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Friday, October 16, 2015

A triste sina de um homem banana.



"Uma mulher, que teria tido estofo para governar uma nação, casou-se com um rapaz novo, empregado dos correios. No seu serviço ele era muito apreciado, mas na família perdia terreno de ano para ano. A educação dos filhos, etc...tudo era obra só da mãe. Quanto mais independente e seguro se tornava pela sua profissão, mais dependente se tornava no sector doméstico. Quando no princípio do matrimónio podia cultivar sozinho um pedacito de terra, como ocupação dos tempos livres, depois de 40 anos de casado já não sabia onde nem quando se arava, se ceifava, se semeava. A mulher tantas vezes lhe mostrara que «tudo fazia mal» que o homem perdeu toda e qualquer segurança e agora era simples executor de ordens".


Ernst Ell, 1972

Casos destes há aos montes. Recordo-me em particular de um jovem casal de médicos que estava noivo- ele um amor de pessoa, honesto, claramente bem educado, mas fraco em tudo. Pequenino, magrinho e lourinho, menino da cidade, fazia um amplo contraste com a futura mulher, mocetona do campo feita doutora, morena e roliça, trapaceira que Deus nos livre (com aquela cupidez aldeã que dá mau nome à honrada gente da aldeia) muito vaidosa da sua nova posição sem ter refinado as maneiras. Um verdadeiro "nunca sirvas quem serviu"...uma megera! O pobre não era tido nem achado em nada e àquela bruxa, só faltava berrar ao futuro marido que se calasse.  

 Ao que sei o rapaz, que devia ter um bom anjo da guarda, uma família muito atenta que lhe puxou as orelhas ou um macho alfa escondido algures naquele cabedalinho de periquito, não chegou a casar. E seria uma pena se tivesse ido para a frente com tal ideia, porque me pareceu de facto ser boa pessoa...

 Ora, a bananice, a passividade, a fraqueza, a indolência que conduz à falta de dignidade - tal como o autoritarismo, o despotismo e a impertinência que tornam a convivência impossível-  não são defeitos exclusivos de um sexo ou do outro. 

Sempre houve homens beta (vulgo paspalhos) e mulheres excessivamente gentis (vulgo tapete); sempre houve homens tiranos (a julgar que são alfa) e mulheres mandonas (vulgo generalas). O excesso de uma coisa ou de outra nunca foi bom, assinale-se...e para além de haver tantas preferências como pessoas, quem é muito autoritário, seja homem ou mulher, tende a escolher quem pode manobrar ou dominar. 

Simplesmente, os papéis tradicionais de género eram mais vincados o que (pondo de parte os tais exageros que nunca dão bom resultado) fazia com que a sociedade lá fosse funcionando. Os homens eram encorajados a ser homens e as mulheres, mulheres - o que contentava a tradição e a natureza...

 Hoje, mercê de uma igualdade descompensada em termos de comportamento (que nada tem a ver com a justa igualdade de direitos e deveres) tornou-se muito menos estigmatizante - é até encorajado - que um homem seja comodamente banana e ameninado. Todo pela igualdade...para o que pensa que lhe convém, como já vimos.




Há dias um blog que até aprecio, apesar da sua maneira brusca de pôr as coisas - pois é escrito por um homem que não se ensaia de dizer o que é politicamente incorrecto - saiu-se com um texto que a brincar (e cá com os meus botões, espero que seja a brincar) explica como a igualdade matou o cavalheirismo. E tristemente, é verdade. 

O blogger - honra lhe seja feita - teve a coragem de pôr, preto no branco, o que pensava, que é o que muitos pensam hoje em dia: "É eu apanhar-me num naufrágio a ver se cedo o lugar na fila dos botes salva-vidas. Até passo à frente, se for preciso! Derrubo duas ou três velhas e mando uma grávida borda fora". 

