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Saturday, October 24, 2015

A caridade começa em casa




Ser generoso com o próximo na medida das posses é uma obrigação de cada um; ser muito generoso é uma grande qualidade. Mas por vezes o verdadeiro desafio está em aplicar também a caridade  no círculo mais íntimo, onde ninguém vê (logo, as recompensas, louvores e agradecimentos são menores) e a bondade é testada todos os dias.

 Embora não ficar indiferente à necessidade de estranhos tenha mérito, é relativamente fácil a qualquer pessoa bem educada e com o mínimo de empatia ser um amor com o sem abrigo que se encontra uma vez, com a idosa que se ajuda a atravessar a estrada ou dar uma quantia para obras sociais; essas generosidades tomam alguns instantes, alguns euros e aliviam a consciência. Se tais gestos dão nas vistas hoje em dia, é porque o mundo vai de mal a pior...

Mas mais complicado é ser doce e tolerante com o avô que coitado, já não está na plena posse das suas faculdades e todos os dias repete as mesmas histórias, com a mulher que anda embirrenta, com os filhos teimosos, enfim, com todo um encher de paciências adicionado às dificuldades do quotidiano que todas as famílias enfrentam, ricas ou pobres. 



Recentemente li -  já não recordo onde -  uma história do antigamente, precisamente sobre isso. Havia uma senhora da melhor sociedade que se entretinha imenso com obras solidárias, o que está muito bem. O pior é que tão entretida andava que esquecia as suas outras obrigações; não lhe sobrava tempo nem meios  para pôr ordem em casa, por isso o pessoal doméstico fazia o que queria, estava tudo desarranjado e a família ficava até altas horas sem jantar nem assistência. Além disso, ao chegar dos seus asilos, quermesses e orfanatos, vinha tão cansada, tão cheia dos problemas dos outros, que não lhe restava tolerância alguma para dar atenção à cara metade nem aos pequenos...

 Um dos "lesados", que era mais esperto e tinha a desenvoltura da inocência, vendo que ao chegar a casa, a mãe que se pretendia carinhosa só tinha refilices e ralhos, não se conteve e disse:

" Ai mãe, os seus protegidos têm muita sorte. Se eu fosse um enjeitadinho, que bem tratado seria!".

(Assim de repente, pergunto-me se os filhos de Angelina Jolie terão tiradas semelhantes).

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