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Thursday, September 17, 2015

Tirem-me deste filme: o inferno são os outros.


Há filmes que é melhor não ver à noite, e há filmes que se calhar é melhor não ver de todo. Mas fiada nos meus nervos de aço e na mania de que (fora coisas parvas tipo Saw ou Hostel ) não existe película que me incomode, em geral só evito enredos que não tenham nada a ver comigo. Para economizar tempo e paciência, apenas vejo filmes cujo tema me agrade e que tenham boa fotografia.

Apesar de o assunto não me dizer muito, a curiosidade levou-me a ver este, mas no espírito "desisto a meio de certezanão vou ter paciência para um pobre coitado fechado duas horas numa caixa enterrada no meio o deserto sem se mexer". Não porque sofra de claustrofobia ou coisa parecida - as cãibras devem ser terríveis, porém com a urgência de arranjar modo de escapar dali talvez não houvesse ocasião para aparecerem - mas porque cinematograficamente falando, é uma seca monumental. Não há mudança de cenário, nem outras personagens, nada. 

Enfim: lá pensei "o desgraçado do protagonista, com o pânico, vai começar a ver a sua vida a andar para trás e a ter flashbacks"...e cá vai disto. Só que não.

 O infeliz está realmente o tempo todo deitado no caixote e os outros intervenientes apenas são conhecidos via telefone. Mas como o guião é bem escrito, o espectador acaba por se envolver mesmo. E acontece a experiência angustiante que se espera de um filme cuja premissa é "um azarado é raptado e enterrado vivo no deserto", que ainda por cima *ALERTA SPOILERS* acaba estupidamente mal.


 Porém, o pior não é isso. Mais enterrado menos enterrado é como o outro, uma pessoa começa a imaginar que no lugar dele entrava em modo Rambo ou MacGyver e alguma coisa havia de se arranjar. Se tudo corresse mesmo mal, fazia as pazes com o Criador, rezava para se entreter e fosse o que Deus quisesse. Mas parece que o protagonista não é religioso, nem sequer uma pessoa toda new age que se sirva de mantras ou do pensamento positivo, o que torna tudo mais deprimente.

 O piorzinho do piorio é que, com um telemóvel velho como único contacto com o mundo (e meio de ser encontrado) o desinfeliz tem de depender dos outros e tentar explicar a sua situação a gente estúpida. Chamadas internacionais já são o que se sabe (um grande viva ao Skype) mas lidar com pessoinhas complicadas via telefone é obra. De burocratas que o põem em espera à família que, azar dos Távoras, naquele dia esquece o telemóvel em casa, o que me afligiu realmente foi isso.

Sabem quando temos urgência em qualquer coisa e o mundo decide não atender, estar para fora ou ficar pouco esperto e não perceber NADA do que queremos? Uma pessoa numa aflição desgraçada e tudo nas calmas, para no fim dizer "pensava que não era nada grave"? É de doidos, não é? Pois. 

É de dar o último suspiro pensando "Meu Deus, o mundo está pejadinho de idiotas".

Moral da história, fiquei tão indisposta com o diabo do filme que não caio noutra. Se a história não me atrai, mais vale estar quieta. Acho que não precisamos de nada que nos faça descrer mais ainda da Humanidade...


1 comment:

Carla Santos Alves said...

Eu já vi o filme e desesperei, aliás até fiquei mal disposta.
E chamem-me o que entenderem mas eu recuso-me, de há uns tempos para cá, a ver filme que me estraguem o sistema nervoso. Agora só gosto de comédias.

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