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Thursday, August 6, 2015

Roza Shanina, profissão: sniper


Muitas mulheres dizem "tenho cá uma pontaria!" geralmente para se queixarem das suas escolhas menos felizes. Mas no caso de Roza Shanina a frase 
aplicava-se literalmente. É que há uma enorme diferença entre ser uma mulher da luta e uma mulher capaz de lutar quando é caso disso.

A II Guerra Mundial deu a inúmeras mulheres de ambos os lados do conflito a oportunidade (já que a necessidade aguça o engenho) de provar o seu valor ao serviço da Pátria, quer nos territórios da espionagem e resistência quer no próprio campo de batalha.

A presença feminina nas forças armadas e de segurança ainda hoje é alvo de ampla controvérsia, pelo menos quanto aos papéis que podem ou não ser desempenhados por mulheres.

 Curiosamente, algumas das vozes mais assumidamente machistas consideram esta opção uma forma de as mulheres ganharem realmente respeito em vez de andarem por aí a gritar em topless contra a opressão patriarcal (e há que concordar que a haver total igualdade, é justo que passe por aí; não me consta que as israelitas e as norueguesas fiquem traumatizadas com o serviço militar obrigatório); outras discordam com base no argumento da força física, sustentando, por exemplo, que uma mulher será obrigada a sacar da arma para dominar um oponente mais forte, arriscando-se assim um número de baixas desnecessárias ou abusos.

 E por fim há quem defenda uma perspectiva que me parece a mais equilibrada: que tem de haver atenção às diferenças físicas e psicológicas, logo as mulheres devem ser colocadas estrategicamente já que algumas características tipicamente femininas, como a habilidade, astúcia, atenção ao detalhe, agilidade e paciência podem ser muito úteis. Os russos pensavam assim durante a II Grande Guerra, por isso empregaram mais de 2 mil mulheres franco-atiradoras.


Apesar disso Roza Yegorovna Shanina (uma educadora de infância com instrução universitária) encontrou alguma oposição por parte dos recrutadores, cientes da mortandade que se passava na frente de batalha. Mas Roza, querendo vingar a morte dos seus três  irmãos, insistiu e em 1942 juntou-se à academia feminina de snipers soviéticas. 

Uma vez em acção esta rapariga loura e bonitinha, aparentemente frágil e que ainda não tinha completado 20 anos, abateu mais de 18 soldados nazis em menos de um mês. Roza era corajosa ao ponto da imprudência, recusando ordens para retirar e indo além das suas funções como atiradora: chegou a capturar alemães por suas próprias mãos. 


Ferida em combate, regressou rapidamente - foi uma das seis sobreviventes num batalhão de 78 elementos do qual 72 caíram - o que lhe valeu honrarias e uma fama a condizer: chamavam-lhe o Terror invisível da Prússia Oriental! Porém, a sua brilhante carreira duraria menos de um ano: morreu em Janeiro de 1945 durante a ofensiva final contra a Alemanha, pouco antes do fim da guerra, atingida no peito por um estilhaço de artilharia. 

 Mais de 50 inimigos tinham perecido às suas mãos - um número proporcionalmente extraordinário considerando que por exemplo Chris Kyle, o famoso sniper da ocupação do Iraque, contou estimadamente 255 mortes ao longo de dez anos de serviço.

 E nota bene, Roza cumpria este triste dever sem perder um pingo da sua feminilidade e elegância. Reparem na sua compostura, sempre aprumada e com um sorriso gentil. A girl´s gotta do what a girl´s gotta do...


*Fonte via

1 comment:

Urso Misha said...

Os lusitanos lutavam com mulheres e ao que parece tão bem como os homens e isso está escrito em vários textos romanos, não é só por lá.
Todos temos capacidades e na IIGM os soviéticos não tiveram pudores em utilizar mulheres e como tu escreves-te e com grande sucesso.

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