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Saturday, August 15, 2015

O que é o verdadeiro amor? Um simples casal português explica.



Um artigo do Expresso foi muito comentado nas redes sociais ao longo do fim de semana. Escrito de uma forma bastante poética (mercê também da entrevistada, que desabafa a sua desolação junto à Lua Cheia) comoveu os internautas por ser a história triste de um casal, como tantos neste país, que faz frente à doença, às dificuldades materiais e à falta de apoios. 

 Mais do que o lado desanimador da história (que espero que a publicidade dada ao caso ajude a solucionar ou pelo menos aliviar, pois felizmente não falta quem tenha meios para socorrer estas tristezas sem grande esforço) chamou-me a atenção este exemplo de casal unido, Luísa e Antero. 

Diz a senhora, dotada da coragem, esperança e espírito de sacrifício que são apanágio de uma boa mulher:

«Conheço o meu marido há 41 anos. Eu tenho 57 e ele, dez anos mais. Quando começámos a namorar, foi logo para casar. Sempre levei a sério aquilo de se dizer “na saúde e na doença...”.»

Imagem via Expresso

Luísa e Antero ainda são do tempo em que o amor era suposto ser sólido e não líquido, como hoje. Em que uma mulher sabia que o marido seria o seu amparo e segurança emocional, mas que formar um lar pedia deveres, pedia heroísmo. Que tudo podia correr deliciosamente, dentro das possibilidades de cada casal...mas que o destino é uma carta fechada. O marido belo, forte e bem sucedido poderia faltar-lhe. Ou transformar-se numa sombra de si mesmo e necessitar da sua ajuda, da sua força contra toda a adversidade, da sua esperança contra todo o desânimo, da sua fé quando tudo parecesse negro, da sua confiança mesmo se fosse caso para desconfiar. Na saúde e na doença. Na abundância e na pobreza. Na beleza e caso ele fique, sei lá, doente, careca e mal encarado. Casamento era Sacramento (continua a ser para quem dá esse passo pela Igreja, mas nem toda a gente o toma a sério) e um juramento forte como o de sangue.



 Uma boa mulher ama o homem quando ele é bem parecido, admirado por todos e cheio de sucesso- mas amá-lo-á mais ainda (ou provará o quanto o ama) se isso tudo desaparecer. Segui-lo-á para o exílio, se preciso for.

Luísa e Antero são de um tempo em que o homem estava ciente do seu papel de fortaleza da família, de eterno cavaleiro andante da mulher que escolhera para si; de um compromisso que começava com uma palavra firme e forte; de uma época em que namorar para passar o tempo não era a norma, em que uma promessa tinha o valor de um escrito (havia quem a quebrasse, mas isso não passava em branca nuvem, não era normal e desculpável como agora e fazia de um homem menos homem aos olhos da sociedade).


  Outro artigo recente resumiu muito bem esse tipo de homem, o homem a sério, hoje bastante raro: o que não hesita quando encontra a mulher certa para si, pois reconhece a sorte que tem, receia perdê-la para outro ou para as tragédias da vida se esperar demasiado, é maduro que chegue para tomar o que quer sem inventar desculpas cobardes. No amor, como na guerra, é preciso coragem para tomar decisões. Num batalhão, nenhum comandante quer um soldado medroso, hesitante, que pensa apenas em si mesmo, que não saiba ser um homem. E no amor devia ser a mesma coisa. Mesmo face ao medo, pois quem se aventura a amar aventura-se a sofrer, o amor, como a guerra, pode fazer com que se lá entre como um rapaz e se saia como um homem.

Imagem via Expresso
Na alegria e na tristeza: enquanto ela for sexy e bem disposta, e quando não o for tanto. Fidelidade contra toda a tentação. Força contra toda a ameaça da vida, mesmo que custe. A palavra dada servia como armadura para enfrentar todos os monstros que o futuro apresentasse.

«Ele costuma dizer que a única coisa que lhe falta é a morte e eu respondo logo: “Tu, cala-te”. Os médicos dizem que não sabem o que se vai passar. Mas eu estou cá para o ajudar. Eu sou Luísa. Ele chama-se Antero Bernardo. “Marido, já vou!”».

Luísa, que se dirige à cara metade (agora doente e com limites no seu papel masculino e assertivo) sob o respeitoso título de "marido" e Antero, têm, na sua vida de momento menos feliz, a coroa máxima do casamento; o resultado de uma mulher virtuosa e de um homem honrado, unidos na saúde e na doença. Esperemos que tudo o resto lhes seja acrescentado por darem tão bom exemplo.


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