E que tem isto a ver com ser banana, já que mandar uma grávida borda fora parece bastante assertivo (mau, mas assertivo?). É que quando se fala de hombridade, força e delicadeza andam juntas. O homem que é masculino que chegue para impor respeito nunca se colocaria em pé de igualdade com quem é fisicamente mais fraco. Para essa capacidade de auto domínio, de noção da própria força, de sacrifício- que é a essência do cavalheirismo - é preciso coragem. É preciso...ser homem. 

E o homem paspalho é, por muito valentão que até pareça, um cobardolas e um egoísta. Atenção, que nem todos os homens bananas pecam por ser demasiado bonzinhos. Há quase sempre um fundo de velhacaria nisso tudo.




Então analisemos o homem banana, o homem paspalho, o homem beta todo a favor da igualdade absoluta (porque a igualdade lhe dá jeito). 

O homem beta toda a vida preferiu as mulheres ultra independentes e mandonas: as que o convidam, tomam a iniciativa toda e se arranjar uma que o sustente, tanto melhor, porque orgulho masculino é uma coisa ultrapassada e arcaica. Atenção: não digo que uma mulher não tome sobre os ombros todo o sustento da casa se a situação o exigir, mas a longo prazo...se a total dependência feminina não é desejável, não há nada mais decadente do que um homem sentado no sofá enquanto a esposa se esfalfa! E não se enganem, muitos lá por serem pela igualdade não tomam o caso a sério quando se trata de lavar a louça e mudar fraldas...

Pois bem, lá no fundo o homem banana gostava era de não fazer nenhum. De não se responsabilizar por nada, nem pelo relacionamento, para poder "safar-se" de fininho quando bem entender. É o tipo que, caso haja guerra, dá um tiro no pé para não se arriscar e se manifesta pela paz enquanto os homens - e até mulheres -  dão o sangue.  Em boa verdade, não se ralaria minimamente de ser sustentado, paparicado e trazido ao colo por mulheres. Então, como é demasiado passivo para conquistar raparigas, escolhe uma mulher da luta que ande atrás dele, a que estiver mais à mão, mesmo que não esteja muito apaixonado. Ainda que profissionalmente se comporte como um macho alfa e um brutamontes (e não faltam por aí homens de autoridade que no fundo são uns pés-de-salsa) na realidade gosta que façam tudo por ele. Ter palavra, proteger o clã, dar o peito às balas, ser firme...não é com ele. Só terá uma atitude aparentemente masculina- que na realidade é bruta e selvagem - se o seu conforto for ameaçado. Por isso, instala-se confortavelmente com uma mulher mandona, para poder continuar a proceder como o capacho que na realidade gosta de ser. Ou que lhe dá menos trabalho ser. 

                                          

E está-se mesmo a longo prazo isso não resulta. Bem lá no fundo, o homem banana acaba por se ressentir. Aceita essa realidade porque é demasiado preguiçoso, porque lhe falta dignidade, mas às vezes gostava de dispor também, de ter um papel mais masculino, de ver a mulher rendida. Alguns vingam-se fazendo tropelias pelas costas e arranjando complicações financeiras do arco da velha em caso de divórcio.

Por sua vez, por muito autoritária que seja - e às vezes, quanto mais forte a personalidade dela, melhor lhe faria um homem a condizer - a mulher gostaria de ter um companheiro em quem confiar, que a apoiasse, que lhe tirasse o fôlego no bom sentido, que decidisse por ela ao menos de vez em quando para lhe aliviar o trabalho dos ombros, que a defendesse, que pusesse ordem na capoeira quando a pequenada está toda aos guinchos, enfim...

Chega a lamentar não ter fugido com o bad boy do liceu, que esse era mau caminho, mas ao menos fingia ser masculino! E frustrada, se for realmente uma generala, acaba por desprezar o companheiro, esborrachá-lo, acachapá-lo, deitar o desgraçado abaixo sempre que pode, usá-lo como um trapo vil.

 Como alguém disse, "as mulheres tentam que os homens se tornem iguais a elas, mas quando isso sucede, já não gostam deles". Eis a sina dos bananas, a quem o excesso de igualdade e de facilidade parece tão conveniente...








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