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Monday, October 12, 2015

Calma lá.


Frases como esta andam muito na moda, não sem a sua razão de ser. Quase que era útil criar-se uma t-shirt daquelas parvas para mulheres, que dissesse "se acha o exterior bonito, devia ver a minha alma". Que isso da alma é uma coisa que ninguém vê nem sabe bem para que serve, mas se - para quem crê-  Deus e o Diabo andam em permanente contenda por causa dela, por algum motivo será. E diz quem já viu uma alma que é algo tão belo que nenhuma beleza terrena se lhe pode comparar. O mal de tantas mulheres - e de tantas relações modernas - é que se explora tudo o que há para explorar, se descobre tudo o que há para descobrir, antes de ver se a alma é bonita ou não, compatível ou não.

Quem diz hoje, como antigamente, ao avaliar um potencial interesse amoroso "é uma alma de eleição...um espírito tão refinado...um anjo de bondade!"? Pouca gente. Não porque essas coisas tenham deixado de fazer falta (a falta delas é mesmo o motivo do colapso de muitos relacionamentos com potencial) mas porque já não se repara tanto nisso.

 Ora, a leitura serve para enfeitar o espírito, como o exercício e os cuidados de beleza servem para aperfeiçoar o corpo. Ou antes, as boas leituras. Porque as más podem transformar uma mulher recta, de mente racional e bons propósitos, numa valente tola. Muitos autores actuais fazem pior à psique feminina do que todos os excessos de futilidade juntos


A muitas, que se dedicam a ler bovarices que só servem para as tornar egocêntricas, carentes e armadas em espertas, faria menos mal pousar os livros que não valem o papel em que estão impressos e ir, como doidinhas, tomar um banho de loja. Entre a rapariga abertamente frívola, pouco culta, e a que faz de espertalhona, não sei o que será pior.

E já que falamos em espertalhona, que dizer das pseudo intelectuais, das complicadas que acham que lá por serem "inteligentes" (julgando-se mais do que são, tantas vezes) já não precisam de ser agradáveis à vista, nem femininas, nem modestas ou cuidadosas com os outros? Pretensiosas e maçadoras, acham-se no direito de debater tudo, de interromper toda a gente, de aparentar muita cultura - tantas vezes postiça! Quantas conheço assim que são incapazes, na hora H, de alinhavar um texto direito...e que à força de quererem demonstrar a um homem como são geniais, acabam por afastar todos os pretendentes que eventualmente se aproximem. Não é isso burrice?


Se um homem não quer uma mulher garrida, fútil, esbanjadora, com quem não possa conversar, vaidosa e permeável à lisonja... tão pouco será feliz com uma tola pseudo intelectual que, julgando-se uma sumidade em todos os assuntos, se acha mais esperta do que ele, que importuna os convidados com debates, que o interrompe sem cerimónias, o diminui se for preciso e desleixa a casa para se entreter a debater política nas redes sociais.

Por isso, a mim que sempre fui um rato de bibloteca de saltos altos, estas frases 
parecem-me algo perigosas. Ou uma desculpa das espertalhonas que assustaram toda a gente e, sendo tão desmioladas como as outras, querem demonstrar que ter miolos é sexy. 

Uma mulher deve ter tantos livros como sapatos, porque ambos são importantes. Nariz nos livros e pés nos sapatos, de preferência bem assentes na Terra...porque só assim a alma pode elevar-se, e corpo sem alma ou vice-versa nada feito.



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