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Friday, September 25, 2015

Parece treta new age, mas não é: nothing changes if nothing changes


Voltei a  ouvir esta frase hoje, e é uma daquelas que parecem um lugar comum sem grande sentido, estilo guru de social media

Até porque se trata de um raciocínio simplório de todo, que se pode fazer cada dia a propósito das coisas mais triviais. Mas olhando bem, tem muito que se lhe diga. "Nada muda se nada mudar" ou seja, se queremos modificar uma situação repetitiva ou estagnada é preciso alterar alguma coisa, já que a mesma fórmula leva inevitavelmente ao mesmo resultado.

Se uma cozinheira de gabarito quer fazer o seu famoso bolo de chocolate, vai usar a receita de sempre. Mas se quiser trazer uma novidade, dar-lhe um upgrade para surpreender a clientela do seu restaurante, vai ter de acrescentar qualquer coisa nova - criar a sua versão de bolo de chocolate ao rum, por exemplo. E se a concorrência estiver brava e ela decidir apostar forte nas sobremesas, precisará de introduzir mudanças maiores: além dos dois bolos de chocolate, pode criar um pão de ló frio com morangos e nata batida verdadeira de levantar os mortos, ou recuperar o doce de ovos da sua bisavó...e publicitar tudo isso o melhor que puder, para que os habitués da casa saibam que algo mudou.

 E já que estamos a falar de doces, uma vez entrevistei uma médica nutricionista que recomendava aos seus pacientes uma dieta super aborrecida para mandar embora aqueles quilos teimosos. Indicava comer muitas vezes, logo fome não se passava, mas nas primeiras semanas, açúcar... zero. Nem na fruta. Nem um compalzito de pêssego entre as refeições. Eu que sofro cá das minhas hipoglicémias achei aquilo algo exagerado e perguntei-lhe o porquê de tanto rigor, já que um sumo nem tem tantas calorias como isso. 

E ela respondeu-me "pois não tem, mas como o corpo se tornou preguiçoso temos de ser duros com ele, de lhe dar um choque, de lhe dizer que algo mudou. Aí ele fica aflito, vai buscar as reservas de gordura e só então se notam resultados".

Esta de "falar" com o próprio corpo nunca mais me esqueceu, mas é apenas um exemplo. Não é só o organismo que fica preguiçoso, mal habituado, preso ao rame-rame, na zona de conforto, a tomar tudo por garantido por muito mau que isso seja . Somos nós próprios, é a vida, são as carreiras, os relacionamentos, a sorte (para quem acredita nela) os projectos, os conflitos (os de cada um e os grandes, entre países) e as pessoas que fazem parte da existência de cada um.

E o remédio? O que está parado, agita-se. O que é previsível, contraria-se. O que anda muito descansado, prega-se-lhe um valente susto. Quem não está bem, muda-se. Ou muda alguma coisa. No news is good news, mas uma monotonia de lesma não costuma indicar nada de bom. Água parada fica choca, e sendo o nosso organismo composto de tanta água...façamos as contas.




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