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Friday, September 4, 2015

E sobre a triste questão dos refugiados, por aqui só há duas coisas a dizer.


As imagens a que ninguém fica indiferente confundem e confrangem a alma: entre o impulso humanitário e o raciocínio "podia acontecer connosco, aquela criança podia ser o meu filho/primo/vizinho"- que devia ser automático, obrigação mesmo numa cultura que mal ou bem, é fortemente influenciada por valores Cristãos, as questões (legítimas, mas de triste resolução) sobre como responder de forma concertada ao apelo de tanta gente numa Europa já fragilizada pela crise e as atitudes vergonhosas a que temos assistido, é uma combinação aflitiva e trágica. É tentar encontrar sentido no meio do desconcerto.

Primeiro, talvez me fique mal dizer isto, mas seria esperar muito encontrar humanidade para quem vem de fora numa União Europeia que cada vez é menos humana para com os próprios europeus. Quando dívidas, números e brios económicos se sobrepõem ao mais básico bem estar de famílias, de idosos, de crianças, em que políticas erradas geram tantas tragédias privadas em Portugal, na Grécia e assim por diante, talvez seja ingenuidade a mais contar com muito calor humano. Os bons valores de antigamente, o dar pousada a peregrinos, de "onde comem dois comem três e amanhã Deus dará", salvo seja, a obrigação de acudir a quem sofre como qualquer um de nós poderia sofrer (digo muitas vezes que as pessoas tendem a tomar a paz por garantida) tem sido, mercê da eterna "crise dos euros" mas sobretudo de uma fortíssima crise de valores, substituída por uma atitude de "já não temos para dar aos nossos, quanto mais!". Depois há, por parte de quem toma atitudes violentas e xenófobas, o esquecimento de um detalhe: "refugiado" é, ou pretende-se que seja, uma questão temporária. Estas pessoas, gente normalíssima, preferiam mil vezes estar na terra delas.

 Ou seja, se demos guarida a um vizinho porque a casa dele ardeu mas a falta de espaço começa a fazer-nos confusão, se calhar será mais eficaz ajudá-lo a reconstrui-la quanto antes para que desampare a loja do que discutir sobre o assunto ou fazê-lo sentir que não é bem vindo.

O que me leva ao segundo ponto - particularmente no caso da Síria. Este rapazinho disse tudo: se acabarem com a guerra, os sírios voltam para casa e problema resolvido.

 Também o jovem militar português que - haja homens - pegou em armas contra o Estado Islâmico falou bem, dizendo que às vezes não se vai lá com negociações nem alternativas pacíficas. Com Hitler, lembra ele, não teria resultado. Travam-se muitas guerras estúpidas, é uma infeliz verdade, mas há ocasiões em que o confronto se torna um mal necessário; em que é preciso usar a força para proteger os inocentes dos maus da fita.

  Sendo que entre os tais grupos rebeldes o ISIS é o que mais brado dá e mais provocações tem feito, em nome de que agenda da conspiração, ou política correcta e fofinha, é que ninguém age? Em nome de quem é que estes arruaceiros que queimam pessoas vivas, raptam mulheres e destroem monumentos são tratados com a condescendência dada a um gang de miúdos que para aí anda a grafitar paredes? 

    Se ninguém fizer nada, receio bem que mais dia menos dia tenhamos à porta não as vítimas a pedir ajuda, mas os agressores. E o problema deixará de ser dos "outros"...





1 comment:

Géraldine said...

Concordo com tudo o que escreveu.

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