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Tuesday, September 29, 2015

Homens choninhas - até nos filmes de terror



Comentei convosco recentemente que de vez em quando me entretenho com um filme de terror. Manias...

Há tempos tinha visto o primeiro Wrong Turn  e achei uma certa piada à história, porque gosto de enredos de sulistas e campónios perdidos nas terras isoladas dos E.U.A: para quem não conhece o franchise, trata-se de uns hillbillies canibais, maus como as cobras e feios que se fartam, todos tortos devido à consanguinidade, que caçam gente. 

Desta feita o quarto filme passou na TVI (ainda está disponível, acho) e lá me pus a ver. O enredo é o habitual - uma data de jovens bonitos e tontos que se perdem e vão parar a um asilo abandonado onde os monstrengos moram escondidos há anos, depois de terem convenientemente massacrado os profissionais de saúde das maneiras mais criativas e soltado todos os maluquinhos. Está-se mesmo a ver que o grupo faz todo o barulho possível, desperta a atenção dos vilões e começa uma carnificina daquelas. 


 Mas como se trata de um filme muito modernaço (e com igualdade de direitos, por isso morre toda a gente sem discriminação) entre os casalinhos do costume há duas lésbicas (uma corajosa, a outra super chata) e outro composto por uma maria-rapaz e um choninhas.

 Ou seja, a rapariga é um desembaraço que só visto: é a única que anda de skis motorizados, em vez de mota de neve, e uma das poucas a manter a calma. 

Já ele, é o palerma da pandilha: tem medo de tudo, mesmo antes de chegarem ao asilo maldito. E quando as coisas ficam pretas, a namorada corajosa voluntaria-se para ir buscar ajuda (porque os maus sabotaram as motos e só escaparam os skis). Até aqui tudo bem, não fosse ao rapaz só lhe faltar chorar! Em vez de fazer alguma coisa, dar-lhe coragem, faz beicinho como uma donzela e balbucia "tem cuidado". ENTÃO?!

Snif, snif, que homem sensível...e choninhas.

Claro que é o próximo a marchar, retalhado vivo e guisado aos bocadinhos. Não merecia, ninguém merece, mas estava-se a ver que o darwinismo ia apanhá-lo. 

Não julguem porém que por morrer o choninhas, se acaba o espectáculo de homens ameninados. Enquanto o choninhas número 1 está a morrer aos gritos - situação ante a qual até o mais cobarde de nós saltaria de extintor na mão, ou o que houvesse, para libertar o amigo em apuros - as raparigas têm chiliques, ai que é uma armadilha de certeza, e decidem ir...a votos. Perante a passividade do suposto homem alfa lá do sítio, que deixa!

Ora, de um homem minimamente masculino o mínimo que se espera em tal apuro é que berre ao mulherio que deixe de ser coca bichinhos, e a eles como San´Tiago aos Mouros!

Vamos a votos: salvamos ou não o nosso amigo que vai ser guisado na panela?

 Depois lá apanham os psicopatas, prendem-nos numa cela e o rapaz, num assomo de sensatez, quer dar cabo deles  em legítima defesa. Até o Catecismo permite, em caso extremo, agir com força letal, não é? Mas uma das meninas tem um ataque zen de compaixão pelas minorias incompreendidas que se portam pessimamente: ai não, tu não és igual a eles, vais ficar com este peso na consciência?

E o choninhas número dois deixa-se convencer! Claro que não chega ajuda nenhuma: com tantos escrúpulos, os malvados soltam-se, dão cabo de toda a gente e o pobre rapaz que foi na conversa delas acaba feito em papas pelas amigas, que em estado de histeria completa, o confundem com um dos assassinos.

É claro que isto é um filme, mas diz muito sobre os novos "ideais" de comportamento, livres dos papéis de género tradicionais - ou será que os satiriza?

                     

Não me entendam mal - homem ou mulher, só os irresponsáveis não têm medo. E as mulheres devem aprender a defender-se, havendo ou não ajuda masculina por perto. Um homem tem tanto direito a ficar assustado como nós, e em caso de necessidade sou a primeira a saltar em minha defesa e dos outros, mesmo que "o outro" seja um mancebo espadaúdo - à carteirada, ao pontapé, com o que estiver à mão até porque tenho excelente pontaria e fanicos não são comigo. Mas se eu estiver (longe vá o agouro) a lutar pela minha segurança e o rapaz ao lado, a chorar e a tremer, aí já fico desagradada. E se o resto da mulherada entrar em pânico e não me der ouvidos, então espero que um homem se imponha pelo tamanho e pelo vozeirão para pôr ordem na capoeira, para o bem de todos. A genética e milhares de anos de hábito têm, porque têm, de contar para alguma coisa. Se não, mal estamos.

E como os choninhas agem nos filmes, é em tudo: à espera que as mulheres se adiantem, que façam, que obriguem, que facilitem, que decidam por eles. Nas relações, nas contas, nos projectos de vida, nos momentos críticos. Haver cada vez menos homens capazes de defender a tribo, com quem uma mulher possa contar numa aflição, isso sim é um verdadeiro terror...




1 comment:

Gata said...

Acho que a maioria das mulheres jovens já conta com isso!

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