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Tuesday, September 22, 2015

O grave complexo "imitação barata"



Oscar Wilde disse certa vez, aborrecido com um concorrente que o copiava à descarada: "a imitação é a mais sincera forma de elogio que a mediocridade pode prestar"

Isso poderá ser verdade, até certo ponto - ou pelo menos, ser-se copiado é um indicador de sucesso. Ninguém copia o que é insignificante.

Basta ver que muita gente prefere uma carteira de imitação - barata, falsa como Judas, pouco fiável - a um modelo anónimo de melhor qualidade, só para fingir um bocadinho da mística de uma Chanel ou de uma Hermès.

 Mas é claro, as marcas não gostam desse "elogio". 

Não tanto porque lhes "rouba o negócio" (quem pode comprar uma verdadeira não precisa de imitações) mas porque banaliza (afastando os clientes a sério) e em última análise, porque é insultuoso ver a sua criação roubada. Pior- não só roubada, mas transformada numa versão reles, usada por pessoas de gosto e hábitos questionáveis, que não compreendem que o luxo só existe se for verdadeiro e exclusivo. E que é um conceito um bocadinho mais complicado e intangível do que copiar atrapalhadamente os traços exteriores do modelo.

Pois o que acontece com as carteiras, acontece com as pessoas; sem tirar nem pôr. Há muito quem ache que para ter o sucesso de fulano, tem que
 imitá-lo. Ou até, no mundo do trabalho, roubar-lhe as ideias, transformar-se num clone mal acabado.

Este é um complexo raro e sério, que atinge homens e mulheres com um tipo de personalidade (ou falta dela) muito particular, mas que nunca é saudável.



 Vejo muitos artigos no feminino com a queixa "a minha amiga copia tudo o que eu faço/visto/etc". Estes casos são aborrecidos, são um bocadinho irritantes, mas poucas vezes merecem preocupação (a não ser que a "amiga" em causa entre em modo psicopata, estilo Jovem procura companheira). Por norma 
trata-se de almas carentes, inseguras e sem grande identidade que idolatram as pessoas de quem gostam, mas bem intencionadas. Sendo amigas de quem imitam tão desesperadamente, só precisam de uma valente sacudidela, e se calhar numa ajuda para ir às compras. Confrontá-las com sinceridade e dar-lhes um bom ralhete costuma resolver o problema.

 Quanto a outros "copiões" sem imaginação, porém ingénuos, normalmente cansam-se, porque só se pode imitar até certo ponto.

Mas bem pior do que os "macacos de imitação" são aqueles copiões doentios e mal intencionados, movidos pela ambição e pela inveja: os "copiões cucos".

  Cucos não copiam só porque admiram aquela pessoa e o seu êxito: copiam porque QUEREM SER essa pessoa, e de preferência, gostariam de a banir da face da Terra para tomar o seu lugar. Por norma, só começam a imitar quando decidem que o alvo da imitação tem algo que eles não têm e que gostariam muito de ter: um cargo, uma posição, a cara metade, os amigos, popularidade numa determinada área...



Ou seja, não se limitam a imitar: imitam para tentar competir com o original. É uma mistura de perturbação mental e atrevimento levado ao extremo, porque espera-se que, já que se vai tentar competir com alguém (sendo que essa pessoa pode estar a anos luz e não se rebaixar a tais "desafios") que o faça, ao menos, no seu próprio estilo.

Qual quê: accionam o assustador modo Talentoso Mr. Ripley e vai de copiar a forma de estar, de agir, de vestir do alvo. 

Um rapaz que sempre foi um brutamontes pode de repente tentar fingir-se muito cavalheiro, do mais refinado, se quiser a namorada de um homem que inveja de morte: esquece-se que roupa pode comprar-se, mas às vezes o que o berço dá, a tumba leva, e que pode tirar-se o rapaz do bairro, mas não se tira o bairro do rapaz...muito menos de um momento para o outro!

E uma rapariga que queira tentar algo parecido, para satisfazer uma obsessão ambiciosa e repentina, já se sabe que faz isto: compra roupas parecidaspor muito mal que lhe assentem; começa dietas malucas para tentar remediar a má genética e anos de maus hábitos; penteia-se da mesma maneira; começa a usar saltos quando sempre andou de ténis...tenta ser o que não é, age de forma postiça, esquecendo que o barro não é o mesmo por isso a louça será sempre outra.

O material é fraco, as intenções são as piores, por isso nunca acaba bem: o único remédio é apreciar o lado cómico das tentativas e deixar o mau barro pular à vontade, rolar, fazer piruetas, até que se escangalhe pelos seus próprios meios. Do ridículo ninguém os livra.




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