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Thursday, September 3, 2015

Às armas, ou melhor: ao chinelo!

Eu ainda sou do tempo - e não foi há muito-  em que a mania de ser todo yo!ma man, de fazer de mitra ou de guna ou coisa que o valha, ter muito swag e gingar por aí com os manos e as calças ao fundo dos rins era como o outro. A garotada fazia isso porque ouvia hip hop e queria parecer mazona e durona; uns porque andavam com os putos do bairro a fazer tropelias, outros a fingir que sim porque nem lá tinham nascido, até eram de umas famílias do mais compostinho que se pode, uns betinhos de primeira e não andavam em tais companhias; se apanhassem um dread à séria (não sei se é isso que lhes chamam agora) ficavam cheios de medo e lá lhes caíam as calças aos pés para fugir mais depressa, mas enfim.
Não eram os modos mais cavalheirescos, além de ser coisa de poseur, mas aturava-se. Entretanto (malhas que as redes sociais e as hashtags tecem) começam a chegar-me imagens de meninos que se portam - e tiram selfies - assim:

Uma mistura entre gestos à gangsta, modos "à bairro", todos durões, todos bué da maus, ´tás a ver...e uns modos amaneirados e ameninados. Bracinho estendido e torcido a fazer "V" e beicinho ou duckface. Estilo "sou gangster mas também sou fofinho", ou será mais uma moda estilo beijinho no ombro (blhec)? Uns todos musculados e invariavelmente sem t-shirt a fazer isso, outros magrinhos e meio corcovaditos, mas todos nesses preparos, que não sei se é a imitar o Justin Bieber nem o que significa.


 Já tinha reparado nisto quando escrevi este post sobre a falta de testosterona que para aí anda e o cavaleiro andante dos tampax (que também faz essas caretas) mas entretanto notei que era praga.

 No entanto, posso não conhecer as causas, mas o remédio sei eu: era chinelo e/ ou colégio militar, já.



 Aparecesse um rapaz da minha família nessa figura e não lhe faltaria que fazer: um veja-se-atina-menino ou abre-a-pestana-boy-que-isto-aqui-não-é-um-filme de deixar tudo em pratos limpos.



Era calçado para engraxar, pátios para varrer, louça para lavar, descascar batatas e se calhar cavar o jardim porque já se sabe, um jardim é uma canseira constante e um hobbie adequado a pessoas de bem, além de não haver melhor terapêutica para estas coisas do que, como diz o povo, uma enxada na mão de manhã à noite. Até podia convidar os manos, aproveitar o gingar do swag para dar impulso às pás e aos ancinhos ao som da música. Depois ia fazer caridade, começando por doar aquelas vestimentas horrorosas para serem vendidas para reciclagem a favor de alguma organização solidária e se isso não resolvesse, vai de boot camp, que nada forma um homem nem endireita as costas e cura gingados como a disciplina militar.

 Andam uns portugueses a combater o ISIS e outros armados em maus que fazem beicinho. Gangsta pé-de-salsa. Francamente.


3 comments:

Géraldine said...

Ora nem mais!!!

Raque Henriques said...

Tens toda a razão!
Ai um menino desses na minha mão, o que o meu chinelo trabalhava!!!
As mães deste país perderam o hábito de dar uso ao chinelo e os resultados estão a vista!
Raquel

Raque Henriques said...

Tens toda a razão!
Um menino desses nas minhas mãos, ai o que o meu chinelo trabalharia!!!
Faz-lhes falta e muito.
As mães deste país perderam o hábito de usar o chinelo e o resultado está à vista.

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