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| Claudia Cardinale |
Por aqui não se fala muito de "sensualidade feminina", por duas razões: a primeira é que a palavra tem sido batida à exaustão e de tal maneira que recupera a sua conotação original - que é negativa, no sentido de uma sensualidade bestial e grosseira. As mulheres mais vulgares são automaticamente chamadas "ousadas e sensuais". Se um homem quer elogiar mas é um bruto sem maneiras, dirá logo "és (ênfase no "tu") muito sensual" (e se um desconhecido vos disser tal, isso não é Impulse; é sinal de alarme para pôr o galã a andar).
A segunda é que sensualidade anda de mãos dadas (ou é uma consequência natural) do exercício da feminilidade e da beleza. Está implícita.
Ser discreta, elegante e feminina não significa ser demasiado austera, uma Rainha do Gelo, ou deixar de ser sexy. Há o sexy vulgar e o sexy discreto, que é inato numa mulher cuidada e confiante. Há o sexy óbvio e fora de propósito, e aquilo que se deve guardar para a privacidade de cada uma. Em muitas raparigas e mulheres, quase é mais necessário disfarçar um pouco a sensualidade exuberante do que realçá-la. A vaidade e a soberba são grandes armadilhas para isso, e em casos assim a mulher terá mais a ganhar se deixar transparecer também outros aspectos da sua personalidade: a bondade, o intelecto, a serenidade...
Mas há outras tantas senhoras e meninas- e fico surpreendida de conhecer algumas- que afirmam nunca se terem sentido sexy, ou terem deixado de o sentir após uma crise pessoal, um problema de saúde, a maternidade ou o fim de um relacionamento. Sentir-se sexy anda sempre lado a lado com a auto estima, com a autoconfiança. Uma mulher que se sinta tão sexy como uma batata crua, mal amada ou menos bonita, não pode agradar à pessoa que tem a seu lado - ou se estiver sozinha, dificilmente vai atrair o homem dos seus sonhos. E embora beleza ou sex-appeal sejam uma pequena parte da vida, afectam a confiança em todas as áreas. Quem está em baixo pode ter mais dificuldades em mostrar o melhor desempenho no trabalho ou dar o seu melhor junto da família, ser menos paciente e caridosa para com os outros, e por aí fora...
E quando é assim - ou porque os maus momentos assistem a todas e practice makes perfect - há que exercitar a feminilidade.
1- Be italian- apurar os sentidos
"Sensualidade" está ligada aos 5 sentidos, a um certo hedonismo. Uma mulher sensível ao que a rodeia, cheia de vida, torna-se muito mais apelativa do que uma enjoada que torce o nariz a tudo. Os italianos são peritos nisso: apreciar a boa comida, a boa música, os bons vinhos, os bons perfumes e outras pequenas alegrias (como o café pela manhã, um passeio no campo ou a brisa do mar) deleitar-se com o toque de um tecido suave, em suma, tirar partido dos luxos - tantos deles gratuitos - que a vida oferece, pode fazer mais pela sensualidade feminina do que coisas artificiais, estrambólicas (e decididamente vulgares) como aceitar a sugestão daquela amiga bem intencionada, mas tola, para "fazer um book sexy" ou "ter aulas de dança do varão" (o que não tem grande utilidade a não ser que se considere mudar de profissão - aí eu guardo a minha opinião comigo e não digo mais nada...).
2 - Em vez de fazer queixinhas, fazer exercício
Sobre isso, muito já foi dito por aqui. É muito mais fácil sair todos os dias, vestir todos os dias e olhar para o espelho com confiança se se gostar (e gostar realmente) daquilo que o espelho mostra. E quem treina em casa, o que é super aconselhável a quem é disciplinada, pode aproveitar para o fazer ao som da musiquinha mais sugestiva e serpenteante de que se lembrar.
Certos ícones pop não são grandes exemplos para os adolescentes, mas têm música excelente para estas ocasiões - qualquer álbum das Pussycat Dolls ou afins transforma uma sessão dolorosa de exercício em algo bem divertido (além de manter os olhos e os ouvidos focados no objectivo, porque as Pussycat Dolls eram mesmo giras e com tudo no devido lugar).
3 - Dançar (nem que seja sozinha)
4 - Maquilhagem, cabelo, estilo, direita, volver!
Uma mulher deve ser absolutamente implacável, estilo exterminador, contra o desleixo. O desleixo mata as mulheres por dentro, torna-as desagradáveis por fora e invejosas umas com as outras, destrói casamentos e é a raiz de tantos males que um post bem grande não chegaria para os mencionar todos. É preciso estar - sem stressar por isso - sempre preparada, tão impecável quanto possível. Da roupa interior à maquilhagem, tudo, mesmo o que não se vê, deve contribuir para trazer um sorriso no rosto. Há que sair de casa como se se estivesse prestes a encontrar a sua pior inimiga - ou o homem perfeito.
5- Caminhar sedutor, ma non troppo
Bem dizia Oscar de la Renta, "caminhe como se tivesse sempre três homens a
observá-la". Porém, muitas mulheres fazem isto da maneira errada. A sua ideia de "andar sedutor" é imitar (muitas vezes mal) um anjo da Victoriá Secret ou pior, bambolear-se! Esta é uma tendência tonta a combater custe o que custar, porque parece vulgar e até ridículo...
Por vezes pode ser complicado, é verdade- as ancas femininas têm um "balanço" natural, e o uso de saltos altos provoca automaticamente esse efeito. Mas por isso mesmo é preciso mantê-lo sob controle. Basta caminhar com elegância e segurança, que o resto está lá. E já se sabe, não é preciso andar sempre de saltos, muito menos de saltos matadores.
6 - Na dúvida, o mistério cai sempre bem
Todas adorariam ter uma confiança à prova de bala, movimentos suaves e seguros e as respostas perfeitas como nos filmes sempre na ponta da língua. Mas a verdade é que somos humanas e aceitar a vulnerabilidade feminina - um dos maiores atractivos da mulher - é meio caminho andado para estar sempre à vontade e diminuir a pressão. Corar, não saber o que dizer (o silêncio e um sorriso tímido são mais eficazes do que um discurso atrapalhado) tropeçar nos saltos em terreno acidentado, tudo isso é normal e natural - na realidade, até convida ao cavalheirismo. Ser tão serena quanto possível e lacónica, mas amável, é uma boa receita para começar. A subtileza nunca atrai problemas e deixa sempre os outros intrigados. E para ter uma presença agradável ou aparentar confiança em qualquer situação constrangedora, pensar em coisas boas (o gatinho de estimação, sapatos Gucci, cantar para dentro a canção preferida) ou sexy (o actor preferido, lingerie da Agent Provocateur) é um santo remédio.
7- Sentido de humor
Não é preciso ter o papel de rapariga divertida de serviço - ser um pouco palhacita nem é muito feminino, e o espalhafato é de evitar...
Mas rir das pequenas contrariedades, encontrar o lado divertido das coisas, ser expressiva e espontânea ajuda a que o encanto pessoal, os detalhes interessantes da personalidade transpareçam naturalmente. Além disso, ninguém gosta de estar junto a quem parece arrastar uma nuvem negra presa por um cordel...








