duas pessoas. Caos iminente.

 E quem nunca se zangou com alguém após uns *demasiados* dias  de proximidade?

Creio que a febre de cabine também será a verdadeira responsável pelo ditado "os hóspedes ao terceiro dia aborrecem". Se com pessoas íntimas já é o que é, com gente não tão íntima - e que tem pouco tacto para perceber quando está a abusar da hospitalidade - o enfado e a impaciência crescem a níveis nunca vistos.

 Durante mudanças, ou obras em casa - algo comum durante esta altura do ano-  há sérias possibilidades de um surto de febre de cabine. A presença de estranhos a precisar de orientação ("chegue-me um paninho, por favor! Onde penduro esta estante?") o cansaço, o barulho de berbequins e picaretas, o frio ou o calor (ou um dia lindo lá fora que estava bom era para passear) o transtorno de ver a casa virada do avesso e em última análise, o pó, o cheiro a tinta e a cola, são bons para pôr doido o Buda mais plácido.

  Mas também em certos relacionamentos pode ocorrer a febre de cabine, mesmo que não se esteja fechado num sítio, não se viaje para lado nenhum nem estejamos a falar de relações sufocantes. Aqui entra outra máxima antiga: a familiaridade gera falta de respeito

Os antigos defendiam que para haver felicidade num namoro ou casamento, para evitar que uma relação azedasse ao tornar-se tóxica ou asfixiante, convinha que nunca se perdesse uma certa formalidade e mistério; que o marido fosse tratado como um convidado de longa, longa duração na sua própria casa (aqui não se aplicava, claro está, a regra do terceiro dia) e fizesse outro tanto por sua vez. Afinal, com os convidados faz-se uma certa cerimónia: não se aparece vestida (o) de qualquer maneira, tenta-se ter tudo em perfeita ordem, fala-se respeitosamente, não se perde a cabeça nem se cai num excessivo à vontade. 

 Nas férias, nas obras em casa, em família, nas amizades e no amor, há que arejar as ideias o mais possível, para evitar a febre de cabine. E é preciso que cada um se comporte como um perfeito anfitrião,  com toda a cerimónia e sangue frio, de modo a esconjurar tais sintomas...


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