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Tuesday, August 4, 2015

Ninon de l´Enclos dixit: uma mulher chora, mas...



"Uma mulher deve ser sempre graciosa, até quando chora."


O nome da cortesã, autora e mecenas do sec. XVII, Ninon de l´Enclos, é sinónimo de beleza e de espírito. Lindíssima, fez voto de nunca casar. Também não acreditava na alma: no seu entender, podia perfeitamente ser-se feliz sem alma, nem marido

Deve ter funcionado para ela, pois ao contrário de tantas celebridades do amor galante, não dissipou a sua fortuna nem se arrumou confortavelmente junto de um apaixonado que lhe desse o nome para mais tarde lhe lançar injúrias em rosto...

Esta mulher brilhante, que encorajou e protegeu a carreira de Molière e Voltaire, morreu velha, mas ainda para amores -  encantadora até ao fim, riquíssima, com um salão frequentado pelas mais famosas mentes do seu tempo. Era estimada pela rainha Cristina da Suécia e, apesar de descrente, pela piedosa Madame de Maintenon.

Mas se não se tornou mulher de ninguém, foi apenas porque amava a sua independência acima de tudo:  candidatos não lhe  faltavam, entre os homens mais interessantes e poderosos de França. 


O famoso penteado "bob" à la Ninon

Apesar de uma lista de amantes de fazer corar a própria Vénus, não era, como tantas mulheres do seu género e do seu meio, causadora de duelos e desgraças (talvez porque o seu pai fora exilado do País depois de um duelo). Dizia-se que só tomava um adorador de cada vez: despedia-os delicadamente, sem cenas, e eles contentavam-se em continuar a frequentar-lhe a casa e as luzidas soirées como bons amigos. Tinha uma singular habilidade para estas separações cordiais, mas ela própria reconhecia que é preciso mais génio para gerir o amor do que para comandar um exército...

Apenas o Marquês de Villarceaux, que amou durante três anos e com quem teve um filho, Louis, não se conformou: quando viu que Ninon não voltaria para ele, caiu doente. Para o consolar, a amante cortou as suas magníficas tranças e enviou-lhas, lançando uma moda : o "bob" à la Ninon.

 Logo, há que tomar a sério o aviso de Ninon: uma mulher deve ser graciosa em todas as circunstâncias, nem que precise de chorar. Por vezes demonstrar vulnerabilidade pode ter o seu atractivo (e Ninon mais do que ninguém devia saber disso) mas há a compostura e a serenidade que cabem nos momentos mais angustiosos. Para histerias, não há paciência. Se Oscar de la Renta disse "caminhe sempre como se três homens a observassem" Ninon ia mais além, aconselhando as mulheres a nem no choro se descabelarem de modo a ficar feias ou descompostas...

3 comments:

menina de sua mãe said...

Que personagem interessante! Um destes dias hei-de escrever sobre os conselhos para fazer o luto de uma relação que a minha mãe me deu. Descabelar-se e fazer escandaleira, especialmente em público, é que não!

Géraldine said...

Belíssima publicação.
@meninadesuamãe partilhe sim!

Imperatriz Sissi said...

Obrigada às duas :)

@menina, quero ler!

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