Recomenda-se:

Netscope

Saturday, September 26, 2015

As frases mais egocêntricas das redes sociais.

A sério? Mesmo? Pode ser?

Já se sabe, às vezes uma citação vale mais que mil palavras. Quem nunca usou uma frase de um autor consagrado para expressar uma ideia, ou não se saiu com uma frase inspirada que merecia ser citada, que atire a primeira pedra. Até por aqui já se criaram algumas.

Mas expressar ideias - ou não resistir a um desabafo - tem limites. Há um contexto, uma dose certa e um lugar para tudo. O problema é que as redes sociais se transformaram não só num manancial inesgotável de frases feitas (muitas batidas, com erros ou de mau gosto) como no melhor lugar para as replicar ad naseaum

E como foi detalhado aqui, há quem se esqueça de que o Facebook não é o confessionário da Paróquia (o Sr. Padre espera por vós! Ele está sempre lá! Desabafam e ainda salvam a vossa alma e ninguém fica a saber!) nem o divã do psicanalista ou do psiquiatra (eles também estão disponíveis! Fica mais caro mas ao menos o alívio é certo e igualmente, ninguém fica a saber!) nem o Querido Diário (esse tinha uma chave, que era precisamente para ninguém ler os pensamentos parvos de cada um!). 


Mulheres da luta: se têm de lutar por alguém,
 façam-no lá entre vós.

Depois-  já se sabe - um ovo podre virtual não substitui dizer das boas directamente na cara ou no telefone da pessoa visada (porque quase sempre há um visado ou uma visada e às vezes, mais vale passar pelo embaraço da rejeição, receber um "vai para o diabo que te carregue" do que fazer de urso (a) a partilhar tolices em público para todo o mundo saber o bonito estado de espírito em que se anda).


Então cumpra, que nós agradecemos.

 Depois, já falámos várias vezes nas frases lascivas ou peganhentas que certas mulheres, à falta de pretendentes, publicam na tentativa de chamar a atenção deste ou daquele pretendido (o que valeu criarem-se, por sua vez, memes sensatos do estilo "deixe de partilhar frases de amor, toda a gente já percebeu que a menina é uma desavergonhada"). 


Ai que medo. MUITO medo.



Tradução: "o rapaz nem sabe que eu existo, mas a ele como San´Tiago aos mouros!"

Mas há ainda quem o faça de modo perfeitamente inocente; quem siga estas páginas de frases e as passe adiante por falta do que fazer, sem filtro, uma após outra, várias vezes por dia; talvez porque não percebe que o propósito de uma rede social é comunicar o que precisa de ser comunicado (ou vá, mostrar aos amigos algo realmente engraçado ou fora do vulgar). E como tal, tratam os social media como tamagochis, que precisam de ser alimentados todos os dias. Não, o Facebook não é como o tamagochi, não "morre" se não lhe mexerem um dia ou dois. Quem não tem nada de especial para postar, escusa de, desculpem o trocadilho que eu não gosto de trocadilhos, atirar postas.


O lado pior, porém, é o egocentrismo destas pessoas. Acham que TODOS os seus amigos virtuais têm de partilhar as suas jornadas de auto conhecimento:



Compreender os seus defeitos mirabolantes e ainda muito obrigada por cima. Como se Isso interessasse a alguém que não ao próprio! Eu isto, eu aquilo...ou seja, era mais honesto escrever "sou uma pessoa insuportável e desinteressante, rude e malcriada, mas apesar de toda a gente me apontar o facto, não mudo uma vírgula". Ou seja, estas pessoas ou não reparam no que publicam, ou procuram tudo, menos o auto-aperfeiçoamento (apesar das frases new age):


Porém, a rainha incontestável destas citações auto centradas, de auto bajulação pura, tem de ser Clarice Lispector

Ela está para as frases egocêntricas como o Pedro Chagas Freitas está para as citações debochadas a fingir de românticas.

Pobre Clarice, gastam-lhe mais o nome que o Dr. Hannibal Lecter. Conheço pouco da sua obra mas tinha-a por uma autora minimamente respeitável, por isso (esclareçam-me os entendidos) tanto eu, eu, eu só pode vir de algum diário íntimo seu publicado postumamente, não?



É que... reparem:


Há um remédio para isso: uma combinação de xanax e tento na língua. Resulta, juro.


Não percebi. Não quero perceber. Duvido que alguém perceba, mas publicam mesmo assim, em vez de consultarem um terapeuta capaz.


Newsflash, minha cara: se alguém a está a deixar ir, é porque não se rala muito se volta ou não volta. E não me surpreende, se o sujeitou a ouvir disparates como os acima.



E isto interessa a quem? A quem publicou.
 É matematicamente impossível que mais alguém queira saber.


O típico "cuidado que eu sou muito valente e badass...mas por favor não me deixe, que eu morro. Porém, antes disso mordo e furo pneus de carros. Depois morro porque sou frágil e solitária. E um bocadinho para o histérico".


Já percebemos. Por favor, não volte mesmo. Good riddance. Mas alguém fica interessado em quem se auto publicita nestes termos? A sério?


Há uns anos atrás ainda se dava o desconto, mas agora os social media começam a ficar velhos para isto. E a nossa paciência também.

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...