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Friday, September 4, 2015

Ouvido há pouco nas notícias: ó meninas, por amor da santa.


O testemunho da ex namorada de um homem  suspeito de matar várias mulheres, transmitido há instantes na televisão, é daquelas coisas que me fazem encaracolar os nervos.

Já se sabe que uma mulher carente (ou uma que dá largas à carência, que é normalmente o verdadeiro problema) tem mais facilidade em se deixar levar por contos do vigário. A quem está desesperada, tudo parece bom. E claro, predadores têm um faro apuradíssimo para detectar pessoas frágeis. Não que apenas mulheres (e homens) carentes, de meios pouco estruturados ou vulneráveis emocionalmente caiam nas garras de gente de má rês. Mas que é um factor de risco, é. Como diz o povo, "onde os vilões acham mole, carregam".

 Mas tenho para mim que uma mulher que é mãe deve ter o triplo das cautelas, por mais solitária que se sinta; revestir-se do triplo da dignidade; não pensar só na SUA solidão ou nas suas hormonas; saber, mais do que as outras, exercer a nobre arte de saber estar sozinha a não ser que alguém de muito merecimento apareça com boas e comprovadas intenções.



 Desta feita a mulher em causa era independente e vivia do seu ordenado sozinha com o filho. Aparece então o infame que começa a esperá-la à porta do emprego como um perfeito stalker (primeiro sinal de alarme; nenhum homem bem intencionado começa uma relação nestes termos ou pressiona demasiado para iniciar um namoro; se parece esquisito, geralmente é mesmo esquisito). 

Passo seguinte, desata a cobri-la de mimos prematuros, a convidá-la para sítios onde ela nunca tinha ido- e aqui achei graça à ingenuidade dela- "levava-me aos concertos do David Carreira e do Quim Barreiros" - é certo que gostos são gostos e lá por um homem levar uma mulher à ópera não quer dizer que não seja má peça na mesma, mas um concerto do Quim Barreiros não é exactamente o programa mais romântico nem respeitoso. As coisas tendem a terminar do mesmo modo que começam e encontros em lugares menos apropriados, escondidos ou onde se use certa linguagem nunca são boa pista. De qualquer modo, demasiadas (e repentinas) atenções podem ser um mau indicativo, logo segundo sinal de alarme.

E terceiro sinal de alarme, muda-se para casa dela, porque era de outra cidade e morava numa pensão. Hello, minha senhora, se um homem cai das nuvens, ninguém o conhece de lado nenhum e está logo disposto a mudar-se para sua casa, algo não bate certo. Até porque caso corra mal, não é tão fácil pô-lo fora como fugir de casa dele. Para não falar que um homem de brio não aceitará uma solução dessas assim, sem mais nem menos.

E neste caso, tratava-se mesmo de alguém já condenado por tentativa de violação e homicídio de uma menor. 

 Claro que a partir daí começou um inferno - de ameaças de morte a ela e ao filho a tirar-lhe o dinheiro, etc - com o costumeiro medo (que não deixa de ser compreensível) de se queixar às autoridades.

Até que- a sorte às vezes vem disfarçada de maldição - o malandro começa outra relação com a menina do supermercado, que conhecia o casal mas não se importou de se envolver com um homem comprometido. Como muitas que se sentem lisonjeadas por roubar o estafermo alheio, em vez de pensarem "um sujeito que faz isto à outra vai fazer-me a mesmíssima coisa".

 A namorada maltratada aproveitou a deixa para nunca mais lhe abrir a porta, apesar das ameaças. 

Ao saber que o ex ia mudar-se com a nova companheira para o Norte, ainda tentou avisá-la dizendo que ele a tinha feito comer o pão que o diabo amassou.

 Mas a outra, julgando "tu tens é ciúmes" entrou em modo competição feminina e respondeu "o problema é meu".

E foi mesmo problema dela, porque a pobre coitada acabou assassinada e abandonada numa mata...

 Ninguém está livre de cair nas mãos de um facínora. Porém o juízo, a sensatez e as lições de dignidade feminina que as avós tanto inculcavam não são só uma questão de "moral" , "reputação" ou "elegância", nem mera receita para a felicidade conjugal. Às vezes ter esses princípios e valores bem presentes pode prevenir coisas graves como esta. O desespero, a credulidade, a insegurança e a competição femininas são território fértil para atrair más pessoas. E desgostos que se podiam facilmente evitar com um pouco de prudência.







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