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Sunday, September 20, 2015

Eu não embirro com Carolina Patrocínio, porque contrariar a multidão é um dever moral.


Nunca vejo TV generalista nem faço ideia de que projectos é que Carolina Patrocínio tem em mãos, mas a julgar pelos feeds que são assim um Oráculo de Delfos do nosso tempo, ela só pode ser uma das figuras com quem os portugueses mais embirram. A pobre coitada não pode dizer/mostrar uma tonteria qualquer, daquelas que se dizem da boca para fora e há quem tenha tiradas muito piores, sem que a plateia tonta grite logo mata e esfola.

Está certo que há coisas que é melhor uma senhora guardar para si; depois, sem a conhecer, parece-me que a apresentadora peca pela ingenuidade. Quem se move nestas andanças há uns anitos convém que se lembre de que há jornalistas muito mauzinhos e que o público tolera tudo nesta vida, menos uma vidinha que lhe pareça privilegiada ou protegida. Pode ser-se uma Madre Teresa (ou simplesmente não fazer mal a uma mosca) mas a não ser que se tenha subido na vida a pulso, não se tem autorização para dizer "tenho uma governanta tão atenciosa que até me descasca a fruta". 

 O comum dos leitores não vai aos arames se Cristiano Ronaldo compra uma estátua de cera sua para colocar na sala de estar (uma coisa um pouco sinistra de se fazer, eu acho; detestaria ter uma boneca inanimada igual a mim a encarar as visitas com olhos inexpressivos, embora pudesse dar jeito para provar fatiotas e penteados; imaginem que uma pessoa se levanta a meio da noite para ir buscar qualquer coisa e trôpega de sono, se dá com aquele troço, cruzes) porque o jogador comeu o pão que o diabo amassou em pequenino, logo, aos seus olhos, é cá da malta e está desculpado.

Mas vir de uma família com alguns meios e ter sucesso (ou pelo menos aparecer na imprensa como tal, não sei) já provoca um certo ressentimento. E vir de uma família de meios, ter sucesso, estar numa boa forma incrível e AINDA POR CIMA manter essa boa forma incrível depois de ter filhos, isso já é muito pecado junto.




E a pobre da Carolina atreveu-se a dizer que adora estar de esperanças - com aqueles abdominais. Sacrílega! 

Claro que os comentários do mais baixo nível de beauty shaming não se fizeram esperar. Segundo as invejositas, preguiçozitas e lambareiras de serviço (detesto falar de inveja feminina, mas às vezes ela existe mesmo e é muito mais feia que a celulite) a Carolina, por querer estar em forma, detesta tudo o que é natural e lindo numa grávida. Claro que houve quem sensatamente lembrasse que nem todas as mulheres são iguais e que ter filhos não é sinónimo de perder a feminilidade (tenho vários exemplos excelentes na família) nem manter a beleza quer dizer ser menos mãe, pelo contrário. Mas a maioria, Deus nos livre!



 A única coisa que consegue provocar mais alergia à multidão do que o luxo alheio é a boa forma das outras, principalmente depois de ter filhos. É que reparem, a maternidade é a desculpa suprema, ou a única desculpa, para muitas mulheres. 

Algumas toda a vida foram desleixadas, nunca quiseram saber de cuidar de si próprias, mas dá imenso jeito deitar a culpa aos pobres inocentes que trouxeram ao mundo. As estrias na barriga são lindas, as gordurinhas são produto do amor e hipocrisias desse jaez. Claro que nada disso é o fim do mundo, algumas imperfeições (antes e depois de ser mãe) assistem a todas e nada disso faz de uma mulher menos mulher, mas poupem-me: ninguém compra cremes para fazer celulite, pois não? Então não é lindo. É um problema de saúde que deve ser tratado como tal e controlado como se pode.


Não caiam nesta falácia, mulheres!



Por acaso eu não conheço nada do trabalho da menina, só a vejo feed acima feed abaixo, 
mas admiro-lhe a silhueta, mais quilinho menos quilinho. Quem pratica desporto sabe a disciplina que é necessária para ficar assim, mesmo com boa genética. Se exagera, se não, é lá com ela - mas convenhamos: trabalhar, ter um marido e duas crianças não é receita para andar gorda e luzidia a não ser que se tenha mesmo tendência para ser mais cheiinha. E quem sendo mais ou menos magra, tem ossos ossos naturalmente salientes, sabe o que é ouvir "Credo, está doente?" assim que se vai abaixo depois de uma fase mais agitada.

Algumas mulheres têm mais trabalho para esculpir o corpo, outras só o stress as emagrece. Algumas são mais disciplinadas e conseguem manter uma silhueta fantástica mesmo sem investir em tratamentos e profissionais competentes, outras têm acesso a tudo isso e aproveitam. Cada mulher é diferente em termos de genética, biótipo, estilo de vida, etc; cada uma vive a maternidade à sua maneira e só tem de tirar o melhor partido daquilo que Deus lhe deu conforme puder.




Agora, o que sem dúvida não emagrece, nem esculpe uma barriguinha bonita de certeza absoluta e ainda dá cabo da pele, sei eu o que é: é estar alapada numa cadeira, a achatar o derrièrre, a fazer pança por estar mal sentada e se calhar a enfardar bolachas enquanto se gasta tempo a comentar maldosamente o corpo e a vida alheia.

 E desculpem lá, se uma mãe consegue tirar 5 minutos da sua vidinha para ler em detalhe um artigo sem jeito nenhum e escrever disparates  por baixo, também tem 5 minutos para se pôr em frente ao Youtube e fazer uma destas pequenas rotinas de exercício

Cinco minutinhos por dia podem não garantir a barriga da Carolina, mas fazem maravilhas. E imaginem se as que perdem vários intervalos do seu dia neste tipo de comentários se atirassem ao colchão para mexer os músculos em vez de mexer os dedos para escrever coisas desagradáveis! Tínhamos um país de beldades...

























































































































































































































































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