Recomenda-se:

Netscope

Sunday, September 20, 2015

Paulo Portas, o "opressor" da semana, dixit.





Esta semana caiu o Carmo e a Trindade quando Paulo Portas, num almoço com mulheres em Vagos, ousou comparar o desempenho do governo ao de uma boa dona de casa, aludindo ao papel feminino tradicional: "as mulheres sabem que têm de organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos". Zás, começou o mimimi

Política à parte, que o palavrão não é para aqui chamado, ver tanta virgem ofendida parece-me quase cómico, por três razões.

 Primeiro, a hipocrisia e o wishful thinking

Até parece que o mundo mudou tanto que as mulheres, super independentes, estão totalmente afastadas do governo doméstico. A verdade é que não estão. Uns acharão isso bom, outros mau (eu acho óptimo desde que haja a devida divisão de tarefas ou o apoio de uma senhora da limpeza capaz, caso os dois elementos do casal tenham emprego) mas se quisermos ser 100% honestos,  todos sabemos que regra geral, são as mães que mais gerem esses aspectos. Basta ver que por este planeta fora, as empresas que se dedicam a proporcionar acesso ao microcrédito a famílias carenciadas estão focadas especialmente nas mulheres. Afinal, são elas que lidam mais proximamente com as necessidades básicas da casa e que por norma, mostram ser melhores gestoras - a experiência provou que atribuindo o crédito aos homens, havia mais chances de o dinheiro ser torrado em disparates.

Haja ironia para lidar com tanta hipersensibilidade...

Eu sei que adoraríamos poder dizer que somos um país europeu, super sofisticado, a anos luz da realidade da Índia ou do Bangladesh, mas vá lá, sejamos humildes.

Segundo, pelos valores invertidos disto tudo: então é suposto uma mulher descabelar-se por lhe dizerem que ela tende a ser mais intuitiva e carinhosa, a importar-se com uma gestão eficaz de recursos, com a maternidade e com cuidar dos mais fracos? Ser, entre outras coisas, o "anjo do lar" é um insulto? Não sei que geração de super mulheres frias e sem coração querem criar. Perdão, esquecia-me:o modelo, o ideal de hoje é a generala que só quer saber da carreira, de ter imensos casos amorosos, etc . Devo andar equivocada, já que me educaram para achar que ter um percurso profissional e alguma independência não implica deixar de ser feminina e preocupada com os velhinhos e as crianças da família como é minha obrigação. My mistake.

E terceiro, porque nunca deixa de me surpreender como é que as mulheres andam sempre na defensiva se já provaram que são perfeitamente capazes de pilotar aviões, fazer descobertas científicas, governar países, de fazer história, em suma. Saltam da cadeira, aflitíssimas, à mínima alusão a um papel mais tradicional (que confundem com ser um capacho) ou à disposição biológica para a sensibilidade e a maternidade, como se as quisessem fechar na cozinha em regime de escravatura. Se estão tão seguras das suas capacidades, do seu poder, da relevância do seu papel na vida pública, não precisam de provar nada a ninguém. Volto a Margaret Thatcher, que de manhã dirigia batalhas e à noite lavava a louça: "ser poderosa é como ser uma senhora: quem o é não precisa de o afirmar". E repito, uma mulher realmente poderosa não se melindra por coser um botão. Ou por ser carinhosa com o marido, os filhos e os avós.

Talvez Paulo Portas devesse ter acrescentado um "também" à frase, para não soar tão redutor às mentes mais sensíveis. Mas para quem lê nas entrelinhas e não sofre dessas inseguranças, não há aqui nada de insultuoso. Pelo contrário.





1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Também não achei insultuoso, até pelo contrário, mas bem, já sabemos como o pensamento extremado feminista funciona.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...