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Tuesday, October 6, 2015

O comboio do inferno - ou pais mal educados.




Hoje até tinha um post todo bonito na minha cabeça, mas...como lamentavelmente ma encheram com outra coisa (o que resultou numa enxaqueca monumental) lá se foram as minhas encomendas.

Pior do que andar de comboio (ou na CP, vá, que ainda esta manhã me trocou o lugar cuidadosamente escolhido online por um virado ao contrário, e eu que sou uma enjoada...) só estar fechada numa lata de sardinhas com uma criança aos berros e a pontapear-nos a cadeira. Agora imaginem uma criança com uma voz invulgarmente grave aos berros durante duas horas, que mais me parecia estar numa quinta...

 O pequerrucho era um amor,dos seus dois anitos,  lourinho e de bochechas coradas. Parecia um anjo, sem tirar nem pôr. Estava ao colo dos pais, um casal brasileiro ainda novo (em boa verdade, só percebi que eram brasileiros passado um bom bocado, porque eram do tipo de não tugir nem mugir por mais que a criança, desculpem o verbo, balisse desalmadamente). Para ser franca, parecia que viajava um cordeirinho no banco atrás do meu! Não sei se era birra, sono, dores de ouvidos ou de dentes, não interessa; os pequenos, principalmente quando são mesmo pequenos, têm destas coisas que não se controlam e nem sempre é possível ou benéfico deixá-los em casa, entregues a terceiros.

 E claro, qualquer pessoa civilizada é compreensiva com isso.

O que já ultrapassa o razoável é, ao longo de duas horas, repito que não me canso, duas horas que ninguém me devolve, esperar que pessoas que pagaram bem pelo seu bilhete, que estão a tentar aproveitar o tempo da viagem - já que têm de lá estar-  para descansar ou adiantar trabalho, sejam sujeitas a tortura chinesa sem que os pais digam um "shhh" ,um "caladinho", sem que se levantem por um bocado para passear a cria e distrai-la (podem não a calar, mas ao menos enquanto vão de uma carruagem para a outra dividem o mal pelas aldeias) achem isso muito engraçadinho e cuti cuti. Não.

A senhora ao meu lado ainda tentou ser simpática e brincar com ele, "bebé, bebé"...e os pais, nem ai nem ui. Eu querendo mostrar desagrado sem ser malcriada, mexi-me na cadeira, a ver se entendiam. Nada. O senhor mais velho na fila adiante olhava-os descaradamente com ar de poucos amigos- zero! Uma rapariga japonesa  fixava-os com tão má cara como um kamikaze prestes a atacar, fazendo trejeitos com a boca pintada numa cor de ameixa que se via a metros. Rien de rien!

O raça do cachopo - que se chamava Pedro, o Pedrinho, vim a saber - rosnava, 
lamuriava-se, torcia-se, sempre naquela melopeia monocórdica e juro que quando suspirei "Minha Nossa Senhora!" ele interrompeu a gritaria (aí percebi que já falava, portanto entenderia um "fique caladinho!") para desatar a cantarolar "diabo, diabo, diabo". Palavra, não inventei...aí comecei a temer que a criancinha estivesse mesmo possuída. O Exorcista, parte 3: o comboio do Inferno.



Foi então que uma senhora  umas filas adiante pediu discretamente para mudar de lugar (algo que eu estivera até aí hesitante em fazer, até porque a minha vizinha me pedira para lhe guardar as coisas enquanto ia lá à frente carregar o telefone - mas acho que foi treta, só queria sossego). Coitada! Uma senhora com muito bom ar, se a cara dela não estivesse verde e pálida ao mesmo tempo, claramente atacada de enxaqueca. E o revisor, farto já daquilo, não foi de modas nem delicadezas - disse em voz bem alta: 

"Ah, por causa do barulho? Há lugares na outra carruagem, faça favor!".

Só então aqueles malcriados ganharam vergonha  e fizeram o que já deviam ter feito (o pai, porque ela ficou impávida e serena). Lá se levantou como quem pede desculpa a um pé para mexer o outro e foi passear um pouco o pequeno Belzebu ou Satanás ou lá quem era, inclusive para junto de outras crianças que lá estavam. Claro que aí o Pedrinho deixou de estar possesso para ser um garotinho perfeitamente normal.

Para mim, estes casos explicam muita queixa " ai que ter filhos engorda". Pudera! Se não se mexem para impedir sequer que incomodem os outros!

E devia ser gente mesmo incomodativa, do género passivo agressivo, porque quando o comboio abrandou e eu já estava de pé junto à porta para me despachar, trataram de me barrar o caminho com as malas como se eu não estivesse lá. 

Não estive com mais escrúpulos, arredei-lhas para o lado com o pé e passei como se nada fosse...também já era abuso!




1 comment:

sramos said...

Olá,
Já há muito que não comentava por aqui, mas compreendo-a perfeitamente e os defensores das criancinhas mimadas e mal educadas, que me desculpem, mas quando a palavra não chega uma palmada do "rabiosque" não lhes faz mal nenhum.
Eu como não gosto de ver os filhos dos outros a fazerem essas birras, nunca permiti ao meu que as fizesse. Mas, como não permitia essas birras, levei com alguns olhares de morte, porque nas cabecinhas de algumas pessoas os meninos quebram se ouvirem a palavra "não" ou "está quieto", e outras do género.

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