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Wednesday, September 2, 2015

Ai as boas raparigas não fazem história, não?


"As raparigas bem comportadas raramente fazem história" (ou vão a algum lado). Já por aqui resmunguei que essa é uma ideia perigosa para pôr na cabeça das mulheres, além de ser uma falácia de todo o tamanho. A História está cheia de mulheres poderosas que não precisaram de fazer batota ou dar escândalo para deixar marca- a começar, claro está, pela Virgem Maria. Já vimos alguns nomes famosos neste post, mas vamos ao top dos tops das meninas boazinhas, mas poderosas: de santas a rainhas passando por cientistas e guerreiras, aqui ficam alguns exemplos, sem nenhuma ordem especial.


1- Florence Nightingale



Oriunda de uma privilegiada família inglesa numa época em que era impensável para uma rapariga bem nascida tornar-se enfermeira, Florence mudou mentalidades e hábitos. Determinada a prestar cuidados adequados aos pobres e soldados caídos no campo de batalha, rompeu com a família e seguiu a sua vocação, impondo a figura da enfermeira como mulher com formação específica e de moral irrepreensível (pois até aí, em Inglaterra essas funções eram muitas vezes desempenhadas por vivandeiras, criminosas ou prostitutas obrigadas a tratar doentes como castigo). Revolucionou o tratamento dos feridos durante a Guerra da Crimeia, contribuindo grandemente, com os métodos que desenvolveu, para a Enfermagem tal como a conhecemos hoje.

2- Madame Curie


Filha de professores cultos e bem colocados na sociedade, mas empobrecidos, enfrentou dificuldades económicas, políticas e sociais (nomeadamente, por ser mulher) para avançar nos seus estudos. Foi governanta enquanto estudava Medicina em Paris, fez inúmeros sacrifícios, chegava a desmaiar de fome enquanto trabalhava no laboratório. Apaixonou-se mas a família do noivo não permitiu o casamento pois considerava Marie (então Maria Sklodowska) um fraco partido. Prova provada de que o destino escreve direito por linhas tortas, pois entretanto conheceu Pierre Curie, por quem se apaixonou e com quem dividiria o Prémio Nobel da Física em 1903. Em 1911 seria de novo galardoada, desta vez no campo da Química, tornando-se a primeira pessoa a ser laureada duas vezes.


3 - Santa Joana D´Arc

Sem a "Donzela de Orleães" possivelmente Carlos VII  não se teria sentado no Trono nem posto fim à Guerra dos 100 Anos. Camponesa, analfabeta, mas valente e inspirada pelas suas "vozes do céu" conseguia motivar as tropas para a vitória de forma extraordinária- apesar de segundo ela, não chegar a tirar vidas no campo de batalha e (conta-se) de ter proibido aos soldados que praguejassem ou tivessem comportamentos malcriados na sua presença. Até o infame Gilles de Rais se sentia impressionado por ela, e diz-se que foi a sua morte que o enlouqueceu. Rapariga mais bem comportada do que isto é impossível...foi canonizada em 1920 e proclamada Padroeira de França.

4- Boadicea



Rainha dos Icenos , tribo celta da Britânia, durante o reinado de Nero, voltou-se definitivamente contra os invasores romanos quando eles atraiçoaram o seu marido, o Rei Prasutagus, roubando-lhe todas as terras. Como castigo, foi açoitada e os legionários violaram as suas filhas. A vingança da Rainha - uma figura impressionante de mulher, alta, ruiva e feroz- não se fez esperar. Liderou várias tribos numa revolta e massacrou cidades, aterrorizando os romanos e varrendo tudo à sua passagem. Uma boa rapariga tem limites.

5 - Rosa Parks


Costureira, trabalhadora, casada, uma mulher igual a tantas...deu o mote para a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos por em 1955 se recusar a ceder o assento a um branco - conforme lhe exigiam invocando o sistema de segregação racial em vigor em vários estados sulistas. Mais tarde ela recordaria que não sabia de onde lhe tinha vindo tal serena determinação, que a envolveu "como uma colcha numa noite de frio". Apesar de se ter tornado um símbolo do movimento pelo fim da segregação racial e de ter recebido várias distinções, sofreu represálias e passou por inúmeras dificuldades, especialmente depois de enviuvar, até o público americano ser sensibilizado para o seu caso. Morreu em 2005, sendo sepultada com honras de estado.

6 - Ester


A bela judia conquistou o Rei Assuero com a sua diplomacia e meiguice , tornando-se Rainha da Pérsia. A inteligência com que se conduziu permitiu salvar o seu povo da morte certa. É uma das mulheres mais fascinantes da Bíblia (mais sobre ela aqui) homenageada até hoje com a festa de Purim.

7 - Santa Beatriz da Silva e Menezes


Se fosse a enumerar todas as Santas que marcaram a história (de rainhas como Santa Isabel da Hungria ou a nossa Rainha Santa Isabel a sábias como Santa Teresa de Ávila) este post ficaria interminável, por isso escolhi uma santa portuguesa que se comemora hoje (1 de Setembro). Nascida em Campo Maior, Alentejo, em 1437, era filha da Condessa de Portalegre e do Alcaide de Campo Maior. Dotada de uma beleza deslumbrante, foi convidada pela sua prima, a Princesa Isabel de Portugal, a acompanhá-la a Castela como dama de companhia. Uma vez na corte castelhana, porém, e feita Rainha, a prima que até então a adorava começou a sentir ciúmes da atenção que a formosura, graça e gentileza de Beatriz atraíam. Zangada, fechou-a num baú sem ventilação. Quando o tio de Beatriz, aflito ao fim de três dias à procura, instou com a Rainha para saber do seu paradeiro, foram dar com ela perfeitamente sã e mais bela do que nunca. Beatriz contou então que a Virgem Maria a tinha salvo para que ela fundasse uma Ordem dedicada ao mistério da Imaculada Conceição.
 Beatriz perdoou a Rainha, que lhe deu permissão para viver onde desejasse; retirou-se então para Toledo, onde mais tarde cumpriria a sua promessa de fundar a Ordem da Imaculada Conceição com o apoio da filha da prima ciumenta - a grande Isabel, a Católica. Para que a sua beleza não perturbasse mais ninguém, passou a andar velada. Porém, quando morreu, com cerca de 60 anos, espantou toda a gente pois mantinha o aspecto de uma linda jovem. 

8 -Lucrécia


Jovem matrona romana de grande beleza, está associada a uma lenda que contribuiu para que Roma passasse de reino a república. Sexto, filho do Rei Tarquínio, encontrava-se com vários rapazes nobres num acampamento militar, bebendo e contando chalaças. Começaram então a comparar quem teria a mulher mais virtuosa e decidiram voltar à cidade para as espiar, determinando quem ganharia a aposta. O príncipe viu, desgostoso, que a sua própria esposa estava numa festa com todas as amigas, enquanto Lucrécia, mulher do seu amigo Lúcio, era a única que fiava quieta em sua casa.
 Invejoso, envergonhado e ferido no seu orgulho, atacou Lucrécia, mandando depois mensagem a todos os parentes da pobre coitada dizendo que se tinha deitado com ela. Desesperada, Lucrécia suicidou-se, o que motivou a vingança do marido e da família que com o apoio do povo, revoltado com esta violência, depuseram a família real. Lucrécia passou à História como símbolo por excelência de virtude e lealdade conjugal. 











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