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Saturday, September 12, 2015

Três tendências que talvez seja aconselhável não experimentar (às cegas).


Digo muitas vezes por aqui que aprecio a liberdade e criatividade, em termos de tendências e styling, de que temos gozado nos últimos anos. Dos "ugly shoes" aos scarpins mais clássicos e delicados, das calças de couro a saias de todos os modelos e feitios, do grunge ao ladylike, influências (e peças) das mais diferentes décadas...nada é real, tudo é permitido. Várias causas contribuíram para essa variedade de opções, incluindo a popularidade do streetstyle, que acaba por influenciar as próprias casas de moda e vice versa. Se uma it girl com muitos seguidores resolve reciclar, digamos, uns saiotes da avó e usá-las com o sapato must have da estação numa qualquer fashion week, facilmente se torna viral via social media. É o reinado da espontaneidade, do mix and mash.

 Mas é claro que onde existe muito por onde escolher, se impõe muito bom senso. 

Tanto as mulheres que têm um estilo próprio e intemporal com pequenas actualizações como as fashionistas que gostam de testar e variar, brincando com as novidades mais arriscadas e passageiras - ou mesmo as mulheres somewhere in between - precisam de ter dois aspectos em conta:

A)- Nem tudo o que se vê nas imagens de streetstyle ou nos sites tipo lookbook (tal como o que aparece nos editoriais de moda) é realmente para usar por aí. Vulgo vestidinho super leve + botas lindas, mas quentes num calor de 40 graus. Esteticamente fica um espanto, claro. É razoável andar assim? Não creio.


Muitas trend setters fazem essas combinações apenas para captar a atenção dos fotógrafos, ou para criar imagens interessantes para os seus blogs (eu própria elaboro coordenados só para praticar e tenho algumas peças que comprei por curiosidade/coleccionismo ou para retratar, mas que dificilmente vestiria a não ser num contexto muito específico). Além disso, não esquecer que muitas celebridades do streetstyle têm a benesse de receber bastantes ofertas para divulgação. O botim peludo Fendi não lhes custou um cêntimo, logo podem brincar com ele à vontade; mas quem 
quiser comprar igual ou parecido tem de pensar que utilidade dará a uma coisa dessas.


B) - Não esquecer que para tirar o máximo partido de qualquer tendência há que nunca perder de vista as proporções e ser super rigorosa para determinar se se adapta à sua silhueta (ou não). Se uma novidade, por interessante que seja, achata, engorda ou a deixa sem graça ou desengonçada, prescinda dela. Por vezes até as editoras de moda arriscam demasiado, usando peças que as deixam menos elegantes. Better safe than sorry.


Vejamos então três tendências do momento que é melhor tomar com um grão de sal:


1- Culottes
Não detesto os culottes. Já vi alguns pretos ou khaki, até com laçada na cintura, que usados num look monocromático e com umas nude sandals ficam fantásticos. Não esquecer, porém, que exigem uma silhueta delgada e peças simples, que alonguem a figura. Não sendo assim, só as raparigas altíssimas e muito magras escaparão incólumes com eles, e mesmo essas...
 Evite-se portanto coordená-los com botins que "cortem" a perna, sapatões, e por aí fora.


2 - Pinto calçudo

As calças flare, boca de sino e pata de elefante são adoráveis, mas a regra manda que sejam longas para fazerem o mesmo à silhueta. Já vimos estas versões curtas nos anos 90 e passaram de moda por boas razões. Podem ficar engraçadas com o tipo de sapato acima e/ou em algumas manequins, mas o mais certo é não gostar de se ver com elas. 

3 - O look à tia Leontina
Ou à tia Serafina. Ou tia Clementina que tem poderes mágicos como a Mary Poppins. Ou tia Capitolina que por acaso calçou os ténis do Joãozinho. Nada contra os "vestidos da avó". Estão na moda há uns anos e, se ajustados à medida (ou seja, não deixando que fiquem demasiado soltos) e com o calçado e acessórios apropriados, podem resultar muito bem. Mas há que fugir do look total: se o "granny dress" é fechado como um vestido de governanta, as mangas não devem ser volumosas. Em todo o caso, os mais bonitos têm um pequeno decote e convém usá-los com um calçado de linhas simples, mas um pouco mais trendy (e um bocadinho sexy) para quebrar o efeito caricatural: scarpins bicudos de salto alto, por exemplo. Assim evita-se o efeito, como diria o Ricardo Araújo Pereira, "visto de trás parece uma velha" (sem ofensa...).

2 comments:

Carla Santos Alves said...

Adorei o post, adorei ainda mais oaobservaçso das botas com vestidinho de verão. Sempre me perguntei de era exequível para as mulheres que são mães, trabalham...eu adoro botas, mas seria impensável no verão.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Carla. Cada uma sabe de si (e poderá haver mulheres mais corajosas ou com pés mais resistentes do que os meus) mas eu diria que não! Com muita pena minha, porque também adoro botas, acho que só é possível para tirar um instantâneo e descalçar logo a seguir. Aqui entre nós, acho que é isso que fazem porque raramente vejo alguém assim na rua ;).

As únicas que consigo usar são de lona, com meias de algodão por dentro. É como calçar uns ténis. Ainda hei-de arranjar umas assim de cano mesmo alto, só por curiosidade...

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