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Tuesday, September 29, 2015

D.Maria Pia: uma elegante de "mãos largas"

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D. Maria Pia, Princesa italiana da Casa de Saboia, ficou associada, enquanto Rainha consorte de Portugal, ao seu amor das modas e elegâncias  - acompanhada de pouca paciência para fazer contas ao dinheiro, gravada na sua célebre frase "quem quer rainhas, paga-as!". Um cortesão disse mesmo a seu respeito "seria uma Rainha admirável para um país rico...".

Não fosse a sua ardente generosidade, teria sido uma Rainha impopular. Mas a Sra. D. Maria Pia possuía um desses corações que não conhecem meios termos; era uma alma tão italiana como se pode, que só uma alma compatriota pode entender a fundo: forte nos afectos, explosiva mas breve nos ressentimentos - uma das poucas expansões de ira que se lhe conhecem foi precisamente numa das parcas vezes que se imiscuiu em política: após a "Saldanhada", não se conteve que não dissesse ao Duque de Saldanha "se eu fosse rei, mandava-o fuzilar!". 

Protestava e entristecia-se com as leviandades do marido (que lhe dava o carinhoso nome de "bichinha") mas não se amargurava com isso...um pouco exagerada, mas sempre elegante, esposa dedicada, mãe e avó extremosa, mulher de espírito, o bom coração estava omnipresente nas suas escolhas, mesmo quando os resultados não eram os melhores... 


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E se era pródiga a extremo, era-o consigo mesma e com os outros. Apreciadora da Alta-costura e de chapéus elegantes, não olhava às contas das modistas que cobravam quanto queriam, fazendo lucrar as exigentes horas que Sua Majestade levava a provar vestidos, como mulher de gosto que era. Se mandava pagar alguma coisa a um criado, não se lembrava de conferir o troco, o que levava a não poucos abusos...


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 Os vestidos sumptuosos que por questões de protocolo usava uma vez só, doava-os ao guarda -roupa do teatro...o que fazia com que muitos acabassem fora dele, vendidos por almas pouco escrupulosas que os inflaccionavam por terem pertencido à Rainha.

A sua bondade não conhecia limites - nem a sua bolsa, frequentemente posta ao serviço dessa bondade, sempre pronta a socorrer os aflitos. Era-o tantas vezes, aliás, que lhe ganhou o cognome de Anjo da Caridade e Mãe dos Pobres!

 Desta liberalidade ficou um episódio muito ilustrativo: estando um certo dia na Praia da Granja, uns pescadores pediram-lhe esmola. A Rainha, sem hesitar, mandou dar-lhes alguns centos de mil reis - uma soma enorme naquele tempo. Alguém notou delicadamente aquela extravagância e a rainha respondeu, sem mais:

" O verbo dar tem de ser conjugado pelos Reis de maneira diversa da outra gente!"



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