A beleza e elegância interiores, todavia, são algo mais subtil e que exige maior vigilância, pois não basta olhar-se ao espelho algumas vezes para retocar o que está mal. Porém, sem elegância do espírito não pode haver elegância exterior; e sem beleza interior, até a beldade mais impressionante perde metade do encanto. A mente afecta o corpo, por isso aqui ficam alguns passos de "cosmética do espírito" para garantir que tudo fica a condizer.
1- Relativizar com sentido de humor...em vez de dramatizar
A ex do seu namorado que faz tudo para a arreliar (e ele insiste em desprezá-la de forma demasiado "delicada" para seu gosto). O chefe impossível. Os projectos que nunca mais dão lucro ou as despesas que surgem não se sabe de onde quando já tinha tudo equilibradinho e direitinho. Um problema de saúde que lhe deu cabo da boa forma a que se habituou. Desaires que atrasam os seus planos, que até parece bruxedo, tudo seguido...assim de repente, a sua vida parece uma telenovela.
Ou um filme do Charlie Chaplin. E se calhar é mesmo...afinal, a vida imita a arte. Se já fez tudo o que podia fazer, se tem tudo tratado e agora não depende de si, mais vale brincar com o assunto. Encare tudo isso como se fosse um filme ou telenovela que emociona mas não lhe diz directamente respeito, e divirta-se com o lado cómico da situação, em modo "não percam o próximo episódio, porque nós também não". Pode ter de procurar, mas ele está lá. Pôr alcunhas jocosas às pessoas que a aborrecem também é uma boa terapia (e às vezes uma boa vingança, porque muitas acabam por pegar...). Tenha calma porque a vida é fluida e por muito estagnada que uma situação esteja, nada dura para sempre. As pessoas incómodas arranjam mais que fazer (ou se não arrepiarem caminho, acabam por receber a recompensa) o que tiver de ser seu à mão lhe virá parar e enfim, a muitos males da vida aplica-se aquela máxima do povo que é rude, mas certa: "isso incha, desincha e passa".
2- Ser honesta, mesmo nas pequenas coisas.
3- Dar o desconto aos outros
Lá dizia o bom Imperador Aurélio, eu cá não me amofino com objectos inanimados nem com transviados que não sabem ver o caminho. É claro que temos de suportar pessoas medonhas às vezes, mas podemos fazer três coisas para não custar tanto: primeiro, pensar algo do estilo "coitado(a) é doente/ infeliz em casa/não teve educação nenhuma" e recusar categoricamente com os nossos botões que gente dessa nos cause rugas. Maria Antonieta não moveu um músculo quando a populaça a levou à guilhotina, pois não? Pois, porque eram uns pobres coitados que não sabiam agir melhor. Entrar em modo "perdoai-os que eles não sabem o que fazem" ajuda muito a manter a auto estima imbeliscável. Seja imperturbável, mas magnânima para não se deixar contagiar. Segundo, pensar nas vezes em que somos ou fomos difíceis de aturar/injustas/uma carga de trabalhos para os outros. De certeza que o fomos alguma vez, nem que fosse em pequenas. Também podemos ter de algum modo melindrado essa pessoa por não gostarmos dela à partida, sabe-se lá. E terceiro - esta para quem é mais espiritual - pode-se sempre oferecer essas arrelias como sacrifício para queimar o mau karma (se gostar de ideias esotéricas) pelos seus pecados, pelo arrependimento dos pecadores, para sufragar as alminhas do Purgatório, etc. O mundo anda tão mau que qualquer oferta ajuda, e sempre confere algum sentido e feeling de heroísmo à coisa.
4- Ser solidária com as outras mulheres
Já se disse aqui vezes sem conta, uma mulher elegante não tolera rivais. Não porque as elimina com uma maçã embruxada como a Rainha Má ou coisa assim, mas porque tem demasiado amor próprio e confiança no seu valor para se rebaixar a competições ridículas. Isto no campo amoroso e sempre que possível, no profissional. Mas em tudo o resto? Quantas vezes não vemos mulheres a antipatizar/rivalizar umas com as outras mesmo quando não há interesses em conflito, só porque "ela-vem-mais-gira-do-que-eu" ou algo do género? E nem falemos de "amigas" que se alfinetam umas às outras. Descer do pedestal da vaidade, reconhecer que todas têm a sua vez de brilhar, não é só uma receita para fazer amizades valiosas: é um gesto elegante e sempre bem vindo. Não custa nada elogiar a maquilhagem/vestido/penteado de outra pessoa de vez em quando e tirar o holofote de si própria. Deixem-se a agressividade, o "bow down, bitches" e os "beijinhos no ombro" no ghetto, onde pertencem.
5 - Julgar, mas sem maldade
O "não julgueis" tem melhor reputação do que merece. É importante notar o erro alheio para vermos o que não queremos para nós, nem para as pessoas próximas, ou no sentido de alertar outros através do mau exemplo. Mas condenar o pecado não implica detestar o pecador. Quando se pensa "que aspecto medonho tem aquela rapariga!" é mais saudável fazê-lo no sentido construtivo: "pobre pequena! Só precisava de fazer isto ou aquilo para ficar mais apresentável!". É melhor ter pena (ou se é caso disso, orientar para corrigir) do que criticar tudo e todos. Ditos jocosos e ácidos têm o seu lugar, mas atirados constantemente tornam-se cansativos e deixam que os faz - e quem os ouve - num estado de crispação. Igualmente de evitar é o cultivo do mexerico gratuito. Se a informação não é útil para si, não gaste o seu tempo a debitar e analisar.
6- Concentrar-se no que tem e deixar lá o que não tem
7- Não se considerar uma grande pessoa, nem a última das criaturas
Este é um mal do século - o que mais se vê por aí são pessoas (e mulheres em particular) ou muito cheias de si, prontas a ofender-se por qualquer coisa, ou com a auto estima de rastos. Quem não se tem como a melhor do mundo, a beleza extraordinária ou a Rainha do Sabá dificilmente se vai abaixo ante qualquer melindre ou percalço. Por outro lado, ter a consciência de quem é, de onde veio, do que vale e para onde vai, fazendo orelhas moucas a tudo o resto, ajuda a aplicar a máxima "nunca seja humilde com os arrogantes nem arrogante com os humildes" e a estar com o mesmo desembaraço sereno em toda a parte.
8 - A justiça é legítima, mas...
9 - Viver para lutar outro dia
"Basta a cada dia o seu mal". Quando tudo está feio, há momentos em que não vale a pena dizer "amanhã é outro dia" porque cada amanhecer parece mais uma carga de trabalhos do que uma bênção. Abrem-se os olhos e "zás, hoje tenho de suportar isto e mais aquilo". Nessas alturas há que mandar o pensamento positivo à fava (porque só serve para irritar mais a alma a uma pessoa) e ficar feliz por levar cada dia a bom porto sem pensar no resto, para lutar mais um pouco no seguinte e ir andando assim - saboreando cada pequena vitória até que os ventos mudem. E eles mudam sempre, pelas próprias leis da natureza...
Igualmente, é boa ideia decompor os grandes objectivos em degraus mais pequenos, celebrando cada batalha ganha. Isso não é deitar foguetes antes da festa - é fazer como nos jogos de vídeo, em que ficávamos felizes e aliviados de chegar ao próximo nível.








