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Friday, October 23, 2015

Bons exemplos: as mulheres de Mr. Selfridge


Quem acompanha esta série encantadora com olhos de ver, achará interessante, do ponto de vista feminino, a época em que a acção se desenrola neste momento (após a I Grande Guerra). A Belle Époque tinha ficado definitivamente para trás com o início do conflito e as mulheres, após terem assegurado a sobrevivência das famílias juntando-se à força de trabalho, enfrentavam agora uma série de contradições: voltar ao lar ou continuar uma carreira e ter um maior papel público na sociedade? E estaria o mercado de trabalho preparado para receber de volta os homens que tinham ido à guerra, quando alguns postos até então exclusivamente masculinos eram agora ocupados por mulheres? Dá que pensar...e para estabelecer alguns paralelismos!

Os fãs (eu incluída) tiveram muita pena que a formidável Lady Mae se ausentasse nesta temporada - parece que a actriz foi mãe e se encontra na Austrália - mas enquanto se aguarda o seu regresso, há várias personagens interessantes para seguir de perto, quase todas com bons exemplos de comportamento que podem ser perfeitamente seguidos pelas meninas e senhoras de hoje.

Miss Mardle, uma mulher sensata e bondosa



Mulher de carreira competente e sempre pronta a ajudar os subaternos, a responsável dos acessórios começa por dar um mau passo - tendo, durante muitos anos, um romance secreto com um homem casado que lhe promete sempre legalizar a situação quando a sua esposa doente deixar este mundo. Só que quando o amante, o colega Mr.Grove, fica viúvo, escolhe antes casar com uma ingénua empregada da loja, pois deseja ter filhos. A pobre Josie percebe que gastou a sua juventude e ainda tem o desgosto de Mr. Grove lhe propor que continuem juntos às escondidas. É nessa altura que toma uma dose de realidade e mostra aquilo de que é feita: recusa categoricamente tal situação e refaz a sua vida, não guardando, no entanto, rancores. Consegue mesmo ser amiga do ex namorado e da esposa, que ajuda e influencia para o bem por várias vezes. A sua serenidade e bondade acabam por ser recompensadas: torna-se herdeira do património do irmão, é promovida a chefe do departamento de moda e vive a sua vida como uma mulher independente numa altura em que ser "solteirona" era mal visto, sem nunca se amargurar, dar nas vistas nem descontar nos outros.


Violette, a herdeira em conflito

Depois de perder a mãe, a jovem filha de Mr. Selfridge fica um pouco perdida e começa a fazer disparates, envolvendo-se com um antigo empregado do seu pai (que é bom rapaz, mas tem muitos problemas em mãos e não lhe pode oferecer uma vida tranquila). Violette, como menina mimada, rebela-se:  por um lado, gostava de ser como as mulheres fortes e capazes que a rodeiam, que têm uma carreira e uma vida emocionante; mas por outro não se acha capaz de ir além do seu papel de senhora de sociedade, com festas de caridade e compras. O pior é que não faz nem uma coisa nem outra! É uma queixinhas que dá dores de cabeça a toda a gente. No entanto, mostra ser prudente quando aceita o conselho da família para conhecer melhor um atraente visconde francês - aviador, aventureiro, mas homem mais velho, compreensivo e firme, que a aprecia pelo que ela é e que acaba por guiá-la no bom caminho. Junto de um homem responsável, realista e de meios, mas que tem a dose certa de aventura na sua vida, ela encontra aquilo de que precisava. Por vezes, saber deixar-se influenciar para o bem é tão sábio como ser sábia em primeiro lugar.


Rosalie, uma boa esposa

Casada com um belo príncipe russo -  de bom coração, mas falido e sonhador - a filha mais velha do dono do Selfridge´s podia facilmente sucumbir aos momentos que a cara metade se ressente de depender do sogro, prejudicando a família com as suas tolices impulsivas. Mas Rosalie, meiga e calma, age com sensatez: em vez de achar que sabe tudo, como tantas recém casadas, apoia-se na avó e na sogra para a ajudarem a governar a casa e a compreender as subtilezas do marido, Serge. Depois, vê apenas o que há de bom nele e acompanha-o, apoiando os seus sonhos enquanto o puxa subtilmente para a terra.

Agnes, uma mulher completa

Obrigada a contar apenas consigo mesma desde muito nova, Agnes teve de se defender a si mesma e ao irmão, George, contra os desvarios de um pai alcoólico. Depois de perder o emprego injustamente, ela não cruza os braços e faz todo o trabalho digno, até como criada, até alcançar uma carreira fulgurante de vitrinista com a ajuda de Mr. Selfridge. Apaixonada pelo aristocrático e charmoso colega Henri Leclair, com quem forma uma equipa incrível, acaba por casar com ele, não deixando de se dedicar ao trabalho que adora. Mas a Guerra deixa o marido profundamente perturbado e vendo isso, Agnes sabe estabelecer prioridades e largar tudo para investir na sua recuperação. 

Grace, uma rapariga digna



Jovem de classe trabalhadora, graciosa e esforçada, Grace, empregada nos acessórios, acaba por encantar o jovem patrão, Gordon. Porém, o inocente idílio acaba quando Grace percebe que vêm de mundos muito diferentes e que a família Selfridge procura um bom partido para Gordon. Apesar de gostar muito dele, a jovem toma a resolução de se afastar antes de se envolver mais, para evitar destruir a sua reputação e sofrer um desgosto. O namorado, que é genuinamente bom rapaz, percebe que não a quer perder e acaba mesmo por casar com ela (um casamento que tal como o de Violette e Rosalie, é baseado em factos reais). Grace é um bom exemplo por não ser ambiciosa e colocar a sua dignidade feminina acima de tudo, um comportamento que vê recompensado.


Kitty, uma mulher forte

Responsável da secção de beleza, a bonita Kitty pode parecer um pouco trocista e mazinha às vezes, mas as suas tolices escondem um coração de manteiga. Casa com um homem com algum estatuto, que poderia sustentá-la, mas Kitty, agora Mrs. Edwards, adora o que faz e prefere manter o posto de trabalho que lhe custou tanto a alcançar - além de incentivar a sua sonhadora irmã mais nova a seguir o mesmo caminho. 
 Atacada por ex-soldados bêbedos à porta do Selfridge´s, Kitty insiste, apesar da pressão da opinião pública para manter-se calada contra veteranos de guerra que tinham dado o sangue pelo país, levá-los à justiça para impedir que façam o mesmo a outras mulheres. 

Princesa Marie, uma mulher de palavra e de família



Obrigada a fugir da Rússia só com o filho e pouco mais do que a roupa do corpo, a astuta e divertida Princesa vê-se na difícil situação de depender da caridade de amigos - e esquemas mais ou menos inocentes - para manter as aparências e não deixar que a família se arruíne de todo. Quando a mãe de Mr. Selfridge (outra mulher interessante) descobre a real situação, Marie explica-lhe que se sente pessimamente com a sua situação de parasita, mas que aguarda apenas que a sua fiel criada lhe faça chegar o cofre com as jóias de família para corrigir todos esses erros. Isso acontece, de facto - e a Princesa, antes de mais nada, procura o compadre, Mr.Selfridge, para lhe pagar cada cêntimo em dívida. Ele recusa, porque já gosta dela como família que são, dizendo-lhe porém que aprecia muito que ela o tenha oferecido. Marie fia muito sensibilizada, porque a família é tudo para ela - algo que prova sendo uma sogra fantástica para Violette e dirigindo o filho no sentido de compreender e apreciar a sua jovem esposa (um apoio fundamental para que o casamento de ambos não naufrague).


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