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Monday, September 14, 2015

Annette Kellerman, a "sereia" endiabrada


Este post ainda vinha a tempo de ser um texto de Verão - sabem aquela ideia "em Setembro ainda dá para ir à praia"? - se ao Outono não lhe desse para se instalar à pressa. Nunca apreciei muito praia nesta época do ano, porque Setembro já tem um ar desgraçadinho de melancolia Outonal e de regresso às aulas (ideia que continua a deprimir-me por mais anos que passem) mas por vezes apanham-se dias realmente quentes. 

Paciência: a menina de quem vamos falar não teria problemas em nadar em águas menos amenas. 

Até foi a primeira mulher que tentou atravessar o Canal da Mancha a nado  (desistiu à terceira tentativa pois segundo ela, faltava-lhe a força bruta para tanto).



Também realizava perigosas cenas aquáticas no cinema, como mergulhos de  28 metros no mar, ou de 18 metros numa piscina de crocodilos. A sua figura agradável e grande criatividade permitiram-lhe fazer sucesso em vários filmes sobre sereias, e a própria Anette criava fantasias com cauda de peixe que lhe possibilitavam nadar a sério.

 Mas o que tornou a nadadora australiana nascida em 1886 realmente famosa, foi o seu "escandaloso" fato de banho de uma só peça. Como boa atleta, ela não se limitava a "ir a banhos" da mesma forma que as senhoras da época (agarradas a uma corda e com ajuda do banheiro), logo os pesados "fatos de malha" com saiotes e calções farfalhudos atrapalhavam-na.



Decidiu então criar um modelo semelhante àqueles que os homens usavam nessa altura: um maillot justo ao corpo, até ao joelho. E assim ataviada, foi para a praia. Causou um enorme sururu, e apesar de na época (1907) estar no auge da sua popularidade, foi presa por atentado ao pudor. 

Mas Anette não se deu por achada e vingou-se, lançando uma linha dos seus reveladores fatos de banho que vendeu como pãezinhos quentes e deu o mote para o swimwear ou beachwear tal como o conhecemos...



 Porém, não ficaria por aí no que tocava a chocar o público: já que não tinha conseguido ser a primeira mulher a cruzar Canal da Mancha (proeza realizada pela americana Gertrude Ederle em 1911) tornou-se a primeira actriz célebre a aparecer em nu integral numa grande produção cinematográfica, A Daughter of the Gods (1916). Não podemos avaliar o grau da escandaleira porque o filme se perdeu, mas imagine-se...

Pelo caminho, além de teatro e cinema, escreveu vários livros, incluindo um de conselhos de beleza. Viveu até à velhice, sempre acompanhada pelo marido (com quem casara em 1912) e continuou a nadar até ao fim. Quando deixou este mundo, as suas cinzas foram espalhadas na Grande Barreira de Coral- a última morada perfeita para quem toda a vida foi sereia...



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