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Sunday, October 11, 2015

Hermann Hesse dixit: a beleza deve ser escondida?


A beleza - desde que acompanhada de espírito, elegância, modéstia e bondade - é uma coroa feminina. Já  dissemos por aqui que cultivá-la por dentro e por fora é mesmo um dever. Nenhuma mulher devia dar ouvidos às vozes que, fingindo apoiar pessoas inseguras e fragilizadas, convidam o público feminino a desleixar-se com a sua aparência, só porque a mediania e o desmazelo são "reais".

 A alma humana precisa de um bocadinho de sonho, de ir mais além, dos pequenos requintes interiores, daquilo que alegra os olhos.
 Negá-lo é sufocar a centelha divina que crepita em cada um. Não será por acaso que as culturas inspiradas pela divindade  produziram tesouros de arte que espantam a vista e encantam a alma, e que as correntes de pensamento centradas no aqui e agora, no homem arrogante e voltado para si mesmo, nas necessidades puramente materiais e funcionais criaram "arte" subversiva e esteticamente desagradável, que vive do choque que produz ou se desculpa com uma profundidade só acessível aos eleitos. 


Tais artistas odeiam a beleza porque relativa ou não, universal ou com variações de acordo com a cultura e o tempo, ela é imediatamente reconhecível. Não é preciso ser um grande intelectual, um pensador de eleição, para ver beleza numa paisagem, num rosto -o mais simples dos camponeses ou uma criança se deslumbra ante o que é belo. E pessoas pretensiosas detestam isso- arruína a sua frágil ideia de superioridade.

E o que dizer dos casais belos? Tomemos como exemplo os parzinhos de celebridades, cujas idas e vindas apaixonam tantos ávidos leitores de revistas cor de rosa...quando um homem bonito ama uma mulher linda, isso reassegura a quem vê um pouco do conto de fadas, dos grandes mitos e romances, dos quadros célebres - Vénus e Marte, Romeu e Julieta - e transmite a promessa de uma prole adorável. De um pouco de encanto num mundo desencantado. Mas entre os dois? Felizes os que se alimentam da beleza um do outro, sem ciúmes nem recriminações. Feliz o que ama a beleza, mas confia.


Por aí se vê, a beleza, bem guiada, não é uma qualidade egoísta. Gera admiração e cria um pouco de felicidade à sua volta - ou pelo menos, a ilusão da felicidade. É claro que a beleza, como tudo o que é sagrado, convém ser resguardada com um fino véu de mistério- ou como diria D.Francisco Manuel de Melo, ela deve ser como a nobreza "quem a tem que a goze, mas não que a mostre". E no entanto, ambas brilham, transparecem, apesar - ou mesmo por causa - da discrição. Se expor a beleza física de um modo grosseiro, agressivo, vulgar, desvirtua quem o faz (e a formosura em si, que perde a sua aura inatingível) e induz quem vê a baixos pensamentos (razão por que tantas pecadoras arrependidas ou grandes beldades que escolheram ser santas, se isolaram para que a formosura não lhes causasse complicações) escondê-la, trancá-la a sete chaves por receio que a roubem, é não se permitir adorá-la, nem - no caso do amor - ser adorado. É como o avarento que esconde o seu ouro aos montes numa caixa forte, vivendo como um mendigo. É acender uma vela numa sala fechada onde ninguém pode usufruir da sua luz. É estar no Purgatório sabendo que o Céu existe...



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