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Friday, September 25, 2015

A Hungria anda a ser "uma mulher muito feia e muito má"


Sempre achei graça, quando em pequena me contavam a história dos Três Pastorinhos, ouvir uma certa recordação da Irmã Lúcia... tendo-lhes sido ordenado que "orassem pela conversão da Rússia" a pequenita, que não sabia o que (ou quem) vinha a ser a Rússia, julgava que se tratava de "uma mulher muito feia e muito má".

Pois parece-me que desta feita tal título bem podia caber à Hungria, onde já se autoriza disparar sobre civis desarmados e entrar em casa das pessoas para procurar quem seja escondido por alguma alma caridosa.

Se a questão dos refugiados exige uma solução rápida - e que, digo eu que não mando nada, passa essencialmente por  acabar com os desmandos dos arruaceiros e permitir aos sírios voltar para casa - atitudes de histeria e maldade não resolvem coisa alguma de certeza. 

Em boa verdade, nas semanas que passei na Hungria, se aquele nobre país me encantou, o mesmo não pude dizer dos seus habitantes. Povo triste e sorumbático, e à parte uma simpática rapariga que falava português como se cá tivesse nascido, fiquei com a impressão de que os húngaros têm lindos nomes, fazem excelentes panquecas de chocolate (não sei se ainda as têm no Apostlok, uma antiga capela convertida em restaurante que é uma beleza, mas vale a pena perguntar) e são soberbos músicos, mas como pessoas... digamos que não fiquei com vontade de passar muito tempo com eles.

 E depois, isto de disparar sobre civis e invadir casas a procurar gente escondida lembra alguma coisa que se passou na também na Hungria há 70 e tal anos, não lembra? Que povo desmemoriado...

 Talvez os húngaros devessem lembrar-se de um herói seu, o Barão Vilmos Apor, Bispo de Gyor. Corajoso numa época bem pior do que a nossa, chegou a apelar à Gestapo para tentar libertar os judeus do ghetto local, e a negociar com os comandos militares nazis para pôr termo ao cerco da sua cidade.

 Quando os soviéticos chegaram, na Sexta -feira Santa de 1945, o Bispo, temendo os rumores terríveis de violações em massa pelos soldados comunistas, albergou numerosas mulheres e crianças na sua residência. Morreu ao salvar essas mulheres e foi beatificado por S.João Paulo II em 1997.

 É sempre bom lembrar que o bom senso, o amor ao próximo e o sentido de justiça cabem em toda a parte - mesmo quando temos medo "dos outros".

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