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Sunday, October 25, 2015

Brilhante comentário da semana: hic sunt dracones




A propósito deste post, a nossa amiga Carla Santos Alves, que lançou um livro sobre relacionamentos saudáveis, teceu um comentário que me deixou a pensar:

"As desculpas não se pedem, evitam—se. Quando se entra, de mansinho, na violência psicológica e emocional está-se a um passo de perder o controlo— é exactamente neste ponto que temos que ser mais fortes do que as cordas de um piano ( para que a nossa melodia se faça ouvir.)".

E é verdade, daquelas verdades tão simples que abalam as estruturas interiores.

 Alguém - e estou cansada de dar voltas à cabeça mas não recordo quem foi - disse que quando se trata de violência ou crueldade, é quase escusado separar a psicológica da física: são faces da mesma moeda, estágios, e a emocional é um meio para um fim. Certa vez, uma amiga psicóloga disse em conversa sobre o assunto que em cenário de crueldade psicológica, ficar para procurar entender o porquê ou tentar consertar os danos é entrar no território da loucura. 


É olhar para o abismo, e já se sabe: abyssus abyssum invocat. Quando olhas para o abismo, o abismo olha para ti. Cuidado, quando enfrentas um monstro, para não te tornares um monstro também. Ou o resultado do toque do monstro...

Tolerar a crueldade de qualquer tipo é estar, de facto, a um passo de perder o controlo, de deixar que as fronteiras entre o bem e o mal se esbatam de vez. É mostrar-se disponível para suportar mais. Abrir a porta para maus tratos piores - ou pelo menos, mais visíveis.

Se uma ligação entre duas pessoas tem como resultado o constante choro, mágoa, constrangimento, ansiedade, desilusão, se um não se importa de infligir sofrimento ao outro, então essa relação está num num território escuro e perigoso, onde seria justo e sensato colocar o aviso medieval que se punha nas zonas desconhecidas dos mapas: hic sunt dracones - aqui há dragões. Aqui há perigo. E tende a piorar. 

1 comment:

Carla Santos Alves said...

Jessi, o que escrevi foi um livro sobre familias numerosas— que é a minha, e apenas, sem ser profissional, e sem pretensões falo como é importante o amor como alicerce.
Agora, ou melhor daqui a duas semanas vou lançar outro livro, cuja temática é a fé, onde também abordo a família e o casamento.
Qualquer que seja a violência, é má. Somos para ser felizes.
Gostava de contar com a tua presença no lançamento do meu novo livro. :)

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