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Thursday, October 22, 2015

Em louvor da figura de ampulheta


A Harper´s Bazaar publicou hoje, por um motivo menos elevado (o aniversário da Kimmizinha Kardashona) um ode às mulheres que se celebrizaram pela silhueta hourglass: beldades como Liz Taylor, Sophia Loren, Marilyn Monroe, Sophia Vergara, Dita Von Teese...


John Singer Sargent, Retrato de Madame X 
 Se a estrela de reality shows é culpada de pôr na moda uma versão exagerada, caricatural, da mais clássica das silhuetas femininas - e de levar mulheres a apreciar  as suas curvas da maneira errada - a verdade é que, já foi dito por aqui, a figura de ampulheta vem em vários tamanhos: do plus size, como Christina Hendricks, às mais delgadas, como Raquel Welch ou Dorian Leigh.

(O que me leva a esclarecer, mais uma vez, o equívoco: é possível sim ser magra, bastante até, e ter curvas! Tudo depende da forma!)


Lina Cavalieri

A figura de ampulheta, considerada o ideal, o epíteto da forma feminina, a tríade serpentina sagrada, o símbolo de feminilidade, fertilidade, etc - define-se, tão somente, por cintura fina com ombros, busto e ancas mais amplos em comparação.
Pessoalmente, acho que muitas adeptas da figura "Kardashian" fazem batota- nem sempre a cintura é realmente fina, nem o busto acentuado (naturalmente, pelo menos); fazem é por aumentar os glúteos e as pernas, o que fica deselegante...


Elizabeth Taylor

 Segundo as estatísticas, só 8,4% das mulheres tem esta forma, tão cobiçada em várias épocas que levava as senhoras a espartilharem-se...um hábito que está a voltar, pelo menos no que ao fitness diz respeito, com os espartilhos de ginástica.

Jayne Mansfield

 Mas quem já nasceu assim, quem faz parte dessa excepção, pode levar algum tempo a compreender a fundo os factos essenciais de ser uma ampulheta...e a apreciar esse privilégio, salvo seja. Cada figura tem os seus mistérios e desafios. 

O primeiro é que por mais magra e esbelta, nunca se terá ancas de rapaz. E o derrièrre, maior ou menor, será sempre um ponto forte - um facto frustrante quando o que estava na moda eram as figuras de rectângulo, como Kate Moss e Cameron Diaz, ou de triângulo, como Gisele Bundchen, ambas com glúteos mais escorridos. Os jeans devem favorecer essa zona discretamente, sem nunca achatar nem comprimir. 

A cintura será sempre vincada, jamais larga e recta, e por mais desenvolvidos que os abdominais sejam, o abdómen curva para dentro - sempre feminino e dificilmente "a direito"  como o de tantas atletas. 


Sophia Loren

Depois, os decotes muito fechados, os tecidos coleantes (algo em que Kim Kardashian falha redondamente) o estilo muito desportivo, ameninado ou andrógino, os ténis, precisam de golpe de vista e prática de styling para resultar - na dúvida, às vezes é melhor prescindir deles. As saias não têm meio termo, a não ser a clássica, mas sexy, saia lápis ou saia de balão  a 3/4 . Não sendo assim, ou são realmente curtas, para baterem certo com as ancas (o que as torna muito arriscadas) ou compridas (se estiverem na moda). Comprimentos assim assim, bem como os vestidos estilo saco, são para esquecer. 


Raquel Welch

E há que valorizar a lingerie certa como um tesouro. As calças clássicas estilo anos 50, os jeans subidos na cintura (ou se descaídos, com espaço suficiente para acomodar a bacia, o que fica sempre sexy; nada que comprima os ossos!), as calças cigarrette, as camisas, os tops de camponesa que realçam os ombros, os sheath dresses, os casacos cintados, tudo o que é cingido sem exagero, torna-se imprescindível no armário.


Capa da Playboy, anos 1970

Uma "ampulheta" é sempre muito feminina-  e muitas vezes começa a parecer-se com uma mulher bastante cedo. Disfarçá-lo ou fazer por ser outra coisa é um desperdício.


Linda Carter

Por isso tem de fazer os exercícios certos para definir, manter, vincar, alongar. Treinar como uma bailarina para ter as curvas de uma modelo  dos anos 1950- seja de alta costura, como Dovima, ou pin up, como Bettie Page. Ter em mente a velha máxima "a cintura de uma mulher deve ser fina o suficiente para caber nas mãos do homem que ela ama".

E sejamos honestos - se o espartilho ficou na moda, se as mulheres se esforçavam tanto para ter esse aspecto, também era para agradar ao sexo oposto. Nada é tão apelativo para "eles" como a forma clássica de Vénus. Brigitte Bardot que o diga.





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