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Friday, August 7, 2015

Um "capacete dos parvos" faz cá muita falta.


O Almanaque Bertrand de 1942 (que é giríssimo pois dedica vários artigos à "guerra actual", ou seja, à II Grande Guerra) continha um texto muito engraçado sobre as "máscaras dos parvos", de que já falámos  em detalhe.

 Ou seja, instrumentos de tortura psicológica (e em alguns casos, física) que surgiram na Idade Média mas ficaram muito na moda entre o sec. XVI e XVIII, sobretudo em Inglaterra.  Serviam para punir quem bebia demais, quem causava desordens e coisas desse tipo, mas as mais populares eram as mordaças (muito usadas em mulheres escandalosas, atrevidas e linguarudas, embora às vezes também houvesse homens cordilheiros a sofrer esse castigo) e as tais "máscaras dos parvos", umas orelhas de burro que ficavam a matar em quem dava ouvidos a mexericos.


 Mas a grande verdade estava no comentário final do artigo, que subscrevo inteiramente: 

"Os tempos mudaram e já as mulheres podem falar, intrigar, gritar, vociferar e escandalizar quanto tenham na vontade, sem serem amordaçadas. Não se pode deixar de confessar, porém, que há casos em que é pena todos esses instrumentos estarem inutilizados em museus (...) pois não só nalguns exemplares do sexo fraco mas também do forte assentaria, admiravelmente e a propósito, um destes capacetes". 

É que como já se disse, se numa mulher a indiscrição e a mexeriquice são hábitos feios, num homem cobrem-no de ridículo. Não há maior sinal de fraqueza nem coisa tão efeminada.

 Mas tenho para mim que na era das redes sociais, não haveria "capacetes" que bastassem para tanto bisbilhoteiro....

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