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Sunday, August 9, 2015

Os fanáticos do "cedo erguer" e os extremistas do "dormir até querer".




Acho que toda a gente conhece exemplares de uns e de outros. 

Os fanáticos do "cedo erguer" são, como o nome indica, aquelas pessoas que só funcionam deitando-se com as galinhas e levantando-se cedíssimo, mesmo nas férias ou dias livres. 

Já os extremistas do "dormir até querer" agem de modo inverso: adoram fazer do dia a noite e da noite o dia, como dizia o avô (mesmo que passem o serão em casa, andam até às tantas a fazer isto e aquilo) e para eles as manhãs são uma coisa que não existe, que não serve para aproveitar, a não ser que o horário de trabalho a isso obrigue.

Mind you, cada um tem o seu relógio biológico: há pessoas matinais e há quem funcione melhor da tarde em diante. Há quem não tenha problemas em fazer uma directa para entregar um trabalho e quem prefira levantar-se às cinco da manhã para tratar disso. Há quem seja de uma forma ou de outra desde que nasceu e quem se tenha tornado noctívago ou madrugador por vício de profissão (polícias, enfermeiras, médicos, padeiros, militares, entertainers e outras pessoas que tenham empregos com horários pouco certos).  Depois existem as pessoas (entre as quais me incluo) que estão algures no meio, dependendo das circunstâncias.

O problema não está no ritmo (natural ou adquirido) de cada um. Ser um galo que se levanta cedíssimo ou um morcego que detesta as manhãs é lá com cada qual, desde que cumpra as obrigações que lhe competem e não tente impor aos demais as suas manias.

Isso só é um problema quando alguém se torna um fanático ou um extremista de uma ou outra coisa, quando não se sabe ser tolerante e flexível - com os outros e com as situações.



 Por exemplo, um madrugador fanático tem uma disciplina excessivamente rígida e mete na ideia que toda a gente em casa há-de alinhar pela mesma cartilha. Às dez em ponto quer tudo na cama, sem chus nem buz nem catrapuz, e ai de quem precise de estudar até tarde, de chegar mais tarde, de lidar com uma criança que tenha acordado aos berros ou simplesmente, queira ver um pouco de televisão ou ler no quarto ao lado. É o tipo de pessoa que se acompanhar a família ou a namorada ao cinema, na sessão das onze, adormece na cadeira. Em férias, nem que se tenha saído à noite, quer tudo a pé ao toque da alvorada, para aproveitar a manhã na praia todos os dias. Nunca relaxa. Se há convidados em casa, é capaz de cabecear ou fazer má cara quando passa da "sua hora" de dormir. São uns bebés e se tiverem o mínimo de autoridade, é vê-los a marcar qualquer passeio para uma hora ridiculamente próxima da madrugada, pelo simples prazer de arreliar quem gosta de dormir até mais tarde. O seu lema é "quem muito dorme, pouco aprende" e como geralmente têm o sono leve, dão péssimos vizinhos.




Já o extremista do "dormir até querer" é aparentemente muito chill out, um hippie zen, um boémio, tudo na boa. Só que não. À sua maneira é capaz de ser tão control freak como o madrugador fanático, por contraditório que isto pareça numa pessoa indisciplinada. Ou seja, só está feliz sem limite de horários e quem os tentar impor, quanto mais não seja em modo "amigo não empata amigo, queres ficar a ganhar musgo na cama fica, mas não me obrigues a fazer o mesmo" torna-se persona non grata.  

É que para começar, um tardio fanático também costuma ter o sono leve, quanto mais não seja por andar com os horários meio trocados. Então acha naturalíssimo exigir que toda a gente ande em bicos dos pés até ao meio dia e fica uma fera se o acordam ao fazer as coisas que as pessoas normais fazem, como preparar o pequeno almoço. E por falar em pequeno almoço, esqueçam ir para um bom hotel com uma destas pessoas e levantarem-se a horas de o tomar. Pelo menos, na sua companhia. Poderão até conseguir, mas não vai sem luta: por muito que argumentem que é um desperdício pagar a estadia com tudo incluído e ficar no quarto até tarde, estas almas não têm lógica antes das onze da manhã. 




Quando conseguirem ir comer, já vão com uma telha que não vos deixa apreciar nada. Estes espécimes odeiam levantar cedo porque odeiam e pronto, nem que seja para fazer a coisa que mais adoram. É uma forma de rebeldia gratuita. O mesmo vale para passeios ou férias: a manhã não é para aproveitar, por mais que os outros argumentem que para dormir até tarde, ficavam em casa que era menos cansativo e mais em conta. Ou que insistam que o evento a que querem assistir é de manhã e mais nada.
 Depender destas pessoas para chegar a horas - mesmo a algo de responsabilidade - também é mentira, a não ser que o dorminhoco corra o risco de ser despedido por causa disso. Em tudo o que haja alguma flexibilidade, trata de se atrasar e acontecem invariavelmente este tipo de cenas e dramas. E quem reclamar arrisca-se a ouvir ainda mais cenas e dramas, vulgo "estás a enervar-me e a piorar tudo! Dás cabo de mim com tanto stress! Por tua causa não dormi nada e sinto-me doente". 

A única coisa pior do que lidar com um fanático do "cedo erguer" ou com um extremista do "dormir até querer" é mesmo ser apanhado no fogo cruzado entre os dois. Nenhum cede e qualquer programa inofensivo torna-se o Inferno de Dante.

Uma tolice, pois não é complicado ter o melhor dos dois mundos: levantar cedo e aproveitar a beleza da manhã quando isso é necessário ou sabe bem, dormir até tarde quando apetece e é possível.

Os extremos não dão saúde nem fazem crescer, só atormentam quem está...




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